Nova “PEC da “Blindagem”

A classe política está prestes a deferir um golpe fatal no combate ao crime organizado. Atenção: qualquer crime organizado. Seja de facção criminosa, assaltar um banco, assaltar o erário público (corrupção), planejar golpe de Estado, os controles investigativos construídos durante anos, décadas e vários governos não existiriam mais.

A Polícia Federal perderia o sentido de existir. Por exemplo, só poderia agir se o governador do estado pedir. Essa aberração passaria no Congresso sob pretexto do combate aos faccionados. É um cavalo de tróia.

O governo federal enviou um pacote antifacção, Hugo Motta (Republicanos), presidente Câmara, para agradar a oposição deu a relatoria ao deputado Guilherme Derrite (PP/SP), que é secretário de segurança de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o favorito do “centrão” para ser o adversário do presidente Lula (PT) em 2026.

Derrite deformou o projeto do governo. Parecia ser uma guerra política, de narrativa sobre segurança pública. É muito pior. O que tramam é o desmonte de mecanismos de combater crimes do Estado brasileiro para blindar políticos. É a PEC da blindagem 2.

O dilema de Tarcísio

Pesquisa em São Paulo divulgada nesta manhã de terça-feira (6) confirma o amplo favoritismo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para a reeleição.

Tarcísio tem 67% de aprovação, quase 50% de avaliação positiva de seu governo e apenas 18% de ruim/péssimo.

Nas projeções para as eleições de 2026, o governador aparece na liderança isolada em todos os cenários e com chance de vencer a disputa no primeiro turno.

Por exemplo, contra o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que governou o estado de SP por 4 mandatos, Tarcísio aparece com o dobro de intenção de votos (42,1% a 21,1%). E contra o provável adversário o ex-governador Márcio França (PSB), o atual tem mais de 30 pontos de frente.

Por tudo isso seria atirar no escuro se Tarcísio escolher disputar a presidência da República do que a reeleição para governador. Ele disse que o foco é a reeleição e entregar o que está fazendo no governo paulista, mas sofre forte pressão do mercado financeiro e de políticos para ser o candidato desafiante do presidente Lula (PT).

Tarcísio tem que colocar na balança e decidir seu futuro político. A melhor opção tudo indica é concorrer a mais um mandato de governador para continuar se projetando pensando em 2030. É difícil resistir a tentação de pular etapas quando aparece uma oportunidade, mas se olhar o passado Tarcísio vai ver que quem fez isso não teve sucesso.

Pesquisa indica vitória de Tarcísio contra Lula

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) já aparece ligeiramente a frente do presidente Lula (PT) em pesquisa para as eleições de 2026, mesmo ele negando candidatura a presidente e não sendo conhecido nacionalmente. Em um segundo turno, Tarcísio teria 49% contra 47% de Lula.

A aposta do governo é o pacote anunciado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) de zerar impostos de importação de alguns alimentos.

O que pesa contra o governador de São Paulo é o fato da sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que insiste em não indicar um candidato. Isso pode atrasar o desembarque de Tarcísio do governo estadual no prazo de desincompatibilização (abril de 2026).

Mas, se a rejeição ao governo Lula continuar subindo, os agentes políticos podem forçar Bolsonaro a sair do caminho de Tarcísio justificando que ele é o nome para aglutinar apoio político e vencer o atual presidente.

Eleição SP: Nunes reeleito, Tarcísio fortalecido e Boulos estagnado

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) é reeleito em São Paulo. Vice-prefeito que assumiu com a morte do titular Bruno Covas (PSDB), Nunes obteve 3.393.110 votos (59,35%), Guilherme Boulos (PSOL) teve no segundo turno 2.323.901 votos (40,65%).

As pesquisas indicavam vitória de Nunes entre 55% a 57%. O atual prefeito repete quase o mesmo número da eleição de 2020, 0,03% abaixo que o resultado de 4 anos.

Mas a vitória de Nunes em 2024 foi avassaladora ganhando em praticamente quase que em todas as zonas eleitorais da cidade.

No primeiro turno, disse aqui que a passagem de Nunes para o segundo turno foi vitória do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que apostou e foi até o fim com o prefeito. Concretizando a vitória, o mérito não é só dele, Nunes montou uma ampla coligação, uma frente ampla, mas Tarcísio sai dessa eleição como o grande vencedor.

Veremos os próximos passos dele, se vai tentar a reeleição para governador ou voar mais alto e dispurar a presidência da República já em 2026, que depende de muitos fatores.

E Guilherme Boulos? Boulos sem apoio do PT chegou ao segundo turno de 2020. Com apoio do PT chegou também ao segundo turno em 2024. Mas não cresceu nada de uma eleição para outra. Vai parar? Ou vai insistir e tentar uma terceira candidatura, tentando quebrar a rejeição contra ele?