“Os infiltrados”

Direita e esquerda precisam de uma militância acesa pronta para os combates ideológicos e criam inimigos

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A deterioração da política avançou nos últimos anos. Pontes foram destruídas e o diálogo foi substituído por uma guerra ideológica que o vencedor não é conhecido com argumentos, mas por quem “lacra” ou “mita” por último. A conflagração das redes sociais já transbordou para o mundo real. E o pior é que tem gente que deseja esticar mais a corda da conflagração da discórdia, da intolerância, da falta de diálogo com quem pensa diferente.

Direita e esquerda precisam de uma militância acesa pronta para os combates ideológicos e criam inimigos, muitas vezes imaginários. Listarei dois exemplos atuais – um de cada lado – de como os extremos buscam inimigos até no seu próprio campo de batalha.

Todo mundo já está cansado de saber que o governo do presidente Bolsonaro é composto por quatro núcleos centrais: militares, olavistas, liberais e lavajatistas. O grupo dos militares disputa com o chamado de grupo ideológico (olavistas) quem manda nas diretrizes do governo. O grupo dos liberais está focado em resolver os problemas na economia e dos lavajatistas, fortalecer a lava jato.

Em mais um capítulo da guerra do pessoal da caserna contra o grupo do falastrão que não mora no Brasil, Carlos Bolsonaro, 02, resolveu engrossar a artilharia de Olavo de Carvalho contra os militares e em especial contra o vice-presidente Hamilton Mourão. Eduardo Bolsonaro, 03, apoia o irmão e o “guru astrólogo”. Deputado/Pastor Marco Feliciano (Podemos/SP) foi lamber as botas do Jim Jones da Virgínia e veio com exótico impeachment do vice-presidente o acusando de conspirar contra o presidente -pasmem!- por um like que ele deu em um tuíte de uma jornalista elogiando o vice e criticando o presidente. Não enxergam que essa batalha asfixia e paralisa o governo, que faz sangrar a popularidade do pai deles. Nada importa. Há algo maior em jogo, um projeto de poder revolucionário inspirado por um extremista que nem Donald Trump aguentou por mais que seis meses, Steve Bannon.

Já no campo progressista, a disputa também é por hegemonia. A esquerda, vamos dizer, mais marxista não gosta de concorrência e acha que a deputada Tabata Amaral (PDT/SP) não é esquerda “de verdade”, porque teve estudos bancados por um empresário bilionário filantropo. Tabata, na visão pequena e estúpida desse pessoal, seria um “cavalo de troia” da direita.

Para completar a bizarrice, a deputada precisou vir a público explicar uma foto com o governador de São Paulo João Doria, o estado natural e que a deputada representa em Brasília.

Em sua coluna para Folha de S.Paulo, antes do encontro com o governador, Tabata Amaral explicou didaticamente o que é articulação política. Defensora que só com com consensos entre diversas linhas de pensamento que vamos romper essa polarização insana alimentada tanto pela direita quanto pela esquerda, mostrou em poucas linhas o que é a boa política, sem essa de “nova” e “velha”, e ainda deu uma aula sobre o tema ao presidente da República.

Não é que a polarização seja ruim. Só em tiranias que não existe debate de ideias e só existe uma ideologia única. A polarização, porém, não pode destruir pontes e o diálogo.

A direita reacionária trata Mourão como inimigo infiltrado; a esquerda marxista trata Tabata como infiltrada. E o Brasil, que se exploda com seus reais, crônicos e urgentes problemas.

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

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