
Muitos se perguntam o motivo de tanto ódio ao Lula, um presidente que olhou para os mais carentes esquecidos pelos governos. Realmente nos governos petistas houve uma ascensão da classe mais pobre, mas graça a uma linha ininterrupta desde 1994, grande parte pela estabilização econômica com o Plano Real, e que Lula soube explorar socialmente unificando os programas sociais existentes que ele era crítico e abandonando o fiasco que foi o programa “fome zero”, no início de seu governo.
Quando foi rompida essa linha no governo Dilma, que foi colocada lá pela incrível popularidade de Lula, o trem descarrilou. Talvez a decepção de boa parte que comemora sua condenação e deseja sua prisão tenha se decepcionado com o cara que confiou no discurso que limparia a política da corrupção e durante seus governos foi descoberto grandes esquemas de corrupção.
Essa parcela que se desencantou com Lula o aceitou pela Carta Ao Povo Brasileiro na sua primeira vitória em 2002, o seu primeiro governo manteve a política econômica do governo FHC, o que fez muitos da chamada ala radical abandonar o PT julgando que o partido rasgou propostas e bandeiras históricas pelo poder e que fizeram Lula perder 3 eleições presidenciais consecutivas. Essa parcela da população deixou de achar Lula um radical e o aceitou com a promessa de não mexer na macroeconomia e no discurso de moralidade e ética na política. Sem essa segunda parte e recorrendo ao discurso radical, o “mercado” voltou a ser hostil com a possibilidade de Lula voltar a governar o Brasil.
Já uma outra parte nunca engoliu o Lula apenas por ideologia e alguns por preconceito mesmo, de um semianalfabeto retirante nordestino sindicalista chegar tão longe.
Mas o grande pecado de Lula foi achar que era imponente e “incaível”. Ao colocar Lula em um pedestal inflaram seu ego e ele não se importou em criar uma relação incestuosa com empreiteiras por achar que seus esquemas não seriam descobertos e, mesmo se descobertos, a população perdoaria pelo que fez no governo (uma boa parcela parece perdoar até por ser líder nas pesquisas apesar dos inúmeros processos e já condenado em um).
Para correligionários e adoradores de Lula, ele só pode ser “julgado na urna”. A Justiça existe justamente para evitar julgamentos populares como o que levou Jesus Cristo a ser crucificado e linchamentos. Apesar de ser o presidente que saiu do governo com quase 90% de aprovação e bajulado até pelo presidente dos Estados Unidos da América Barack Obama, Lula deve prestar contas de seus atos como qualquer cidadão brasileiro.
Lula capturou a esquerda para o seu entorno tornando outros partidos de esquerda e centro-esquerda satélites do lulismo, também sufocou o surgimento de nomes que pudessem ameaçar seu reinado no PT, deixando o lulismo mais forte que o partido. Uma prova é o partido ter que levar a candidatura de Lula até as últimas consequências por falta de opções.
O PT e a esquerda em geral precisam discutir o pós-Lula com urgência ou ficarão dependentes do lulismo por muito tempo.
O PT e o lulismo são inseparáveis. Eu era criança, e em quase todas as reportagens na TV sobre esse partido, o Lula aparecia ou era mencionado. Lula impediu o desenvolvimento de quadros partidários para que nenhum “companheiro” lhe fizesse sombra, e escolheu como sucessora uma cidadã com claras limitações intelectuais, o tipo de pessoa que não seria capaz de liderar um governo que superasse o dele, atitude que prejudicou tremendamente o país e a ele mesmo. A esquerda e principalmente a EXTREMA ESQUERDA, adora um “grande timoneiro”, e superar o Lula (sem alguém para substituí-lo) significa ACEITAR QUE ELE É CORRUPTO, ou seja, prosseguirão indefinidamente no discurso vitimista e conspiratório.
E quero mais é que prossigam nisso mesmo. Em 2003 eu era social-democrata. Em 2010 já me via como liberal progressista e hoje me considero CONSERVADOR. Tudo graças ao PT e seus amiguinhos socialistas. Quanto mais erros grosseiros e falta de sintonia com as demandas da população, mais gente migrará para a direita, por pura e simples desilusão.