Cara pintada que virou governista e uma direita que quer é transformar o PSDB num partido de ultra direita
Pela lógica de algumas pessoas só vale manifestação se for de esquerda, pobre, de sindicato e movimentos sociais. Se for de classe-média-coxinha-elite-branca não pode se manifestar. É um erro grave e antidemocrático.
As manifestações do dia 12 de abril contra o governo Dilma não foram com a mesma força dos protestos do dia 15 de março, o que não é menos legítimo. Se não foi igual no dia 15 de março, ainda assim foi numerosa e significativa em várias cidades. Qualquer manifestação popular dentro da ordem democrática é válida.
Manifestações populares pacíficas de esquerda, de direita, religiosa, de ateus, de gays e outros grupos são permitidas em democracias e não podem ser restringidas ou proibidas. Se você não gosta que ridicularizem e desvalorizem sua manifestação, não ridicularize ou desvalorize a manifestação do outro.
Uma coisa muito ridícula é manifestante que desqualifica uma manifestação porque não participa dela e é contra o protesto. Cara pintada que virou governista e não gosta que a população proteste contra o seu partido-governo.
Outra coisa insuportável é criticarem os jornais e as TVs porque eles estão cobrindo as manifestações. Ora, a imprensa não existe justamente para isso, não é para noticiar o que acontece? Há excessos nas coberturas e alguns veículos partidarizam manifestações, tomam um “lado” na maior cara de pau, viram panfleto de partido político e jogam o jornalismo na lata do lixo. Só que isso vai do olhar de cada pessoa. A esquerda acha que a cobertura da mídia é “golpista” e a direita acha a mídia muito “progressista” e/ou “pró-governo”.
Quando a imprensa desagrada os dos grupos é sinal que está no caminho certo, o caminho da isenção, da pluralidade e da informação sem distorção. Noticiando os fatos que e acontecem. O modo como noticiam, com ou sem opinião, vai do princípio editorial de cada veículo.
“Não tem que fazer o PT sangrar, tem que dar um tiro na cabeça do PT”, Kim Kataguiri, do MBL (Movimento Brasil Livre). É por essa oposição raivosa que a direita não tem representação suficiente para disputar e vencer uma eleição. Quando faltam argumentos partem para agressão verbal. Isso não é oposição política contra um partido que está no governo, é fascismo.
Eles acusam o PSDB de corpo mole e de ajudar o PT. Ocorre que a radicalização não é o caminho. A direita não vai crescer com esse discurso de ódio, só vai crescer na internet, nas redes e fortalecer o discurso de que o PT é vítima desse ódio. Na vida real, a direita vai continuar uma anã.
A verdade é que esses radicais de direita querem é transformar o PSDB, de social-democrata, ou seja, centro-esquerda, em ultra direita. Os tucanos já abrigaram e abrigam muita gente dessa direita raivosa, mas (ainda) preservam a raiz do seu nascimento, que é a social-democracia. Quando Aécio não comparece nesses protestos é justamente para não dividir palanque com essa gente que quer dar tiro na cabeça do outro. Aécio Neves pode ser tudo, mas idiota ele não é. Ele sabe calcular até onde ir, qual é o limite. Apoiar os protestos via imprensa, sim. Agora, se juntar com esses raivosos em um palanque pegaria mal para a figura dele.