El Salvador se tornando a ‘ditadura de estimação’ da direita

A esquerda erra no tratamento dado a ditadura na Venezuela, de Nicolas Maduro, a direita está seguindo o mesmo o caminho ao endossar tudo que vem de El Salvador

El Salvador caminha a passos largos para virar uma ditadura. E com aplausos de pseudos liberais e conservadores.

O presidente Nayib Bukele implementou um regime de exceção em nome do combate à criminalidade. Conseguiu diminuir a criminalidade, mas a custo de direitos básicos do Estado Democrático de Direito.

Mas sua popularidade explodiu e garantiu sua reeleição com quase 90% dos votos. Seu partido elegeu quase que a totalidade de representantes no parlamento.

El Salvador está praticamente sem oposição e a impresa não é muito livre naquele país. O principal jornal teve que sair do país por perseguição. E, para fechar o recrudescimento do regime, Bukele tenta passar a reeleição ilimitada, o básico para qualquer aspirante a ditador.

Enquanto isso, no Brasil, os defensores se calam ou defendem as arbitariedades do seu “ditador de estimação”. O MBL – Movimento Brasil Livre é o líder de torcida de Bukele no Brasil. Defendem as medidas de exceções arfimando que El Salvador passou de um país violento para o país mais seguro da América Latina e defendem a tentativa de perpetuação no poder por Bukele. E mais: querem formar o Bukele brasileiro. 

É fácil criticar o Hugo Chávez e chamá-lo de ditador, mas é difícil criticar um líder que usa o mesmo expediente – perpetuação no poder – por ser alinhado ideologicamente. Estão fazendo o mesmo que eles acusam a esquerda de fazer.

A esquerda erra no tratamento dado a ditadura na Venezuela, de Nicolas Maduro, a direita está seguindo o mesmo o caminho ao endossar tudo que vem de El Salvador. Bukele é popular assim como Chávez era na Venezuela.

Nenhum líder por mais popular que seja pode ter o aval de implementar suas ideias por meio de medidas de exceção, que violam direitos, por mais meritosas que possam ser. Nenhum líder popular pode usar sua popularidade para se manter no poder indefinidamente.

Direita e esquerda abraçam seus “ditadores de estimação”. Já este humilde blogueiro não passa pano para ditador de esquerda nem de direita.

Bolsonarismo se empolgou com El Salvador

O presidente de El Salvador se aproveitando da maioria que conseguiu no Congresso destituiu membros da Câmara Constitucional do Supremo Tribunal de Justiça – equivalente ao nosso Supremo Tribunal Federal – e o procurador-geral. Sem tergiversar, com argumentos idênticos usados no Brasil, o presidente Nayib Bukele aplicou um (auto) golpe no país da América Central.

Bukele acusa os destituídos de interferência no Executivo e Legislativo em decisões arbitrárias e ativismo político. Jair Bolsonaro também acusa o Supremo de tolher seus poderes e os ministros são acusados de ativismo político quando de uma decisão controversa do tribunal.

Eduardo Bolsonaro aplaudiu o que aconteceu em El Salvador. Eduardo deve lamentar profundamente que seu pai não tenha poder ainda para copiar Bukele e destituir se não todos a maioria dos ministros do STF.

A postagem de Eduardo legalmente não significa nada. Simbolicamente, porém, quer dizer muito e o repúdio tem que ser sonoro para abafar qualquer tentativa semelhante aqui – tipo CPI do Judiciário e impeachment de ministros do STF. Ou o PL 4754/16 pautado na CCJ da Câmara que abre caminho para acontecer aqui o que rolou em El Salvador.