Loucura e paixão ideológica quase provocou uma tragédia em Brasília

O extremismo está cada dia mais violento. Paixões ideológicas estão afloradas e saindo do controle

Foto: Gabriela Biló

Um fato gravíssimo sacudiu Brasília na noite de quarta-feira. Um homem detonou bombas na Praça dos Três Poderes se suicidando. Ele tentou explodir a estátua em frente ao STF e um carro cheio de artefatos explosivos no anexo 4 na Câmara dos Deputados.

Gente de direita minimizando o acontecimento de ontem só fortalece o outro campo, a esquerda. Além de demandar mais poder aos ministros do STF que já estão com superpoderes.

O que aconteceu ontem não é para ser minimizado. Quase aconteceu uma tragédia sem precedentes. Parou discussão e votação na Câmara dos deputados – ataque direto à democracia flagrante. O sujeito tentou entrar no prédio do STF. Se ele entra e detona uma bomba dentro do STF que acontecia uma sessão matava ministros, servidores e muita gente que estava lá dentro.

O extremismo está cada dia mais violento. Paixões ideológicas estão afloradas e saindo do controle emocional das pessoas. Tudo isso culpa do golpismo liberado pelo bolsonarismo que não aceitou até hoje o resultado da eleição presidencial de 2022 e seu líder Jair Bolsonaro tem responsabilidade direta.

Se no lugar de contestar o resultado eleitoral tivesse aceitado a derrota pensando em 2026 estaria com seus direitos políticos plenos, fazendo oposição a um governo Lula perdido e com boas possibilidades de voltar ao Planalto. Mas preferiu ficar com suas desconfianças ao sistema eleitoral e ouvindo revolucionários arquitetando uma maneira de permanecer no poder por meio de golpe.

Agora não adianta vir com conversa de pacificação. Perdeu o timing. Não há clima para uma anistia aos delinquentes do 8 de janeiro de 2023 e menos ainda ao próprio Bolsonaro. Está chegando a hora de Jair Bolsonaro – e os militares que acompanharam nessa aventura – sentar no banco dos réus e responder por seus atos. Tudo dentro do devido processo legal.

Brasileiros contra a censura de Alexandre de Moraes e do STF

Para 72% dos brasileiros que responderam pesquisa da RealTime Big Data, o ministro Alexandre de Moraes errou ao determinar o bloqueio da rede social X, antigo Twitter. Apenas 13% concordaram com a decisão de Moraes e 15% preferiram não responder ou não sabem.

Mostra que o brasileiro não concorda com a censura imposta pelo STF. Para atingir o dono da plataforma Elon Musk, Moraes prejudica milhões de usuários e impede os brasileiros de acessar a rede que bem ou mal é onde acontece o debate político.

As pessoas usam o X para divertimento, trabalho e é uma das principais fontes de informação. Fora as contestadas intimações para remoção de conteúdo e derrubada de perfis dentro dos inquéritos secretos e intermináveis, pagamento das multas aplicadas porque a plataforma não aceitou as exigências e por isso o ministro ameaçou de prisão a então representante do X no Brasil que levou Musk a fechar o escritório, a medida é desproporcional.

Alexandre de Moraes coloca o Brasil em um seleto grupo que bloqueia o X, composta por países autocratas. Em nome da defesa da democracia e da instituição, que estiveram ameaçadas, o STF está destruindo o devido processo legal, as leis e a Constituição, que tem a tarefa de proteger.

Para proteger a democracia, o STF ameaça a própria democracia. E o governo do presidente Lula (PT) vai acabar sofrendo as consequências por apoiar as decisões do STF. A esquerda que apoia as irregularidades de Moraes por emparedar a direita vai pagar nas urnas.

El Salvador se tornando a ‘ditadura de estimação’ da direita

A esquerda erra no tratamento dado a ditadura na Venezuela, de Nicolas Maduro, a direita está seguindo o mesmo o caminho ao endossar tudo que vem de El Salvador

El Salvador caminha a passos largos para virar uma ditadura. E com aplausos de pseudos liberais e conservadores.

O presidente Nayib Bukele implementou um regime de exceção em nome do combate à criminalidade. Conseguiu diminuir a criminalidade, mas a custo de direitos básicos do Estado Democrático de Direito.

Mas sua popularidade explodiu e garantiu sua reeleição com quase 90% dos votos. Seu partido elegeu quase que a totalidade de representantes no parlamento.

El Salvador está praticamente sem oposição e a impresa não é muito livre naquele país. O principal jornal teve que sair do país por perseguição. E, para fechar o recrudescimento do regime, Bukele tenta passar a reeleição ilimitada, o básico para qualquer aspirante a ditador.

Enquanto isso, no Brasil, os defensores se calam ou defendem as arbitariedades do seu “ditador de estimação”. O MBL – Movimento Brasil Livre é o líder de torcida de Bukele no Brasil. Defendem as medidas de exceções arfimando que El Salvador passou de um país violento para o país mais seguro da América Latina e defendem a tentativa de perpetuação no poder por Bukele. E mais: querem formar o Bukele brasileiro. 

É fácil criticar o Hugo Chávez e chamá-lo de ditador, mas é difícil criticar um líder que usa o mesmo expediente – perpetuação no poder – por ser alinhado ideologicamente. Estão fazendo o mesmo que eles acusam a esquerda de fazer.

A esquerda erra no tratamento dado a ditadura na Venezuela, de Nicolas Maduro, a direita está seguindo o mesmo o caminho ao endossar tudo que vem de El Salvador. Bukele é popular assim como Chávez era na Venezuela.

Nenhum líder por mais popular que seja pode ter o aval de implementar suas ideias por meio de medidas de exceção, que violam direitos, por mais meritosas que possam ser. Nenhum líder popular pode usar sua popularidade para se manter no poder indefinidamente.

Direita e esquerda abraçam seus “ditadores de estimação”. Já este humilde blogueiro não passa pano para ditador de esquerda nem de direita.

Atacada, democracia cai no ranking de satisfação

Pesquisa Datafolha mostra que caiu quem acha que a democracia é melhor forma de governo. Caiu de 79% em outubro de 2022 para 71% em março de 2024. Para 18% tanto faz e para 7% é melhor uma ditadura.

Apesar de ser uma minoria é preocupante a queda. Caiu de 59% para 53% quem está muito satisfeito com o regime democrático; 27% estão pouco satisfeitos; dobrou de 9% para 18% quem está nada satisfeito.

Os regimes democráticos estão passando por problemas no mundo. Aqui no Brasil não é diferente. As redes sociais são usadas para atacar as instituições democráticas. Espertos usam a indignação das pessoas para plantar desconfiança no sistema.

Óbvio que essas instituições erram, mas não podem ser desacreditadas. A alternativa a elas é a barbárie, o caos, a ditadura. E, como diz o filósofo, a democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras já experimentadas.

Avaliação do parlamento melhora, o que é uma boa notícia

A avaliação do Congresso Nacional melhorou. É o que aponta pesquisa Datafolha.

Ruim/péssimo desabou 12 pontos e regular aumentou 10 pontos. A avaliação ótimo/bom subiu 4 pontos chegando a 22%.

É salutar que a avaliação positiva do Congresso melhore. É a casa da política consequentemente da democracia brasileira.

A pesquisa revela que a presidência do presidente Arthur Lira (PP/AL) está no rumo certo: um parlamento autônomo, mas sem fazer oposição ao país. Votando projetos de interesse do governo sem ser carimbador do Planalto. Um parlamento forte, atuante e com respaldo popular fortalece a democracia.