Grupos duelam quem tem mais força no governo Bolsonaro

O governo Bolsonaro está dividido em vários macros grupos: militar; olavista; liberais; agronegócio; Lava Jato

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O suposto “guru” do presidente Bolsonaro atribuído pela imprensa e negado pelo próprio de que não é, Olavo de Carvalho não está muito feliz com o vice-presidente Hamilton Mourão e com os militares. Olavo anda fazendo duras críticas ao vice-presidente e chegou a teorizar um complô dos militares contra o presidente. Essa conspiração teria a participação até da China.

Olavo é da tese que o impeachment de Dilma foi uma jogada dos políticos para afastar a população das ruas. O filósofo apoiava uma intervenção militar no lugar do impeachment. Também defende que a direita chegou ao poder sem tomar a narrativa cultural e da mídia.

O governo Bolsonaro está dividido em vários macros grupos: militar; olavista; liberais; agronegócio; Lava Jato. Os grupos dos militares e da Lava Jato são os pilares institucionais, quem faz o meio-campo com os outros poderes. Um dos pilares representado pelo Sérgio Moro (Lava Jato) representa o apoio popular ao governo. Já o agronegócio é sustentação política via bancada ruralista e dos liberais, o pilar de apoio do mercado financeiro. Se um pilar ruir, o governo fica capenga e não sei se consegue se manter.

Desde o governo de transição os grupos já vinham se chocando. Paulo Guedes x Onyx Lorenzoni andaram corrigindo um ao outro sobre o melhor modelo e momento para apresentar a reforma da Previdência. Mourão já falou publicamente que o Chanceler Ernesto Araújo (pupilo de Olavo) não tem inteligência para o cargo. Aliás, o vice-presidente, deliberadamente ou não, tenta passar a imagem de ser o avesso do presidente, o que anda desagradando o próprio Jair Bolsonaro ao ponto de não passar o comando para Mourão no período pós-operatório e vai despachar em um gabinete especial montado no hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Os militares estão incomodados com o trânsito livre dos filhos do presidente no governo, tanto Eduardo opinando como ministro, como Carlos administrando as redes do pai na internet. A cúpula militar no governo não gosta dessa simbiose filhos do presidente e governo, principalmente após Flávio ser envolvido no caso do COAF-ALERJ.

Vai chegar o momento que os conflitos internos – muitos provocados de fora pra dentro – vão se acentuar e o presidente Bolsonaro vai ter que definir qual grupo predomina em seu governo.

Deixa o homem trabalhar

Jair Bolsonaro foi eleito com quase 60 milhões de votos

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Que a turma da “resistência” não aceitou o resultado do segundo turno de 28 de outubro de 2018, não é novidade. Temos nessa irmandade parte da grande mídia, artistas preocupados com o social liderados por Chico e Caetano, youtubers em busca de fama, intelectuais de esquerda, estes preocupados com a democracia e direitos resolveram ser a “resistência”.

Também eleitores do Alckmin que não se conformaram até hoje do pífio desempenho do seu candidato e assistiram o PSDB desmoronar tendo a pior votação para presidente desde a Constituição de 1988, a bancada no Congresso Nacional diminuir drasticamente, o tucanato só não foi pior graças a João Doria mantendo São Paulo com o partido contra o grão-tucanato e esses eleitores envergonhados.

Se fingem de “isentões” para criticar tudo que vem do governo e o presidente Bolsonaro. Não aceitam o conservadorismo de costumes do novo governo e o jeito popular do presidente, criticam até da mesa de refeições de sua residência particular, criticam tudo e mais um pouco; fazem piada, debocham, ridicularizam suas falas e de alguns ministros. Pegam fala fora de contexto para tripudiar. Maior exemplo é o que fizeram com a Ministra Damares Alves, quando há assuntos mais sérios e urgentes a debater.

Jair Bolsonaro foi eleito com quase 60 milhões de votos, não era o presidente dos sonhos e o mais capacitado para pegar o barco do Brasil em uma tormenta. Mas o outro lado tinha um candidato que banca o intelectual progressista que prometia resgatar a política econômica de Dilma, a mesma que quase afundou o barco.

Alternância de poder é um dos pilares da democracia. A democracia brasileira era capenga por só ter representantes socialistas, comunistas, social-democratas e centristas. Faltava uma direita que não tivesse vergonha de se dizer direitista.

Bolsonaro ocupou esse espaço fazendo o papel de antagonista ao PT, soube explorar o que o PSDB não conseguiu por ter perdido sua identidade quando Lula ascendeu ao governo e rasgou a cartilha revolucionária petista vestindo o figurino da social-democracia.

Faça oposição, exerça seu direito de contestar o poder, mas não com o fígado e com ressentimento.

Quem é governo não pode ser “poliana”

O bolsonarismo institucional está aprendendo, o bolsonarismo “alborghettino” tem que entender ou vai jogar contra o Brasil

foto oficial
O time de ministros do presidente Jair Bolsonaro

A atuação política foi criminalizada nos últimos anos. É verdade que por “méritos” dos próprios políticos envolvidos em diversos escândalos de corrupção e mau uso do dinheiro público. O problema é que foi generalizado o que é crime e o que é a essência da política, da boa política, que é o diálogo, as convergências para atingir um objetivo mútuo de correntes de penamentos diversos. Pejorativamente, a articulação político-partidária foi chamada de toma-lá-dá-cá e criminalizaram até um dos ensinamentos de São Francisco de Assis, o “É dando que se recebe”.

O presidente Jair Bolsonaro usou essa ira da população contra a prática descrita no parágrafo acima para se projetar e seus apoiadores que viraram seus eleitores mais “sangue na boca” transformaram essa raiva contra os políticos contra tudo que vem da “velha política”. Justiça seja feita, não foi só Bolsonaro quem incitou essa fogueira da inquisição, Marina Silva foi quem começou a demonizar a “velha política”, Alvaro Dias turbinou nessa eleição e o Ministério público e ministros do STF institucionalizaram esse dogma. Nem sempre o que vem da “velha política” é ruim e nem tudo que é novo é bom ou ajuda a chegar a um objetivo.

Jair Bolsonaro sabe que precisa de uma base parlamentar grande e sólida ou seu governo não vai sair do lugar ou nem terminar o mandato. Sabe que só dialogar com as bancadas temáticas não adianta para ter força política no Congresso Nacional. Na verdade, quem manda lá são os partidos e seus líderes. Pensando nisso, o PSL resolveu apoiar a candidatura de reeleição do Rodrigo Maia (DEM) em troca de duas comissões importantíssimas na Câmara e um lugar na próxima mesa-diretora no biênio 2019/2020. Alguns eleitores do Bolsonaro estão revoltados e decepcionados porque não gostam do Maia e muito menos essa (e, até hoje, ninguém apresentou um modelo alternativo eficiente) forma de fazer política.

É verdade que o Rodrigo Maia está longe de ser uma grande liderança política e só chegou na presidência da Câmara por um arranjo partidário (veja só…) de quem não queria que o Eduardo Cunha fizesse o sucessor. Maia não é confiável (pergunte a ex-presidente Temer) e é da “velha política”, também implicado em delações e respondendo a inquéritos criminais. Mas, dada a circunstância é o caminho mais seguro para um mínimo de governamentalidade que o novo governo vai precisar se quiser aprovar reformas vitais e projetos caros na agenda do presidente.

No Senado, o presidente do PSL, deputado eleito Luciano Bivar, incentiva o senador eleito Major Olimpio (PSL/SP) a entrar na disputa contra o senador reeleito Renan Calheiros (MDB/AL), que tenta chegar na presidência pela 5ª vez. Deve ser muito provavelmente um “me engana” do tipo “Olha, tentamos com candidato próprio. Agora, é apoiar quem tem mais chance contra quem vocês não querem que vença, mesmo sendo do establishment”.

Chegou a hora de separar as crianças dos homens. Não é possível ser “poliana” quando se está no governo. Com grandes poderes, vêm grande responsabilidade.