Ameaças à democracia

A militarização da política é um perigo para a ainda incipiente democracia brasileira. Não é que um policial não possa exercer seu direito de votar e ser votado ou militares não possam integrar um governo civil. Mas estes devem aposentar a farda e é recomendável deixar de usar a patente (major, coronel, capitão e até general) quando entrar na política.

Quando o presidente da República planta suspeita de fraude, sem prova, no sistema eleitoral ou quando diz que as Forças Armadas são o escudo da democracia e estão com ele, ao retirar restrições para aquisição de arma de fogo ao mesmo tempo que afrouxa o monitoramento de armas e munições, o perigo ronda.

O perigo de uma insurreição do tipo que aconteceu nos Estados Unidos da América. Até de uma revolução armada culminando em guerra civil.

Quando o presidente Jair Bolsonaro fala que deseja armar o povo contra ditaduras, o que se vislumbra é um exército paralelo. E facilitação do trabalho das milícias.

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, relatou o que viu em seu exílio no Chile. O golpe de Estado que abriu a porta para a ditadura Pinochet foi possível após incorporação do que seria a Polícia Militar chilena às Forças Armadas.

No Brasil, o motim de fevereiro de 2020, no Ceará, foi um ensaio geral do que pode acontecer por aqui. A justa reivindicação por melhoria salarial foi capturada por líderes de oposição ao governo estadual, com apoio de políticos bolsonaristas, como o deputado estadual André Fernandes.

Notícia no jornal Estado de São Paulo se conecta aos fatos narrados. Projetos no Congresso retiram poder dos governadores sobre a Polícia Militar e Polícia Civil. Seria um poder demasiado a um braço armado do Estado.

O que torna a eleição para as chefias do Congresso Nacional ainda mais importante. O Parlamento tem a missão de defender a democracia, o Estado de Direito, a Constituição e a própria instituição. E barrar projetos do tipo faz parte dessa missão.

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

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