Partido Missão (MBL) oficialmente criado; lição ao bolsonarismo

O MBL (Movimento Brasil Livre) criado no fim de 2014 que ganhou relevância nos atos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) resolveu ter um partido próprio. Na noite desta terça-feira foi julgado e por unanimidade foi aprovado o registro no TSE.

Não é fácil a criação de um partido no Brasil, mesmo o país tendo dezenas deles. É preciso pouco mais de 500 mil assinaturas (0,5% do total de votos para Câmara dos Deputados na eleição de 2022) validadas.

Para ter uma ideia nem a força popular do bolsonarismo conseguiu criar o partido de Jair Bolsonaro, o Aliança pelo Brasil. Os “moleques” do MBL tiveram um plano, organização e souberam executar. Tudo que faltou no Aliança pelo Brasil. Mostraram como fazer.

Bobagem jogar a culpa da não criação do partido de Bolsonaro no “sistema” que não queria, que o MBL é a “direita permitida”. É desculpa para o fracasso e querer se eximir de responsabilidade. Aqui não entro no conteúdo do novo partido. Apenas parabenizo o grupo pelo grande feito. Nem o fato de mais um partido que com a cláusula de (barreira) desempenho tende a cair o número de agremiações e ficar apenas as que tiverem votos.

El Salvador se tornando a ‘ditadura de estimação’ da direita

A esquerda erra no tratamento dado a ditadura na Venezuela, de Nicolas Maduro, a direita está seguindo o mesmo o caminho ao endossar tudo que vem de El Salvador

El Salvador caminha a passos largos para virar uma ditadura. E com aplausos de pseudos liberais e conservadores.

O presidente Nayib Bukele implementou um regime de exceção em nome do combate à criminalidade. Conseguiu diminuir a criminalidade, mas a custo de direitos básicos do Estado Democrático de Direito.

Mas sua popularidade explodiu e garantiu sua reeleição com quase 90% dos votos. Seu partido elegeu quase que a totalidade de representantes no parlamento.

El Salvador está praticamente sem oposição e a impresa não é muito livre naquele país. O principal jornal teve que sair do país por perseguição. E, para fechar o recrudescimento do regime, Bukele tenta passar a reeleição ilimitada, o básico para qualquer aspirante a ditador.

Enquanto isso, no Brasil, os defensores se calam ou defendem as arbitariedades do seu “ditador de estimação”. O MBL – Movimento Brasil Livre é o líder de torcida de Bukele no Brasil. Defendem as medidas de exceções arfimando que El Salvador passou de um país violento para o país mais seguro da América Latina e defendem a tentativa de perpetuação no poder por Bukele. E mais: querem formar o Bukele brasileiro. 

É fácil criticar o Hugo Chávez e chamá-lo de ditador, mas é difícil criticar um líder que usa o mesmo expediente – perpetuação no poder – por ser alinhado ideologicamente. Estão fazendo o mesmo que eles acusam a esquerda de fazer.

A esquerda erra no tratamento dado a ditadura na Venezuela, de Nicolas Maduro, a direita está seguindo o mesmo o caminho ao endossar tudo que vem de El Salvador. Bukele é popular assim como Chávez era na Venezuela.

Nenhum líder por mais popular que seja pode ter o aval de implementar suas ideias por meio de medidas de exceção, que violam direitos, por mais meritosas que possam ser. Nenhum líder popular pode usar sua popularidade para se manter no poder indefinidamente.

Direita e esquerda abraçam seus “ditadores de estimação”. Já este humilde blogueiro não passa pano para ditador de esquerda nem de direita.

Movimento dos Sem Candidato

Os organizadores das manifestações do dia 12/9 colaboraram para Jair Bolsonaro chegar ao Palácio Planalto. As pessoas têm todo o direito de se arrepender, mas querer abreviar o mandato conquistado legitimamente nas urnas é ir contra a democracia. Isso não é minimizar os riscos que o bolsonarismo causa as instituições e a própria democracia. Mas querer tira-lo sem ser nas urnas também é uma ameaça à democracia. Um processo de impeachment é dolorido e o último deixou sequelas irremediáveis. Falta tão pouco para as eleições de 2022.

No lugar de mais um traumático impeachment (chance pequena de acontecer) por que não forjar um candidato da tal terceira via? Hoje quem é nem Lula, nem Bolsonaro faz parte do Movimento dos Sem Candidato. Não é fácil achar um candidato para ocupar o espaço de terceira via. De todo modo, o tempo é exíguo e a eleição tende a ser polarizada entre Lula e Bolsonaro. O MBL (Movimento Brasil Livre) quer derrubar Bolsonaro porque acha que só assim poderão derrotar Lula com qualquer candidato.

A mais recente pesquisa (PoderData) mostra que a matemática não é simples. Lula ganha com sobras de João Doria (50% x 18%) e do apresentador José Luiz Datena (54% x 17%). No confronto direto contra Bolsonaro, Lula tem 55% a 30%. Bolsonaro perderia para Ciro (37% x 41%), Doria (32% a 39%) e até para Datena (32% x 33%). Pelo retrato de momento seria menos difícil derrotar Bolsonaro do que Lula. Ou surgir outro Sergio Moro para condenar Lula e o tribunal de segunda instância ratificar a condenação em tempo recorde.

De novo, a vontade do eleitor seria rasgada (Lula liderava também a corrida presidencial de 2018). Dessa vez não tem Lava Jato para impedir Lula de conquistar o terceiro mandato.

Marielle Franco virou um símbolo acima da geografia e ideologia

A sua morte, além do crime político ferindo a democracia, foi contra valores universais básicos

De autoria do vereador Eduardo Suplicy (PT), o prefeito Bruno Covas (PSDB) sancionou um projeto da Câmara de São Paulo dando o nome de Marielle Franco a uma praça no Jardim Paulistano, no distrito de Brasilândia. Uma homenagem para a vereadora brutalmente assassinada há quase dois anos, que até hoje não se sabe o mandante e a motivação do crime.

Eleita vereadora do Rio de Janeiro em 2016, com quase 50 mil votos, Marielle virou símbolo da luta dos direitos humanos e bandeira da esquerda, seu nome ecoou pelo mundo virando, inclusive, um jardim em Paris. Os seus assassinos achavam que estavam eliminando uma vereadora “incomoda”, que sua morte repercutiria uns dias e sumiria do noticiário. Não esperavam que sua morte fosse ter a repercussão mundial que teve e a transformaram em um símbolo.

Mas seu nome continua incomodando uma galera da direita que acha que a esquerda usa o caixão de Marielle de “palanque”, ao ponto de sair rasgando placas simbólicas em homenagem ou espalhando calúnias e chacota com o nome dela na internet. Tem quem não gosta de ouvir o nome Marielle Franco pela ligação com os assassinos da vereadora. Outros, por exemplo o vereador Fernando Holiday (MBL/DEM), são contra nomear uma praça com o nome de Marielle por não ser de São Paulo ou por causa da “podridão das ideias que defendia”, como aborto e o fim da Polícia Militar. Holiday não deve saber que Marielle ajudava famílias de policiais vitimados pela violência que ela denunciava.

Fernando Holiday é negro e gay, como Marielle, mas prefere ressaltar as divergências ideológicas do que as eventuais convergências. O nome Marielle Franco extrapolou divisas, fronteiras e ideologias. A sua morte, além do crime político ferindo a democracia, foi contra valores universais básicos que estão acima de ideologia.

O rancor da esquerda e o ódio da ultra direita

Cara pintada que virou governista e uma direita que quer é transformar o PSDB num partido de ultra direita

Pela lógica de algumas pessoas só vale manifestação se for de esquerda, pobre, de sindicato e movimentos sociais. Se for de classe-média-coxinha-elite-branca não pode se manifestar. É um erro grave e antidemocrático.

As manifestações do dia 12 de abril contra o governo Dilma não foram com a mesma força dos protestos do dia 15 de março, o que não é menos legítimo. Se não foi igual no dia 15 de março, ainda assim foi numerosa e significativa em várias cidades. Qualquer manifestação popular dentro da ordem democrática é válida.

Manifestações populares pacíficas de esquerda, de direita, religiosa, de ateus, de gays e outros grupos são permitidas em democracias e não podem ser restringidas ou proibidas. Se você não gosta que ridicularizem e desvalorizem sua manifestação, não ridicularize ou desvalorize a manifestação do outro.

Uma coisa muito ridícula é manifestante que desqualifica uma manifestação porque não participa dela e é contra o protesto. Cara pintada que virou governista e não gosta que a população proteste contra o seu partido-governo.

Outra coisa insuportável é criticarem os jornais e as TVs porque eles estão cobrindo as manifestações. Ora, a imprensa não existe justamente para isso, não é para noticiar o que acontece? Há excessos nas coberturas e alguns veículos partidarizam manifestações, tomam um “lado” na maior cara de pau, viram panfleto de partido político e jogam o jornalismo na lata do lixo. Só que isso vai do olhar de cada pessoa. A esquerda acha que a cobertura da mídia é “golpista” e a direita acha a mídia muito “progressista” e/ou “pró-governo”.

Quando a imprensa desagrada os dos grupos é sinal que está no caminho certo, o caminho da isenção, da pluralidade e da informação sem distorção. Noticiando os fatos que e acontecem. O modo como noticiam, com ou sem opinião, vai do princípio editorial de cada veículo.

“Não tem que fazer o PT sangrar, tem que dar um tiro na cabeça do PT”, Kim Kataguiri, do MBL (Movimento Brasil Livre). É por essa oposição raivosa que a direita não tem representação suficiente para disputar e vencer uma eleição. Quando faltam argumentos partem para agressão verbal. Isso não é oposição política contra um partido que está no governo, é fascismo.

Eles acusam o PSDB de corpo mole e de ajudar o PT. Ocorre que a radicalização não é o caminho. A direita não vai crescer com esse discurso de ódio, só vai crescer na internet, nas redes e fortalecer o discurso de que o PT é vítima desse ódio. Na vida real, a direita vai continuar uma anã.

A verdade é que esses radicais de direita querem é transformar o PSDB, de social-democrata, ou seja, centro-esquerda, em ultra direita. Os tucanos já abrigaram e abrigam muita gente dessa direita raivosa, mas (ainda) preservam a raiz do seu nascimento, que é a social-democracia. Quando Aécio não comparece nesses protestos é justamente para não dividir palanque com essa gente que quer dar tiro na cabeça do outro. Aécio Neves pode ser tudo, mas idiota ele não é. Ele sabe calcular até onde ir, qual é o limite. Apoiar os protestos via imprensa, sim. Agora, se juntar com esses raivosos em um palanque pegaria mal para a figura dele.