Relator quer salvar mandato de Zambelli

Os deputados estão próximos de dar um novo tapa na cara dos brasileiros. O relator da ação para perda de mandato de Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália, votou para salvar o mandato da condenada definitivamente em duas ações penais: invasão ao sistema do CNJ e perseguição armada a uma pessoa pelas ruas de São Paulo na véspera do segundo turno de 2022.

Relatório será votado na CCJ e, aprovado, vai para nova votação no plenário da Câmara.

Diego Alexsander Gonçalo Paula Garcia (Republicanos-PR) é o nome do relator. Da cidade de Bandeirantes, no Paraná, foi eleito deputado pela primeira vez em 2014.

O condenado pela trama golpista que fugiu para os EUA, Alexandre Ramagem (PL-RJ) é o próximo a ser protegido pelos companheiros. Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também já virou réu pela atuação nos EUA contra autoridades brasileiras.

Para além do tradicional corporativismo dos parlamentares, o espirito de corpo, a não cassação de Zambelli é recado do Congresso ao STF. É um aviso que vão se blindar e não vão aceitar cassar mandatos de seus membros.

A PEC da blindagem não passou pela reação contundente da população contra ela, mas usarão todos os meios disponíveis para a blindagem parlamentar.

PEC da blindagem derrotada

Senado Federal fez o seu dever como casa revisora e barrou a PEC da blindagem aprovada pela Câmara dos Deputados.

Por unanimidade (26 votos, o presidente da comissão, Otto Alencar, só vota para desempatar), os membros da CCJ votaram contra o maior absurdo que tramitou, foi a votação e aprovado no parlamento brasileiro.

O relator Alessandro Vieira (MDB/SE) fez um retório profundamente técnico sem margem para manobras ou que a dita cuja possa ser ressuscitada em outro momento.

Já foi escrito escrito aqui o que é e representa essa PEC 3/2021. Deixo o texto aqui e aqui os deputados que votaram a favor e contra. Que seja esquecida no arquivo.

Classe política quer ser a casta mais protegida

Fica difícil defender a classe política dos antipolítica quando os próprios políticos jogam contra. A famigerada PEC das prerrogativas que é a PEC da blindagem ou sendo mais direto a PEC da bandidagem aprovada na Câmara dos Deputados faz a classe política ser a casta mais protegida dessa nossa República torta.

Simplesmente os nossos políticos querem que eles tenham o poder de autorizar ou não investigações contra eles mesmos e por votação secreta. Escárnio e despudor.

É conversa para enganar trouxa dizer que é para proteger as prerrogativas dos parlamentares contra abusos do STF. Estão é ampliando o foro para contemplar até presidentes de partido com representação no Congresso sem cargo eletivo.

A blindagem é o medo de investigações sobre o mau uso das emendas parlamentares que começou a descarrilhar na década passada com sucessivas PECs que tornou o Congresso Nacional hipertrofiado pegando um pedaço generoso do orçamento do governo.

Antes vigorava o presidencialismo de coalizão, o velho franciscano “é dando que se recebe”, mas Eduardo Cunha rompeu com ele aprovando as emendas impositivas tirando o poder de barganha do Planalto. Arthur Lira, sucessor de Cunha, veio com mais medidas disruptivas e o contrassenso de esconder quem enviou a emenda.

As emendas parlamentares sempre foram um ativo eleitoral e os deputados/senadores usavam para fazer publicidade em seus redutos captando votos. Do nada passaram a querer esconder o seu nome na destinação da emenda e sem projeto definido. A porta aberta para infinitas formas de desvios foi aberta.

Não querem prestar contas das emendas, dinheiro público, também não querem responder por possíveis desvios. E irão para praças e casas dos eleitores em 2026 pedir voto sem a menor vergonha na cara. O eleitor terá a chance do troco e higienizar o parlamento na urna, mas não tenho muita esperança que isso aconteça.

Nova composição da Câmara

A nova composição da Câmara dos Deputados ficou mais governista e com cara de “centrão”. PL, PP e Republicanos foram os que mais ganharam deputados.

O União Brasil, partido que surgiu da fusão do PSL com Democratas, foi quem mais perdeu parlamentares. -34. PSD ganhou 8.

Na esquerda, PT manteve sua bancada. O PSB e o PDT perderam juntos mais de uma dezena de deputados.

Derrota da PEC do voto impresso deixa pronta narrativa de fraude e placar sepulta impeachment

A votação da PEC do voto impresso deixou duas certezas que foram duas vitórias para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Deixou pronta a narrativa de fraude em caso de derrota de Bolsonaro, inclusive, o presidente voltou a desqualificar o sistema eleitoral após a votação da PEC, mesmo tendo se comprometido com Arthur Lira a não falar mais do assunto se ele levasse para o plenário – a PEC foi derrotada na comissão.

Bolsonaro voltou a acusar, sem provas, fraude na eleição que venceu em 2018. Foro de São Paulo e a esquerda teriam comprado 12 milhões de votos que iria para ele e foram desviados para Haddad, com a complacência do TSE. Esse pessoal para bolar teoria conspiratória rivaliza com autores de novelas, filmes, etc.

É quase certo que Bolsonaro vai copiar Donald Trump e não aceitará a derrota.

Os 229 votos a favor da PEC deixaram explícito que um processo de impeachment teria como destino o arquivo neste momento.

Mas também mostrou como o centrão não é confiável mesmo tendo recebido os ministérios da Casa Civil, Cidadania, Sec. de governo mais outros cargos do segundo escalão e verbas via emendas parlamentares. Somando apenas o núcleo central do centrão, a maioria foi contra a PEC do voto impresso.