Lula vai pagar nas urnas o apoio a Maduro

O governo Lula (PT) vai mandar a embaixadora do Brasil na Venezuela para representar o país na posse do terceiro mandato de Nicolas Maduro, o tirano que governa o país vizinho com mão de ferro e controla as instituições daquele país.

Maduro foi declarado vencedor da eleição realizada em julho de 2024 pelo Conselho Nacional Eleitoral que diz que ele recebeu 51% dos votos, mas a oposição garante com as atas que recebeu dos fiscais quem venceu foi Edmundo Gonzalez Urrutia, o principal candidato opositor, com quase 70% dos votos.

Maduro desrespeitou o Acordo de Barbados liderado pelo governo Lula quando foi firmado o compromisso de realizar eleições livres, transparentes e respeitar o resultado. Teve eleições, mas longe de ter sido livres e transparentes.

A oposição teve dificuldades de inscrever o seu candidato, a líder Maria Corina Machado não pôde ser candidata acusada de crimes e inabilitada pela Suprema Corte, a sua substituta também foi impedida e até hoje não se sabe o motivo. Edmundo Gonzalez foi a terceira escolha da oposição.

Após o resultado contestado milhares de manifestantes foram reprimidos e presos, além de vários partidários da oposição sequestrados. Corina voltou a se apresentar em público depois de um tempão sumida por medo de ser presa liderando protesto contra Maduro e chegou a ser sequestrada e liberada muito provalmente por medo da forte reação internacional que aconteceria se a ditadura mantivesse ela presa e sem paradeiro conhecido.

Em 2023, Lula recebeu com pompa e cerimonial de chefe de estado em Brasília Maduro, rompendo com a política do governo brasileiro anterior, de Jair Bolsonaro, a distância com o governo venezuelano. O presidente brasileiro chegou a dizer que as acusações contra Maduro eram “narrativas”, que o “companheiro” precisava controlar a narrativa e um tempo depois respondendo sobre o que acontece na Venezuela disse que a democracia é relativa. Mais tarde Lula reconheceu que lá não é uma democracia normal, mas não é uma ditadura, é um “regime desagradável”.

O governo brasileiro não reconhece a vitória de Maduro nem da oposição, fica pedindo as atas que nunca apareceram em posição que favorece ao regime e ao mandar um representante para a posse inevitavelmente acaba por reconhecer e legitimar o processo eleitoral venezuelano que não seguiu o tratado costurado pelo Brasil. O PT, por outro lado, logo após a proclamação do resultado pelo conselho eleitoral venezuelano correu para reconhecer e parabenizar Maduro.

Lula e PT que aqui bradam por democracia e se intitulam salvadores dela, apoiam um regime que suprimiu a democracia na Venezuela. Esse apoio a Maduro será cobrado em 2026.

Maduro não vai cair sozinho

Dificilmente vai ser por vias legais e eleitorais que o regime ditatorial de Maduro vai cair. Não sou a favor do uso da força nem de revoluções, mas não vejo outro caminho

O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela declarou Nicolas Maduro reeleito para mais um mandato no país. Maduro está no poder desde 2013, após a morte de Hugo Chavez. Ele teria vencido seu opositor por 51% a 44% dos votos. Mas a sua vitória é muito questionada pela oposição e outros países. A Venezuela vive num regime de exceção há anos. Maduro controla as instituições venezuelanas, inclusive o órgão eleitoral, e faz o que bem entender no país para seus interesses.

O resultado desta eleição está muito viciado por medidas tomadas antes e durante a eleição pelo governo, como restringir o acesso ao voto de venezuelanos que moram fora, fechamento das fronteiras para exilados não voltarem e poder votar, além de desconvidar observadores internacionais da União Europeia e proibir a entrada de ex-presidentes de outros países para acompanhar a eleição. A principal líder de oposição Maria Corina Machado foi impedida de participar da eleição. A sua substituta também não pôde se inscrever numa manobra até hoje sem explicação. A oposição foi para disputa com o diplomata Edmundo González, desconhecido de boa parte da população.

Maduro falou na campanha que, se não ganhasse, haveria uma banho de sangue e guerra civil fratricida na Venezuela. Até o presidente Lula o criticou suavemente e levou em resposta que tomasse chá de camomila. Respondendo sobre suspeita de fraude na eleição Maduro disse que o sistema eleitoral venezuelano é um dos mais seguros e criticou os de Brasil, Colômbia e EUA que não seriam auditados, o que levou o TSE brasileiro a desistir de enviar técnicos para acompanhar a eleição e soltar nota dura como resposta.

A questão é como é possível confiar no resultado anunciado pelo conselho eleitoral venezuelano. A oposição acusou que as atas das urnas não estavam sendo entregue como manda a lei. A Venezuela vive sob um regime autoritário e violento. Não tem como confiar no resultado divulgado pelo conselho eleitoral chavista.

Como fica o Brasil? O governo Lula vai chancelar uma eleição viciada que não foi justa nem livre e que se tem dúvida sobre o seu resultado? Muitos países, de governos de direita e esquerda, não reconheceram o resultado da eleição na Venezuela. Apenas países alinhados ao regime reconheceram o resultado, a maioria autocratas. Será um grande vexame histórico da nossa diplomacia reconhecer o resultado por questões ideológicas, mas com Celso Amorim como conselheiro do Lula para política externa não se duvida.

Dificilmente vai ser por vias legais e eleitorais que o regime ditatorial de Maduro vai cair. Não sou a favor do uso da força nem de revoluções, mas não vejo outro caminho para a Venezuela. Não vejo Maduro desistindo do poder e das benesses, até para não responder por seus crimes. A questão é que a oposição não tem instrumentos para uma tomada de poder pelas armas sem apoio internacional. Os EUA e outros países aceitariam intervir na Venezuela?

Pobres venezuelanos que continuarão a viver sobre um regime autocrático e provavelmente o êxodo de pessoas fugindo de condições degradantes resultado de políticas errôneas vai continuar e até aumentar atingindo principalmente países vizinhos como o Brasil.

El Salvador se tornando a ‘ditadura de estimação’ da direita

A esquerda erra no tratamento dado a ditadura na Venezuela, de Nicolas Maduro, a direita está seguindo o mesmo o caminho ao endossar tudo que vem de El Salvador

El Salvador caminha a passos largos para virar uma ditadura. E com aplausos de pseudos liberais e conservadores.

O presidente Nayib Bukele implementou um regime de exceção em nome do combate à criminalidade. Conseguiu diminuir a criminalidade, mas a custo de direitos básicos do Estado Democrático de Direito.

Mas sua popularidade explodiu e garantiu sua reeleição com quase 90% dos votos. Seu partido elegeu quase que a totalidade de representantes no parlamento.

El Salvador está praticamente sem oposição e a impresa não é muito livre naquele país. O principal jornal teve que sair do país por perseguição. E, para fechar o recrudescimento do regime, Bukele tenta passar a reeleição ilimitada, o básico para qualquer aspirante a ditador.

Enquanto isso, no Brasil, os defensores se calam ou defendem as arbitariedades do seu “ditador de estimação”. O MBL – Movimento Brasil Livre é o líder de torcida de Bukele no Brasil. Defendem as medidas de exceções arfimando que El Salvador passou de um país violento para o país mais seguro da América Latina e defendem a tentativa de perpetuação no poder por Bukele. E mais: querem formar o Bukele brasileiro. 

É fácil criticar o Hugo Chávez e chamá-lo de ditador, mas é difícil criticar um líder que usa o mesmo expediente – perpetuação no poder – por ser alinhado ideologicamente. Estão fazendo o mesmo que eles acusam a esquerda de fazer.

A esquerda erra no tratamento dado a ditadura na Venezuela, de Nicolas Maduro, a direita está seguindo o mesmo o caminho ao endossar tudo que vem de El Salvador. Bukele é popular assim como Chávez era na Venezuela.

Nenhum líder por mais popular que seja pode ter o aval de implementar suas ideias por meio de medidas de exceção, que violam direitos, por mais meritosas que possam ser. Nenhum líder popular pode usar sua popularidade para se manter no poder indefinidamente.

Direita e esquerda abraçam seus “ditadores de estimação”. Já este humilde blogueiro não passa pano para ditador de esquerda nem de direita.

Renúncia de Evo Morales pode ser uma estratégia

A renúncia de Evo Morales pode ser uma estratégia para driblar acusações de fraude na eleição e a perda de apoio político e popular. É estranho que, além de Evo, o vice-presidente boliviano e os presidentes da Câmara e Senado da Bolívia também tenham apresentado seus pedidos de renúncia. A Bolívia vive um vácuo de poder constitucional e a 2ª vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, a única que restou na linha sucessora, comunicou que está assumindo a presidência do país e promete novas eleições em janeiro.

Tudo indica que a estratégia de Morales é que ele consiga articular sua volta ao poder boliviano do asilo político que o México lhe concedeu. Para isso, ele tenta convencer a comunidade internacional que foi vítima de um golpe de Estado e comover o povo boliviano ao ponto de pedir pela sua volta como ocorreu com Hugo Chávez na tentativa fracassada de derruba-lo em 2002. Foi a partir daquele episódio que Chávez partiu para fechar o regime e transformou o chavismo em autoritário que acabou na ditadura de Nicolas Maduro.

Mas Morales dificilmente vai conseguir repetir Chávez e voltar nos braços do povo. Diferente da Venezuela de quase 20 anos atrás, o que aconteceu na Bolívia não foi um golpe orquestrado no bastidor. O que aconteceu foi a revolta popular que foi subindo até ficar insustentável a permanência do presidente pela fraude na eleição, comprovada pela OEA. Mesmo assim o momento na Bolívia é crítico porque não tem instituições sólidas como o Chile, que a apesar dos problemas vividos tende a sair mais fortalecido. Ainda tem a Rússia comprando a tese do golpe e alertando que não aceitaria interferência dos EUA na sucessão boliviana.

Concordo com Putin, o problema na Bolívia tem que ser resolvido internamente, mas com com supervisão de organismos internacionais para que se tenha o quanto antes uma eleição limpa, livre e o povo boliviano possa sair com instituições mais sólidas que garantam a ordem democrática pondo fim ao distúrbio social. Se a renúncia for um plano de Evo Morales, deve fracassar.

Bolívia não é Venezuela

Evo Morales não resistiu e renunciou à presidência da Bolívia depois de um ultimato das Forças Armadas do país. A Bolívia entrou em uma grave crise institucional depois da eleição de outubro passado ter dado a vitória para o quarto mandato de Evo em um resultado contestado pela oposição.

Com 80% dos votos apurados a disputa se caminhava para um segundo turno entre Evo Morales e Carlos Mesa. Do nada apuração foi interrompida voltando horas depois dando a vitória no primeiro turno ao atual presidente. A OEA – Organização dos Estados Americanos – teve que intervir e Evo aceitou uma auditoria. A auditoria recomendou novas eleições e uma reformulação no órgão eleitoral boliviano.

Evo Morales já havia aceitado um novo pleito, mas um grupo radical de oposição em Santa Cruz de la Sierra, centro econômico da Bolívia, queria a renúncia ou uma intervenção militar para tirar Evo do comando do país. Desde a vitória de Evo foi confirmada pelos resultados contestados a Bolívia tem protestos que resultaram em mortes.

O que acontece na Bolívia é que Evo Morales não conseguiu ou tentou cooptar as Forças Armadas, como Hugo Chávez e Nicolas Maduro na Venezuela. Morales chegou a ignorar o resultado do plebiscito que negava uma nova reeleição a ele entrando na Justiça boliviana para ser candidato alegando cerceamento do seu direito de ser candidato. Evo Morales tentou se perpetuar no poder, não encontrou apoio nas Forças bolivianas e além de renunciar provavelmente terá de deixar o país.

A esquerda brasileira chamar de golpe a saída imperativa de Morales, para trazer normalidade à Bolívia, só mostra o quanto obtusa é a nossa esquerda. Enquanto a direita planta a semente da discórdia em uma eventual derrota usando a Bolívia para desacreditar nosso modelo de voto eletrônico – mais irônico que a Bolívia usa o voto impresso que tanto querem resgatar.