Primeiro debate presidencial (BAND)

Aconteceu o tradicional primeiro debate dos candidatos a presidente, sempre na TV Bandeirantes. O primeiro debate indica tendência para o início da campanha.

Resumão

Jair Bolsonaro está jogando na retranca, tentando segura o placar e consolidar o eleitorado que se mostra fiel a ele; Geraldo Alckmin vestiu a camisa da política sem medo de ser feliz e tentar   impor pela experiência de quatro mandatos no governo do maior estado do Brasil; Marina Silva preferiu estrategicamente confrontar Alckmin no lugar de Bolsonaro, de olho em uma possível campanha para desidratar ela e por saber que suas chances de vitórias são maiores no segundo turno contra Bolsonaro, pela alta rejeição do deputado; Ciro Gomes tentou imprimir um tom mais moderado sem deixar de mirar no eleitorado de centro-esquerda.

Destaque

Guilherme Boulos foi o que melhor soube aproveitar a oportunidade de se mostrar ao público mirando o eleitorado de Lula; Cabo Daciolo é tendência e passou a ser conhecido – mal ou bem pouco importa, conseguiu ser “visualizado” pelos 500 mil eleitores que votaram em Levy Fidelix depois do “aparelho excretor não reproduz”, em 2014.

Perdedor

A estratégia do PT, de peitar a lei e a Justiça levando a candidatura Lula até as últimas consequências. Fora do debate por Lula está em reclusão cumprindo pena por corrupção e lavagem de dinheiro, o partido insistiu em colocá-lo na marra ou mandar um representante para o debate, mas não foi atendido por não ter respaldo na lei uma coisa nem outra. Fora Boulos mandar “boa noite” protestando pela exclusão do nome do ex-presidente no debate e uma menção e outra aos governos petistas em quase três horas, o PT foi esquecido e Lula ignorado. Se continuar assim, o próprio PT facilitará a tarefa dos adversários.

Análise individual

Jair Bolsonaro (PSL) levava o debate em uma zona de conforto até Ciro puxar o assunto da “pílula do câncer”, em que Bolsonaro foi um dos autores de um PL tornando a fosfoetanolamina lei, o que desestabilizou o candidato. Bolsonaro mostrou nervosismo no início e tranquilidade no decorrer do debate. Verdade que os adversários não foram muito em cima dele em temas como racismo e homofobia, falta de experiência em cargos de administração e controvérsias nos seus 27 anos de Parlamento. Tirando Boulos, que Bolsonaro não quis muita conversa até pedir um direito resposta, o único do debate, sobre um suposto enriquecimento de sua família na política. Para quem acha que Bolsonaro vai perder votos nos debates, muito difícil ser por esse.

Marina Silva (Rede Sustentabilidade) não é boa de debates justificando sua perda de gás na reta final das eleições. Explorou demais sua inspiradora e difícil infância e adolescência. Marina passa impressão que é a candidata para transformar o Brasil no País das Maravilhas de Alice e que vai governar com apoio do Saci Pererê, Curupira, Chapeuzinho Vermelho e o Lenhador contra os lobos mau da “velha política”.

Ciro Gomes (PDT) por sua vez mostrou propostas, como ajudar os inadimplentes a limpar o nome no SPC sem entrar em muito detalhe. Brilhou ao soltar “custo da democracia” ironizando a presença de Daciolo no debate após levar um susto – literalmente (eternizado nos memes) – quando o candidato disse que ele era do Foro de São Paulo, uma organização criada para “transformar a América da Sul em uma grande URSAL – União das Repúblicas Socialistas da América Latina”. Bateu nos privilégios dos políticos e do Judiciário, inclusive lembrando que Moro faz uso do auxílio-moradia sem precisar – comeu bola ao colocar a mulher do juiz de Curitiba como beneficiária desse penduricalho se confundido com a mulher do juiz Marcelo Bretas. Ciro tenta mostrar que evoluiu, está mais equilibrado emocionalmente e na parte econômica defende reformas, mas criticando as de Temer para tentar seduzir o eleitorado de esquerda. Erra ao querer propor fórmulas mirabolantes e difíceis de explicar.

Geraldo Alckmin (PSDB) e seu jeito calmo tentava passar seriedade e reafirmando que pretende fazer a reforma do Estado para desburocratizar a economia. Não ficou com medo de elogiar a reforma trabalhista do atual governo, não fugiu de perguntas sobre o apoio do “centrão”. Alckmin se mostra o mais preparado politicamente e administrativamente. O seu problema é a sua já sabida falta de carisma e às vezes suas falas muito técnicas para a maior parte do eleitorado. Vai ter que trabalhar muito estrategicamente para driblar a desconfiança de sua candidatura em uma época que a política está em ruínas e ela representando o establishment.

Alvaro Dias (Podemos) ficou o debate todo repetindo que vai “institucionalizar a Lava Jato”, falando de Sérgio Moro e que o vai convidar para Ministro da Justiça. Com um populismo policialesco tenta se viabilizar eleitoralmente explorando o combate contra a corrupção, com chance de fisgar os eleitores antissistema, mas fica limitado ao bater repetidamente na tecla da “Refundação da República”.

Guilherme Boulos (PSOL) tentou polarizar com Bolsonaro no início, ficou meio sumido e tentou surfar na impopularidade do governo de Michel Temer. Não entrando no mérito da ideologia de Boulos, ele fala até que bem e parece que estuda para falar com propriedade dos assuntos que aborda. Lembrou o Lula jovem e a antiga bandeira da ética na política do PT, o que pode entusiasmar muita gente “órfão” do lulismo.

Henrique Meirelles (MDB) inexplicavelmente se aventurou em um habitat completamente fora do seu. Visivelmente perdido e sob ataque por ter sido ministro de Temer, candidato do MDB e por ser banqueiro, Meirelles até se mostra com vontade de trabalhar pelo país agora sendo chefe e não ministro ou presidente do BACEN (Banco Central). Só que esbarra justamente que é melhor em uma função técnica do que um líder político. Pode aprender como funciona durante a campanha, mas será muito difícil evitar que seja a pior votação de um candidato do partido em uma disputa presidencial na qual não participa com candidatura própria desde 1994, com Quércia.

Cabo Daciolo (Patriota) sem dúvida roubou a cena e tirou de Bolsonaro o título de “radical”. Não sei se é tática do candidato do PSL, Daciolo sai candidato pelo partido que Bolsonaro sairia. Animou o debate com seu “culto-show”. Tentado atrair eleitores devotos de Éneas Carneiro, o deputado federal eleito pelo PSOL encampou a bandeira do nacionalismo de Éneas. Aproveitando que Bolsonaro está com um discurso menos agressivo, Daciolo pode até tirar uns votos de Bolsonaro no eleitorado mais radical e fundamentalista religioso que trocaria o capitão pelo cabo.

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

Um comentário em “Primeiro debate presidencial (BAND)”

  1. Votei em Levy Fidelix nas eleições de 2014, e não vou dar atenção ao Daciolo, por causa do discurso dele. Isso é dividir o voto de direita, e o tal cabo já está sendo repudiado nos grupos bolsonaristas no face, justamente por causa disso. Ou se vota em um só para vencer, ou se divide e favorece a esquerda, simples assim.

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