
Relutei em apoiar o impeachment do atual presidente Jair Bolsonaro. Primeiro porque o Congresso está “comprado” e o atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é aliado do Planalto. Em segundo lugar, impeachment é traumático e fazem apenas 5 anos do último que deixou sequelas irremediáveis. Terceiro, falta tão pouco para as eleições de 2022.
Mas Bolsonaro insiste em agredir membros de outro poder chegando ao ponto de protocolar 1 pedido de impeachment contra 1 ministro do STF que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), arquivou por falta de justa causa. Contrariado, convocou quem ainda o apoia para manifestações no 7 de setembro. Será um “ultimato”, segundo Bolsonaro.
Neste sábado, faltando 3 dias para o 7 de setembro, Bolsonaro voltou a mirar contra o STF e disparou: “O STF não pode ser diferente do Poder Executivo ou Legislativo. Se lá tem alguém que ousa continuar agindo fora das quatro linhas da Constituição, aquele Poder tem que chamar aquela pessoa e enquadrá-la, e lembrar-lhe que ele fez um juramento de cumprir a Constituição. Se assim não ocorrer, qualquer um dos três Poderes… A tendência é acontecer uma ruptura”
E prosseguiu… “Ruptura essa que eu não quero nem desejo. Tenho certeza, nem o povo brasileiro assim o quer. Mas a responsabilidade cabe a cada poder. Apelo a esse Poder, que reveja a ação dessa pessoa [ministro Alexandre de Moraes] que está prejudicando o destino do Brasil”
Ele deseja sim uma ruptura institucional, mas não dispõe de todas as armas ainda para o autogolpe. Mas, se as manifestações do dia 7/9 forem numerosas, vai se sentir confiante para subverter a ordem democrática e social. Mesmo sem o apoio total das Forças Armadas o bolsonarismo está arraigado nas polícias militares e nas baixas patentes das Forças, tem apoio de grandes latifundiários, empresários, milícias.
Votei em Bolsonaro por alternância de poder e para evitar que a volta do PT fosse como um perdão pelo desastroso governo Dilma. Apostei que as instituições amenizariam o discurso radical do deputado do baixo clero. Errei. Subestimei o radicalismo e a incompetência de Jair. Jair é o presidente das pequenas causas, como a desobrigatoriedade da cadeirinha de criança, é o governo que está trazendo de volta a inflação e se preocupa mais em armar a população do que gerar empregos para o seu povo.
O bolsonarismo está apostando que as manifestações do dia 7 sejam grande e isso seja suficiente para “enquadrar” o STF. E, se não enquadrar, vem a ruptura de que falou. Bolsonaro não vai aceitar uma possível derrota em 2022 e vai usar o veto ao voto impresso para não aceitar o resultado eleitoral. Assim como Trump provocou a invasão ao Capitólio, Bolsonaro fomenta o caos porque só governa no caos.