Perdemos

Virginia Cruz

Eu já perdi as contas de quantas vezes eu já reescrevi esse texto. Cada versão mais próxima da eleição, cada versão mais amarga.

Hoje, dia 03 de outubro de 2018, publicaram uma imagem de um candidato a deputado pelo estado do Rio de Janeiro rasgando uma placa adesiva feita em homenagem à Marielle Franco.

A eleição de 2018 já acabou antes mesmo de começar.

O ódio que permeia todas as discussões sobre política está fermentando faz mais de uma década e agora ninguém mais tem vergonha de colocar para fora.

Chegamos em um ponto que não há nem o mínimo de ponto em comum. Algo como o assassinato violento de uma vereadora que lutava contra o abandono estatal de policiais vítimas de violência deveria ser revoltante de forma unânime. Nem isso é capaz de nos unir minimamente.

Já passamos do ponto de não retorno e só nos resta a gritaria.

E apesar de todo mundo estar gritando, ninguém está ouvindo.

E ninguém está ouvindo porque todo mundo está mentindo.

Que petistas mentem eu nem preciso falar. Só abrir uma notícia política dos últimos 5 anos para ver isso. Mentem sobre seus atos, mentem para serem eleitos, mentem sobre seus crimes.

Mas eles também mentem que o Haddad vai conseguir dar conta do próximo governo considerando um congresso extremamente oposto e mais da metade do país não querendo eles eleitos de jeito nenhum.

Os eleitores do Bolsonaro mentem sobre a razão de votarem nele. Mentem que são contra a corrupção. Mentem que estão preocupados com a segurança. Mentem que ligam para os valores e para a família brasileira.

O eleitor do centro mente para si mesmo que será dessa vez que verá uma terceira via eleita.

Mais uma vez somos reféns de nós mesmos.

Somos reféns da ditadura não cicatrizada porque colocaram um bandaid chamado Lei da Anistia. Somos reféns de uma democracia jovem que esteve na mão de políticos com projeto de poder e não de nação. Somos reféns dos nossos compatriotas que trocaram ou confundem religião por candidato.

Hoje eu olho para o lado e não consigo imaginar como conviver com quem deseja a volta da ditadura, com quem vota em alguém que diz que sua filha foi fruto de uma fraquejada, que prega violência contra minorias, que defende a tortura e que prega o ódio a tudo que não se encaixa no ideal de “direita”.

Também não consigo imaginar como aceitar que votaram numa estratégia suicida de mandar um candidato extremamente rejeitado para o 2º turno apenas porque é a única chance de ser eleito, mesmo que com muita dificuldade.

Como se repara uma nação perdida em se odiar?

Virginia Cruz é advogada (@mulhertamarindo)

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

Um comentário em “Perdemos”

  1. Li, reli, e ainda não entendi o sentido do artigo. Devo ser ignorante demais para assimilar a sabedoria do mesmo.

Os comentários estão desativados.

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