Opinião não é o oposto de independência

O jornalista Mino Carta, fundador da revista Carta Capital, em editorial algumas semanas atrás, declarou seu voto e apoio da revista a presidente Dilma na eleição presidencial. Independente de concordar ou não com seus argumentos, trata-se de uma atitude louvável mesmo que criticada por aqueles que dizem que a Carta Capital é “vendida ao governo petista”.

Uma coisa é você ter opinião e declarar seu voto publicamente. Outra bem diferente é manipular os fatos a favor do seu candidato. Sou mais o que fez o Mino Carta do que faz a revista Veja e outras empresas de mídia. Se declarando independente, mas tendo o seu conteúdo claramente voltado para um lado e pior: distorcendo fatos em favor do seu candidato preferido e contra o seu adversário.

Mino Carta só fez o que os jornais americanos fazem: declarar voto e apoio ao candidato de sua preferência em editorial. É a velha síndrome de vira-lata de Nelson Rodrigues. Se nos EUA é a democracia em seu estado bruto, aqui no Brasil é “comprado”, “vendido”. Como defendo a liberdade de expressão não só quando for conveniente para mim, aplaudo a atitude de Mino Carta e de todos que declaram seu voto no lugar de se fazer de independente, mas na verdade manipula debate eleitoral em favor de seu próprio candidato.

E minha crítica é também para os petistas que deliram com esse negócio de que a mídia é contra o PT, criando até o ridículo termo “PIG”, porém saem divulgando notícias do mesmo “PIG” quando a notícia é ruim para os seus adversários. Vejo que uma denúncia contra alguém ligado ao PT (mesmo que seja o porteiro do prédio do partido) é divulgada até cansar por toda mídia. A notícia é exprimida até o bagaço, diferente de uma denúncia contra alguém do PSDB – o caso do aeroporto, por exemplo, logo vai sumir do noticiário.

Até por isso que o PT deveria ser muito mais rígido e cuidadoso para não dar oportunidade de ter seu nome envolvido em denúncias das mais diversas nas páginas dos jornais, revistas, TV e internet e não fazer a alegria de blogueiros. Liberdade de opinião não é o oposto de independência. Liberdade de expressão tem que ser para todos.

Dilma subindo

Dilma Rousseff (Foto: Antonio Cruz/ABr)
Dilma Rousseff (Foto: Antonio Cruz/ABr)

Pesquisa Ibope divulgada no fim da tarde desta segunda-feira confirma o que o Datafolha já tinha mostrado. A presidente Dilma Rousseff (PT) continua crescendo em intenções de voto, enquanto Aécio Neves, presidente nacional do PSDB e postulante a ser o candidato tucano em 2014, não decola. A dobradinha Eduardo/Marina travou. As intenções de Marina que foram lá pra cima durante o período das manifestações não impulsionaram a candidatura de Eduardo Campos depois que não foi concedido o registro da Rede Sustentabilidade. Além disso, ao se filiar ao PSB, as intenções de voto da própria Marina caíram.

Nem mesmo a execução das penas dos condenados no julgamento do mensalão fez com que as intenções de voto em Dilma caíssem mais uma vez. Fica claro que não adianta a oposição usar o mensalão para enfraquecer a presidente.  Isso não adiantou com o Lula na reeleição de 2006 no auge do escândalo e não vai funcionar quase 10 anos depois.

Quem odeia o PT não vota nele de jeito nenhum, não precisa de motivo. E o mensalão já fez o estrago em quem votava e não vota mais. Por isso o PT tem que parar com esse coitadismo, o mensalão já tirou os votos que tiraria.

A maioria do eleitorado não está nem aí para o julgamento e para onde vão os condenados. Preocupações reais são outras. E a oposição já deveria ter entendido isso depois das derrotas de 2006 e 2010. Os candidatos de oposição não deveriam embarcar novamente nessa onda de moralidade, numa pseudo-ética de alguns por aí. O que eles têm que fazer é um projeto alternativo e concreto ao que está no poder, saber se comunicar com a população, não só com jornalistas e os eleitores que já não votam no PT.

Presidente da Monarquia?

De República, só o nome porque olha, a cabeça ainda vive na Monarquia

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Isadora Monteiro

Não sei qual foi a base que o Estadão tomou como medida para esta pesquisa, mas a impressão que tenho é que o senso comum não sabe a diferença entre as instituições para julgá-las entre si. Pior: não as conhece e, obviamente, não se confia no que não se conhece.

E aí o que é exatamente confiar numa instituição? Pagar impostos e a instituição que se vire porque, oras, eu tô pagando? A gente vive numa esfera de poderes representativos que nos representam, INCLUSIVE, na corrupção. Inclusive na inércia.

Eu voto em você para que você me represente e eu não me dê ao trabalho nem de te cobrar. É assim que funciona. A queda na popularidade de Dilma começou com o crescimento da inflação, que reflete diretamente no bolso do brasileiro-pagante-de-impostos. Cidadão convertido em consumidor é a lógica do sistema capitalista, mas enfim, este é outro papo, divago. Terra chamando.

Dilma teve 56,05% de votos válidos no segundo turno de 2010, o que significa que pesquisas são retratos do momento. E qual é o momento do país? De insatisfação popular GENERALIZADA: “Não é pelos 20 centavos”, “Fora, Dilma”, “Deus salve Joaquim Barbosa”, “Sem partidos”, “Direitos Humanos para Humanos Direitos”, “Quem tem Bolsa-Família não pode votar” etc etc etc. Foi um oba-oba revolts tão grande que ninguém sabia de onde vinham os gatilhos, só se sabia que o aumento da passagem no transporte público paulistano era o estopim.

E a culpa de tudo era de quem? Claro, da presidente da República, que manda nessa bagaça toda. De República, só o nome porque olha, a cabeça ainda vive na Monarquia.

Quando Dilma foi vaiada na abertura da Copa das Confederações, retrucaram que “não, não tinham educação porque ela não viabilizou isso”. ELA. O problema da Educação brasileira personificado NELA. É muito preguiçoso tratá-la como bode expiatório ou má-fé mesmo. Dilma levou um projeto que dispõe 100% dos Royalties do Petróleo na Educação. Levou DUAS VEZES ao Congresso, que votou CONTRA. Mas o Gigante não sabia disso.

O Gigante, na verdade, faltou à aula de História e hoje imputa todas as mazelas à presidência da República, seja lá quem estiver ocupando essa cadeira. Quis ser um cara-pintada, mas terminou um meliante confuso. Que confunde lucro da Petrobras com royalties do petróleo, que confunde orçamento para Esporte/Copa com todo o resto, que confunde Executivo com Legislativo e Judiciário, que confunde Guy Fawkes com revolucionário.  Só pra dizer o mínimo.

Na mesma semana, a imprensa comparou a popularidade de Alckmin à de Dilma. Alckmin tem 26% de aprovação, Dilma tem 30% de desaprovação. Para além da comparação descabida entre governos federal e estadual, tem uma breve questão semântica: Alckmin tem 74% de DESAPROVAÇÃO e Dilma tem 70% de aprovação. Mas dentro desta aprovação, há uma série de itens a serem levados em conta: a aprovação do governo como um todo, o jeito de governar, a avaliação pessoal, etc. E, isso sim, pode variar pra mais ou menos. A pesquisa em questão é sobre CONFIANÇA.

Há uma crise no Governo Federal? Há, com toda certeza. Mas acho cedo para avaliar as eleições, para tecer conclusões. Pesquisas, no entanto, sempre vão existir. Sobre popularidade de presidente, então, pelo menos duas vezes por mês, em diversos veículos, com tom de novidade.

Mulheres na Política

Embora a guerra ainda não esteja vencida, nossas precursoras deram um passo largo rumo à tão clamada Independência Feminina

Isadora Monteiro

No Brasil Colônia, três mulheres foram Chefes de Estado, entre as quais a célebre Princesa Isabel, responsável pela Abolição da Escravatura e gentilmente apelidada de A Redentora.

Mas, no Brasil República, a mulher foi banida do âmbito político-social. Por isso é impossível falar sobre o assunto sem mencionar a Luta Feminista: foi o começo, a base e a razão de estarmos hoje votando, trabalhando fora, ocupando cargos importantes. Embora a guerra ainda não esteja vencida, nossas precursoras deram um passo largo rumo à tão clamada Independência Feminina.

A conquista mais expressiva dessa fogueira de sutiãs, hoje, é a eleição de uma mulher à Presidência da República. Ainda assim, Dilma Rousseff é apenas a 4ª Chefe de Estado na História do Brasil. Portanto, a participação feminina nas esferas de poder ainda é baixa.

Somos vítimas de violência doméstica e discriminadas no ambiente de trabalho. É um paradoxo gritante, filho de uma sociedade que ainda cultiva um machismo velado, quase invisível, mas incrivelmente presente, resistente. Tanto, que os partidos – cuja base é formada por conceitos patriarcais – são controlados por homens que limitam a participação da mulher nas campanhas. E isto ocorre não apenas na política, mas também nos sindicatos, nas universidades, nas famílias, enfim.

Para mudar esse quadro, faz-se urgente uma reforma partidária. A presença da mulher no Congresso deixou de ser meramente simbólica para ser vital, pois questões relacionadas aos nossos direitos seriam vistas de maneira mais natural e corriqueira. Na verdade, não somente em questões nossas, mas em quaisquer outras, inclusive as econômicas.

Essa presença ferrenha ajudaria a eliminar o imaginário social (senso comum) em torno da mulher, fazendo brotar novos conceitos. Não apenas o perfil de mãe ou dona-de-casa, mas especialmente a de dirigente, de chefe. É injusto limitar nossa capacidade aos cuidados da casa e dos filhos, quando essa responsabilidade é do casal.

A intenção é que um dia não precisemos mais ter uma plataforma só nossa porque já teremos conquistado tudo. E o tudo, é o que os homens JÁ têm.