Perigo que vem de Minas

O estado de Minas Gerais é enorme em território (mais de 800 municípios) e em população (segundo maior colégio eleitoral atrás só de SP), já teve dois presidentes da República que mudaram o país (aqui é independente de achar as mudanças boas ou ruins), JK e Itamar Franco.

“Quem vence em Minas, ganha no Brasil” não surgiu do nada. Desde 1945 apenas Getúlio Vargas, em 1950, não precisou vencer lá para ser eleito presidente e voltar ao cargo. De lá pra cá quem venceu em Minas foi eleito presidente.

Todo esse preâmbulo para mostrar a importância de Minas Gerais e de lá se costura uma aliança com o que tem de pior na atual política brasileira. O fisiologismo e a corrupção temperados por traição política.

Romeu Zema (Novo) deixou o governo após dois mandatos para disputar a presidência e ajudar o vice-governador Mateus Simões na disputa eleitoral. Simões trocou o Novo pelo PSD para ter uma candidatura mais forte, mas seu nome não decola nas pesquisas.

Quem lidera e com certa folga é o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Cleitinho hesitava em anunciar que disputaria o governo, o que irritou os caciques do partido dele. Farejando uma oportunidade, a federação União Progressista (União Brasil + PP), junto com o partido do senador, está articulando a candidatura de Marcelo Aro, que foi secretário do governo Zema.

Cleitinho diz que está no prazo que deu para decidir se seria candidato e só não decidiu antes por problema familiar, mas agora garante que só não é candidato se não derem legenda a ele. O ponto é que se arma em Minas uma união de forças que junta a nata do fisiologismo político de olho na disputa por poder em Brasília.