O direito cívico do voto

O Brasil passou por hiato de quase 30 anos sem ter eleição para presidente. Após a eleição de 1960, o presidente Jânio Quadros renunciou poucos meses depois da posse, o vice-presidente eleito (naquela época o vice era votado separadamente do presidente e venceu o vice da chapa perdedora) João Goulart assumiu com forte rejeição das Forças Armadas que deram o golpe em 1964 cancelando a eleição de 1965, voltando a ser realizada eleição direta para presidente só em 1989 com a Constituição de 1988.

A eleição de 1989 consolidou a reabertura política iniciada em 1979 com a lei da anistia, passando pela vitória no colégio eleitoral de Tancredo Neves, em 1985, que não chegou a assumir a presidência por problema de saúde morrendo 1 mês depois do que seria a sua posse. O vice-presidente José Sarney herdou a missão de redemocratizar o país e o fez convocando a constituinte.

Na disputa de 1989 houve o recorde de candidatos (22). Tinha candidato para todo gosto. Por exemplo, Ronaldo Caiado mais à direita, Leonal Brizola mais à esquerda e Mario Covas mais ao centro. Chegou a ter o empresário/apresentador Silvio Santos como candidato, mas foi barrado pela justiça eleitoral por problemas no partido.

No fim, a população optou por Collor e Lula no segundo turno e o primeiro acabou vencendo. A euforia dos brasileiros de votar para presidente depois de 30 anos, uma geração inteira tendo a primeira oportunidade, acabou se transformando em decepção e para muitos em um inferno com medidas adotadas pelo governo Collor, que caiu após escândalos que atingiram o próprio presidente.

Mas Fernando Collor voltou anos depois para política como senador e curiosamente passou a fazer parte do governo do adversário que ele tinha derrotado. Não aproveitou a segunda chande que população lhe proporcionou se envolvendo em mais escândalo de corrupção. Dessa vez, a justiça não o livrou e está cumprindo pena em uma condenação por corrupção.

Já Lula, que perdeu em 1989 e nas eleições seguintes de 1994 e 1998, conseguiu vencer em 2002, foi reeleito em 2006; fez a sucessora em 2010 e a reelegendo em 2014, voltou ao poder em 2022 depois de ficar mais de 500 dias preso cumprindo pena por corrupção, é amado e odiado pela população.

O brasileiro vem amadurecendo na hora de votar, foram três décadas sem esse direito cívico, mas falta muito a aprender.

Cidadania

CidadaniaJá virou clichê batido que “político não trabalha”, que “só rouba”, que “só aparece na eleição e só volta a aparecer na eleição seguinte”. Em alguns casos esses clichês são comprovados, mas não se pode desacreditar na política. Isso é tudo que políticos sem escrúpulos, sem nenhum pingo de ética querem.

A política é linda no seu significado e em sua essência. Cabe à população votar certo e não de qualquer maneira. Não vender o voto como se fosse mercadoria, por exemplo. Ou trocando por uma dentadura nova, uma geladeira, um fogão de seis bocas ou mesmo por dinheiro vivo.

Fiscalizar os eleitos é dever do cidadão, e não só dos deputados (federal e estadual), senadores e vereadores eleitos. Quem fiscalizaria os que devem fiscalizar o prefeito, o governador e o presidente da República?

É o cidadão que deve fiscalizar se os eleitos em todas as esferas de poder estão cumprindo o seu papel para quais foram eleitos.