Dilma e Cunha, é hora de virar esta página definitivamente!

Eduardo Cunha será julgado por seus pares porque assim como Dilma Rousseff feriu a lei

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Julgar todo processo de impeachment na conta de um homem só, de um único deputado, é deturpar a verdade. Eduardo Cunha só fez assinar o despacho autorizando a instalação da comissão que autorizaria ou não o processo de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff. Quem autorizou a abertura do processo foi o conjunto de deputados (367, mais dos 342 necessários) e o Senado julgou procedente a denúncia (61, mais dos 54 necessários).

Dilma foi deposta porque 1) feriu o artigo 85 da Constituição Federal; 2) perdeu o apoio que tinha no Parlamento ao não dialogar com parlamentares da própria base; 3) perdeu apoio popular por causa do estelionato eleitoral; 4) o tão falado “conjunto da obra”: crise econômica, social e política.

Se outro deputado tivesse como presidente da Câmara dos Deputados levaria a denúncia adiante ninguém pode afirmar que sim ou não. Eduardo Cunha estava com plenos poderes e a Constituição faculta ao presidente da Câmara dos Deputados aceitar ou não uma denúncia contra o presidente da República.

Eduardo Cunha será julgado por seus pares porque assim como Dilma Rousseff feriu a lei – no caso de dele, o regimento interno da Câmara ao mentir numa CPI que investigava o esquema de corrupção na Petrobras. Não importa o tipo de conta ou se a pergunta feita a ele na CPI foi mal formulada. O que importa é que o deputado Eduardo Cunha mentiu ou, no mínimo, omitiu sobre ter contas (trust, não importa o tipo de conta) fora do país não declaradas.

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O gigante não vai voltar a dormir

O povo quer ser parte ativa nas decisões de Brasília

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100 mil pessoas só em São Paulo protestando contra o governo de Michel Temer no último domingo, 4. Quem ajudou a inflar o tamanho da manifestação foi o próprio Temer, ao falar em tom de deboche que tinha “40 pessoas antidemocratas” nos protestos logo após a votação do impeachment e a posse como presidente definitivo. Ninguém debocha do povo e fica impunemente.

Não gostava nada de quem desprezava e diminuía os protestos a favor do impeachment. E não gosto quem tenta diminuir os protestos contra o governo Temer. Foram as grandes manifestações de março 2015/2016 que empurraram deputados e senadores a aprovar o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Agora, o povo pode fazer o processo de cassação da chapa de Dilma e Temer ser destravado no TSE. Um dos objetivos dos organizadores é eleição direta para presidente agora – Diretas, já! – e a única forma disso acontecer é o tribuna eleitoral julgar e condenar a chapa vencedora de 2014 ainda em 2016. Se o julgamento ficar para 2017, com condenação, é eleição indireta – Congresso Nacional – para um mandato tampão.

Plebiscito para a população escolher se deseja antecipar a eleição presidencial precisaria de uma PEC aprovada com quórum qualificado por deputados (308) e senadores (60). Temer tem apoio, condicionado, dos parlamentares. Mas sem apoio popular, o presidente corre o risco de ficar “sitiado” no Palácio do Planalto.

A PM de São Paulo é novamente o destaque negativo. A manifestação caminhava tranquila e pacífica até que do nada policiais começaram a jogar bomba para dissipar os manifestantes. Agindo dessa forma, a polícia do governador Geraldo Alckmin (PSDB) joga contra o governo do aliado PMDB.

O povo não vai mais ficar calado enquanto os políticos decidem o futuro do país com acordões em Brasília. O povo quer ser ouvido sobre essas decisões e, principalmente, respeitado pelos seus representantes.

Sai Dilma; entra Temer

14 anos após a histórica posse de Lula, em 2003, o PT deixa o poder pelos seus próprios erros

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Depois de quatro meses e quase um ano desde a aceitação da denúncia pelo presidente da Câmara, o processo de impeachment da presidente Dilma chega ao seu final. E o resultado já era meio que anunciado. Dilma Rousseff deixa de ser a presidente do Brasil e o seu vice-presidente, Michel Temer, que recebeu os mesmos 54,5 milhões de votos na eleição de 2014, é o novo presidente.

Um processo longo, polêmico, doloroso e que vai deixar marcas profundas. Mas, ao mesmo tempo, espera-se que a crise política que agravou a econômica e social termine. Pessoalmente, acho que a tormenta vai diminuir, mas não acabar.

Michel Temer não terá aquela “lua-de-mel” que um presidente recém empossado tem e sua missão é árdua, principalmente com a forte oposição do PT.

14 anos após a histórica posse de Lula, em 2003, o PT deixa o poder pelos seus próprios erros éticos, morais e econômicos. Deixa pela porta dos fundos. Dilma é cassada e tem seu mandato abreviado por total responsabilidade sua. Independente das opiniões sobre esse impeachment, é unanimidade que Dilma cavou a própria cova desprezando conselhos até de Lula, não dando a mínima bola para o parlamento. O massacre na votação tanto na Câmara quanto no Senado é consequência desse menosprezo. Sua arrogância e empáfia de quem achava que poderia governar monocraticamente somada a irresponsabilidade fiscal acabou no impeachment.

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A luta vai continuar no STF

A defesa pode e tem direito (acho) de recorrer ao STF para anular todo processo. Mas acho difícil a corte interferir 2 vezes no parlamento. Ao afastar Eduardo Cunha da presidência e do cargo de deputado, os ministros do STF esgotaram a cota de interferência de um poder em outro.

Dilma faz ‘apelo’ aos senadores

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A presidente afastada Dilma Rousseff divulgou carta destinada ao povo brasileiro e aos senadores e senadoras. É a última tentativa de Dilma reverter alguns votos contra ela e mandar o impeachment para o arquivo.

Na carta, Dilma reforça a necessidade de um plebiscito e a reforma política (sempre ela…). A novidade é um Pacto Nacional para o desenvolvimento e justiça social. Mas continua chamando o processo contra ela de “golpe”, e fez um apelo para que os senadores não cometam a injustiça de condená-la sem crime de responsabilidade, que não se afasta um presidente só pelo “conjunto da obra”.

Ressalvou que a luta contra a corrupção é inegociável.

Lembrou da tortura que sofreu na ditadura e reconheceu erros no seu governo sem dizê-los quais foram.

A estratégia de chamar quem vai julgá-la de “golpista” não está funcionando.

Na verdade, essa carta lembrou um pedido de clemência do que de defesa. Para quem já está convicto no voto a favor do impeachment não vai se solidarizar. Quem ainda não está 100% convicto pode balançar, mas creio que veio um pouco tarde. Dilma perdeu o timing para levantar a bandeira das eleições antecipadas para presidente.

Dilma vira ré, e vai a julgamento

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Senadores votaram e aprovaram por 59 a 21 votos parecer do relatório de Antonio Anastasia pelo prosseguimento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

A sessão teve início às 9 da manhã de terça-feira, 9, com alguns intervalos e entrando pela madrugada de quarta-feira, 10.

E o resultado principal da sessão, que foi a aprovação do relatório final, teve 59 votos favoráveis. Bateu com projeção do governo Temer. Agora, só falta marcar a data do julgamento, possivelmente entre os dias 24 e 26 de agosto.

São alguns dias para o governo interino manter e até ampliar essa vantagem – lembrando que no julgamento final são necessários 54 votos para confirmar o impeachment – ou Dilma conseguir puxar alguns votos para seu lado arquivando o processo.