Se encerra a cúpula dos BRICS. O presidente Lula é pragmático. A turma que fica dizendo que o Brasil não deve se aliar a esse ou aquele país esses sim são ideológicos.
Tem que ser pragmático e fazer acordos internacionais independente dos costumes de países. Os liberais que são ideológicos e querem fazer alianças só com países da patota.
Chega de fazer aliança só com os EUA. O mundo não é só os EUA e países ocidentais que, segundo liberais, são “países democráticos”.
O Brasil não pode prescindir de fazer negócios com países que têm costumes e cultura diferentes da gente. Não pode deixar de fazer acordo com país rico em petróleo, por exemplo, porque o país é uma ditadura. Cada um que cuide de sua casa.
Tag: liberais
Governo sem sensibilidade e preocupação social
A empatia é algo que anda em falta nos últimos anos e em todo mundo. A família pedindo ajuda no vídeo abaixo é o retrato do Brasil profundo representado, o Brasil esquecido por governantes, pela parte rica e desenvolvida do país. É o pedaço que clama por ajuda e tem em troca desprezo, preconceito, ódio e indiferença. “Vagabundos mamadores de bolsas”, vocifera o internauta do seu apartamento com ar-condicionado.
Toda equipe econômica de governos tem como meta o equilíbrio fiscal. Umas mais do que outras dependendo da coloração ideológica. A atual equipe econômica pegou uma situação de quase solvência fiscal e tem uma linha ideológica ultra ortodoxa. É a turma do Estado mínimo que chegou ao governo sonhando em colocar em prática seu desejo de sair privatizando e desregulando tudo o que encontra pela frente. Essa equipe comandada por Paulo Guedes já mostrou ter ojeriza de políticas públicas compensatórias e o próprio Guedes já avisou que “não olhem para este governo procurando combater desigualdade social”. Nem precisava avisar…
Discípulos da Universidade de Chicago e das políticas implementadas pelo ditador chileno Augusto Pinochet já tentaram mexer no Benefício de Prestação Continuada – BCP, um auxílio para os pobres – limitando a 400 reais até os 70 anos, taxaram desempregado cobrando do seguro-desemprego, querem onerar a cesta básica com a desculpa que o dinheiro arrecadado turbinaria o Bolsa Família escondendo que o governo está desidratando o programa e precisou remanejar recursos da Previdência para completar o pagamento de dezembro de 2019 ou deixaria milhões de beneficiários sem receber e fechar a conta do 13º do BF, um promessa de campanha que, aliás, não tem previsão para esse e os outros anos.
Tiveram a coragem de mexer até com a política para PCD – Pessoas Com Deficiência. A volta de um imposto deletério como a CPMF sempre é ressuscitado agora disfarçado de CPMF.net para Guedes desonerar a folha de pagamento das empresas. Mais um mimo do ministro “tchutchuca” para os empresários. O salário mínimo corrigido apenas pela inflação, e porque é constitucional, o ministro “tigrão” deseja é o congelamento do mínimo toda vez que as contas públicas entrarem no vermelho – proposta está na PEC emergencial enviada ao Congresso Nacional.
A última é a ANEEL em conluio com empresas articulando taxar até o sol, com a chancela do ministério da Economia e o ministério de Minas e Energia. E nossos liberais que são contra qualquer subsídio. De fato, alguns subsídios prejudicam a economia. Mas existem subsídios necessários para incentivar a economia de regiões afastadas – Zona Franca de Manaus, por exemplo – e disseminar boas práticas, como energias limpas. Ou mesmo que seja para políticas sociais compensatórias.
Fiscais de ideologia

É complicado falar de ideologia em um momento de radicalização, em que ponderações e opiniões são vistas como “traindo o movimento”, não importando se direita ou esquerda. Flavio Rocha, dono da Riachuelo, fundou junto com outros empresários o movimento Brasil 200, para as eleições 2018 com foco no bicentenário da independência em 2022.
A esquerda levantou o fato do Flavio Rocha ser liberal e pegar empréstimos do BNDES – dentro da lei – e liberais mais, digamos, radiciais – libertários – também criticaram Rocha o acusando de ser um “liberal de boca”, de ter foto dele com a ex-presidente Dilma Rousseff, como se fosse um crime gravíssimo. Rodrigo Constantino fez um texto criticando diretamente o ILISP, que por sua vez criticou o novo “guru” do MBL. A questão é que enquanto a esquerda se une para defender Lula da condenação em segunda instância por corrupção e na montagem de um programa mínimo para as eleições, os liberais ficam brigando entre si na internet. É um dos motivos de levarem pau nas urnas.
Mas, se olharmos por outro ângulo, a desunião da direita evita que alas virem “puxadinhos”, “linhas auxiliares” e “satélites” de um polo hegemônico igual a esquerda vive o dilema, como é o caso de partidos como PSOL, PCdo B, PDT, PSB com o PT. Constantino diz no artigo que abandonou o libertarianismo e que está escrevendo um livro com confissões de um ex-libertário porque entrou em choque com “jovens que parecem ter descoberto a “pedra filosofal” e, com típica cabeça de planilha, resolvem pregar uma revolução da sociedade, para que tudo se encaixe em seus dogmas.”. E ele tem razão, libertários e anarcocapitanistas se acham “puros” demais para se misturar com liberais pragmáticos.
Acerta, também, ao fazer a comparação entre o radicalismo dos libertários com os socialistas marxistas. Ambos têm a utopia como dogma: socialistas imaginam uma luta de classes e pela igualdade plena; libertários e ancaps lutam para acabar com o Estado e os impostos. A diferença entre os dois grupos é que um luta contra o capitalismo opressor, enquanto o outro luta contra o Estado opressor. Quem fica na zona cinzenta é chamado pelos dois lados de “falso liberal”. Pensamento ideológico é muito complexo e pessoal para outrem definir o que você é, seja ele socialista marxista, libertário, liberal ortodoxo, conservador ou ancap, não importa. Em uma democracia cabe todos os pensamentos filosóficos, político e social.
Fla-Flu ideológico na rede
Se você tem algum elo de ligação com um governo/partido rival do que você fica em cima direto, você perde a legitimidade da crítica, do deboche ao chapa-branca governista
Alguns ditos liberais brasileiros odeiam intervenção estatal e vantagens do governo, mas adoram uma teta governamental quando convém. Não tem nenhuma irregularidade nesse caso aqui, mas tem um conflito de interesse grande aí. Isso ninguém pode negar. Todo mundo tem um pouco de telhado de vidro.
Não adianta você arrotar ética contra alguém porque um dia será sua vez de experimentar um arroto desse tipo na sua cara. A crítica a qualquer governo é saudável e denúncias de falcatruas de governos são essenciais para a democracia, a internet é um bom lugar para isso.
Mas se você tem algum elo de ligação com um governo/partido rival ao que você fica em cima direto, você perde a legitimidade da crítica, do deboche ao chapa-branca governista. É conflito de interesse. Debochar do governista pago tendo algum elo com a oposição é incoerência e hipocrisia. Bater forte em tal partido e no governo dele, mas receber dinheiro público dos governos dos partidos de oposição a ele ou receber gordos patrocínios estatais, qual é a diferença? Nenhuma. Ambos os lados estão errados. Isto é fato!
Em tempo, o caso envolvendo o site Implicante não absolve os blogs ditos “progressistas” que são financiados com patrocínios de empresas estatais e pelo PT. O caso é só a prova do Fla-Flu ideológico na internet e que está entrando na política institucional brasileira, especificamente nos partidos políticos. É muito grave.