
Fica difícil defender a classe política dos antipolítica quando os próprios políticos jogam contra. A famigerada PEC das prerrogativas que é a PEC da blindagem ou sendo mais direto a PEC da bandidagem aprovada na Câmara dos Deputados faz a classe política ser a casta mais protegida dessa nossa República torta.
Simplesmente os nossos políticos querem que eles tenham o poder de autorizar ou não investigações contra eles mesmos e por votação secreta. Escárnio e despudor.
É conversa para enganar trouxa dizer que é para proteger as prerrogativas dos parlamentares contra abusos do STF. Estão é ampliando o foro para contemplar até presidentes de partido com representação no Congresso sem cargo eletivo.
A blindagem é o medo de investigações sobre o mau uso das emendas parlamentares que começou a descarrilhar na década passada com sucessivas PECs que tornou o Congresso Nacional hipertrofiado pegando um pedaço generoso do orçamento do governo.
Antes vigorava o presidencialismo de coalizão, o velho franciscano “é dando que se recebe”, mas Eduardo Cunha rompeu com ele aprovando as emendas impositivas tirando o poder de barganha do Planalto. Arthur Lira, sucessor de Cunha, veio com mais medidas disruptivas e o contrassenso de esconder quem enviou a emenda.
As emendas parlamentares sempre foram um ativo eleitoral e os deputados/senadores usavam para fazer publicidade em seus redutos captando votos. Do nada passaram a querer esconder o seu nome na destinação da emenda e sem projeto definido. A porta aberta para infinitas formas de desvios foi aberta.
Não querem prestar contas das emendas, dinheiro público, também não querem responder por possíveis desvios. E irão para praças e casas dos eleitores em 2026 pedir voto sem a menor vergonha na cara. O eleitor terá a chance do troco e higienizar o parlamento na urna, mas não tenho muita esperança que isso aconteça.