
Um bom número de brasileiros (não importa se 1 milhão, 500, 200, 50, 10 mil ou 10 pessoas) foram às ruas para protestar contra a corrupção nesse domingo, 15 de março de 2015, dia que se comemorou os 30 anos da Nova República, contra o governo Dilma, contra o PT, contra a incompetência do Poder Público. Teve também os acéfalos que pedem intervenção militar. Só na democracia isso acontece. Em ditaduras você não pode expressar seu desejo por democracia sem correr risco até de perder a vida.
Claro que petistas e esquerdistas tentaram e tentam desqualificar os protestos pacíficos e democráticos mostrando cartazes de intervenção militar nas manifestações, buscando histórias bem duvidosas – exemplo um cachorro espancado por pessoas de camisas amarelas que estavam nos protestos porque o cachorro estava com um lenço vermelho no pescoço – e tentando diminuir o impacto usando os dados do Datafolha, que diz que foram 210 mil no protesto em São Paulo, não 1 milhão como disse a PM paulista (PM do Alckmin… Repetem os papagaios). Como se 210 mil fossem nada… É muita gente, em ato político só perde para a campanha Diretas já!
Outros acusam a imprensa (PIG, PIG, PIG) de tramar um golpe contra o governo do “povo”, dos “oprimidos”, da classe operária. Esquecendo-se dos bancos lucrando apesar da crise e do PIB zerado quase negativo. Tenho pra mim que muitas pessoas têm uma relação com o petismo parecido com a SÍNDROME DE ESTOCOLMO. Nem se o Lula ou a Dilma espancar uma gata PRENHA ainda encontrariam um jeito de defender os dois e o PT.
“O PT não é o único partido político corrupto nem inventou a corrupção”. Correto, mas o partido nasceu para corrigir essa falha da política entre outras bandeiras rasgadas, defendeu por muito tempo à bandeira da ética na política e, ao subir ao Poder, cometeu práticas de corrupção piores. O PT está provando do próprio veneno. Na oposição o partido fazia várias manifestações pedindo FORA FHC. Petistas pediam em artigos nos jornais o impeachment do Fernando Henrique, sem motivo.
Mas o pior é o MINISTRO Miguel Rossetto levando o discurso da militância para dentro do Palácio do Planalto. Golpistas, ataque a democracia, eleitores da oposição. Sério, ministro? O senhor foi a TODAS as cidades que teve protesto e perguntou um por um dos manifestantes em quem votou na última eleição? “A grande participação é de eleitores que não votaram na Dilma.”. Não acredito que o ministro acha isso mesmo. Se achar, está muito por fora da realidade. E até um SENADOR DO PT discordou do ministro do governo que ele representa.
Mesmo se fossem apenas os eleitores do Aécio Neves (51 milhões), da classe média, da “elite branca coxinha reacionária”, os protestos seriam LEGÍTIMOS! E a imprensa é livre (GRAÇAS A DEUS NÃO estamos na Venezuela) para noticiar um protesto dessa magnitude e do jeito que desejar. Só seria condenável se jornalistas e comentaristas incentivassem a população contra a ordem pública e a democracia, o que passou longe (MUITO LONGE, KILOMÊTROS DE DISTÂNCIA) de acontecer.
O que mais revolta no governo Dilma – incluindo a presidente e ministros – é a incapacidade de reconhecer erros e o estelionato eleitoral praticado na eleição. Governo diz que entendeu o recado das ruas, mas não consegue fazer mea-culpa, joga a culpa nos “não eleitores”, promete pacote anticorrupção que não sai nunca e ainda vem com esse papo de financiamento público de campanha, ou seja, mais uma conta para o povo pagar. A impressão é que o governo está atônico e não sabe como recuperar um pouco da popularidade perdida.
Contudo, sou contra o impeachment da presidente por ora. Mas deixem o povo ir às ruas e manifestar-se contra a degradação da política nacional. Se essas manifestações pelo país conseguirem pelo menos destravar a reforma política já vai ser uma grande vitória.

Ficando apenas no campo da imprensa, quando escrevo sobre regulamentação não penso em menos liberdade, mas em mais responsabilidade. Para usar um exemplo de uma sociedade mais avançada do que a nossa, nos EUA essa questão parece mais bem resolvida. Eles costumam dar um exemplo simples: Uma pessoa não pode gritar “fogo” num teatro lotado, sem haver um incêndio, criar um pandemônio e não ter responsabilidade sobre isso.
No Brasil, a cada semana, a Veja grita “fogo”, “terremoto” e “furacão”, quase nunca prova nada e tudo fica por isso mesmo. A capa “Eles sabiam” antes da eleição é o maior golpe via imprensa desde a manipulação do debate Collor-Lula em 89. Nos EUA ou na Inglaterra, se a Veja tivesse publicado o que publicou, sem provas e às vésperas de uma eleição, provavelmente sofreria uma pressão que a faria fechar as portas. Mas aqui sabemos que nada deve acontecer.
Salve, João Paulo.
Bem, vamos por partes:
– Sobre o meu texto no Além das Quatro Linhas, escrevi de modo que ficasse o mais apartidário possível, apenas pontuando a maneira como a imprensa tem agido nas últimas décadas. E isso vale tanto para Globo, Folha e Estadão, quanto para a Carta Capital. A Veja eu já considero um capítulo à parte, uma vez que ela deixou de ser uma revista de jornalismo faz tempo. Mas esse é assunto para outra hora.
– Quanto à quantidade de manifestantes na Avenida Paulista, acredito que a situação se torna mais séria dada a discrepância de números. Os números da PM, ao contrário da Folha, não parecem estar amparados em nenhuma metodologia. Inclusive, fisicamente não seria possível ter tantas pessoas por metro quadrado. Isto posto, cabe avaliar a razão para tal informação equivocada. Foi uma orientação superior? Então é grave, pois querem dar um peso ao manifesto maior do que ele indubitavelmente tem. Foi só incompetência mesmo? Então foi mais vergonha do que outra coisa. Falando em ordens superiores, as catracas do metrô foram abertas? Se foram, não configura brutal irregularidade?
– Outra coisa que me chamou a atenção foi o direcionamento das manifestações. Em tempos de Lava Jato (e das revelações de que as propinas vêm de longa data), de escândalo do HSBC e de outros tantos, toda a revolta se personificou em Dilma e Lula. Curiosamente, dois nomes que não foram citados nas investigações como perceptores de propina ou proprietários de contas na Suíça.
– Pergunto: Diante do panorama atual, da urgência de uma reforma política, a natureza dessas manifestações pró-impeachment faz sentido? Não, não faz. Elas são legítimas? Sem dúvida, mas nem por isso são justas ou precisas.
– Por último, queria dizer que duvido muito que o número de representantes de eleitoras de Dilma nas manifestações tenha sido significativo. Não que os eleitores não estejam decepcionados, mas daí a pedirem impeachment ou intervenção militar vai uma longa distância.
Grande abraço. É sempre um prazer debater com o amigo.
Os protestos foram difusos, não tinham um tema específico. Muitos pediram impeachment, já outros foram apenas extravasar sua revolta contra o governo, de forma pacífica e democrática, e outros pedindo intervenção militar – esses não devem ser levados em conta, são anencéfalos e até eles têm direito à liberdade de expressão (democracia permite isso, ao contrário do regime que eles tolamente pedem). Sobre a imprensa, defendo liberdade total – respeitando as leis do país. Valeu pelo comentário. Serviu como contraponto ao texto.