O aliado de ontem é o conspirador de hoje

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Tudo o que acontece agora na política brasileira, a agonia do governo Dilma, nasceu em 2010. O presidente Lula tinha uma popularidade fenomenal, de quase 90% de aprovação. A inflação controlada, economia crescendo quase 10%, políticas de distribuição de renda tirando milhões de brasileiros da extrema pobreza. Não precisava do PMDB para o PT vencer aquela eleição. Quem fosse o candidato apoiado por Lula venceria sem a companhia do PMDB.

Mas Lula não queria correr risco devolver a faixa presidencial ao PSDB, buscou fazer uma ampla aliança em torno de Dilma Rousseff para garantir o máximo de tempo no horário eleitoral e a tal governabilidade no parlamento. A governabilidade com o PMDB se mostrou falha e na eleição não trouxe votos para chapa. Pior: na eleição de 2014 o PMDB teve muita dissidência e em muitos estados o partido não apoiou a chapa presidencial que tinha o vice.

Lula poderia ter escolhido um vice do PSB, de Eduardo Campos, que ainda era aliado do PT. Ou um nome do PDT, do PCdoB, de outro partido da base que tinha mais história com o petismo. É ingenuidade pensar que se vence eleição sem aliança. Só que esse modelo de alianças baseado no pragmatismo se esgotou. O novo modelo de alianças tem que ser programático, de alianças que não sejam só pensando no tempo de TV, coligações com partidos que pensam mais ou menos iguais, uma coligação coesa e harmônica.

Dormindo com o “inimigo”

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O aguardado programa nacional de TV e rádio do PMDB não teve nenhuma bomba, mas deixou um recado ao PT. Bem produzido e com uma cara da série americana “House of Cards”, o destaque foi a não menção do nome da presidente Dilma Rousseff em nenhum momento dos 10 minutos do programa partidário do vice-presidente eleito na chapa do PT, que também não teve o nome citado. Até parecia que o presidente da República eleito era o Michel Temer, do PMDB.

Está claro que o casamento entre PT e PMDB acabou. É aquele casamento que se mantém apenas nas aparências, com o prazo de validade vencido, só esperando o momento de pular fora. O programa dos peemedebistas foi um recado ao PT: a partir de hoje é cada um por si.

Dilma vai precisar de muitos cargos para acalmar aquele que, em tese, seria o seu fiel aliado, o partido do seu vice-presidente. O PMDB deixou claro que não vai morrer abraçado com o PT, nem vai defender a presidente em um eventual processo de impeachment.