O mundo paralelo de Brasília

Nenhum povo de um país merece sustentar verdadeiros parasitas e sanguessugas sugando a riqueza da nação

esgoto

O Shopping do Cunha, como ficou conhecido, foi votado e aprovado nesta última semana pela Câmara dos Deputados. O projeto embutido na MP 668 como um jabuti pelo presidente Eduardo Cunha (PMDB/RJ) é mais um episódio de embrulhar o estômago dos brasileiros decentes e pagadores de impostos, de vomitar de nojo, de sentir como uma traição por aqueles deveriam legislar para o povo que os colocaram lá.

No momento de corte de direitos trabalhistas e sociais, corte no orçamento de bilhões de reais pelo governo, aumento de impostos para o ajuste fiscal e uma economia em recessão, os deputados querem novas dependências para trabalhar (para eles, não para o povo), porque as atuais dependências são uns “cubículos”, como disse o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS). E o que embrulha mais o estômago são os deputados bajulando Eduardo Cunha como se fosse Rei. Não vivemos em um parlamentarismo disfarçado. Vivemos em uma monarquia. Só que a família Real é substituída por parlamentares.

“Vossa Excelência está sendo um presidente do sindicato dos deputados, que defende os interesses dos deputados. Parabéns!”, elogiou Giovani Cherini (PDT-RS). “Não podemos viver eternamente com complexo de vira-lata”, emendou Heráclito Fortes (PSB-PI). “Vossa Excelência está mostrando a coragem que JK mostrou”, exaltou o deputado-delegado Edson Moreira (PTN/MG), que ganhou fama com o caso do ex-goleiro do Flamengo Bruno e Eliza Samudio.

Revolta é o sentimento que me vem se comparar tudo isso com o lixo que é a saúde e a segurança pública do Brasil. Enquanto deputados legislam em causa própria e não podem trabalhar em um “cubículo”, pacientes são atendidos no chão dos hospitais públicos; uma média de mais de 50 mil assassinatos por ano no país, cidades sem tratamento de esgoto e coleta de lixo.

Enquanto deputados querem mais mordomias e querem mais espaço nos gabinetes, famílias dormem amontoadas em casas de dois cômodos quando muito, em favelas sem um mínimo de estrutura e sem saneamento básico. Cidades com ruas com esgoto escorrendo atraindo todo tipo de doença para toda população – principalmente os mais pobres.

Pacientes com doenças graves esperando na fila por anos para uma consulta médica e famílias com parentes que precisam de uma operação precisando fazer vaquinha para ir fazer o tratamento fora do país. Falta de remédios, remédios vencidos e falta de médicos (e classe médica se revolta quando o governo importa médicos de outros países para lugares distantes onde os médicos brasileiros se recusam a ir) também dão o tom do caos na saúde pública. Mas os deputados gozam do bom e do melhor.

Nenhum povo de um país merece carregar nas costas um Congresso caro e não muito eficiente como tem o Brasil. Nenhum povo de um país merece sustentar verdadeiros parasitas e sanguessugas sugando a riqueza da nação, das empresas e o pouco dos trabalhadores.

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

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