Com Bolsonaro, propaganda institucional aumenta e Record é privilegiada

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Levantamento feito pelo portal UOL mostra um crescimento na verba de publicidade institucional do governo federal sob gestão da presidência de Jair Bolsonaro (PSL) em relação ao governo de Michel Temer (MDB). Os dados são do primeiro trimestre dos últimos três anos.

Comparando com o que recebeu cada uma das três principais redes de TV nos períodos, Record e SBT  passaram a receber muito mais do que receberam do governo anterior. Apesar  do volume destinado para Globo ficar em patamares similares, a emissora teve pequeno acréscimo em relação ao primeiro trimestre de 2018. Bolsonaro tinha falado que mexeria na distribuição da verba de publicidade para deixar mais equilibrada.

O que aconteceu, porém, foi a Record TV saltando de 1 milhão para 10 milhões só nesse primeiro trimestre de governo. Quebrou o domínio global pelo domínio da TV do Bispo e igualou os valores despendidos entre a TV de Silvio Santos e a emissora carioca. Coincidentemente – ou não -, o presidente vem privilegiando Record e SBT retribuindo a boa relação que teve com as emissoras na campanha eleitoral enquanto mantém o confronto velado e, às vezes, nem tão velado com o Grupo Globo.

O correto seria acabar com a propaganda institucional, ressalvando campanhas de utilidade pública. Ou reduzir e deixar mais igual a distribuição, o que Bolsonaro fez foi aumentar a verba da propaganda institucional até da Globo.

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População não aprova uma reforma ampla na Previdência

O brasileiro até aceita uma reforma no sistema previdenciário, desde que só no setor público privilegiado

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A pesquisa Datafolha sobre a reforma da Previdência, divulgada hoje, não é tão ruim quanto parece. Houve uma queda na resistência de uma reforma no sistema previdenciário, mas a maioria ainda é contra e não aprova a proposta enviada pelo Ministério da Economia do governo Jair Bolsonaro (PSL).

Observando com atenção a pesquisa se verifica que a população não está radicalmente contra uma reforma e a maioria que é contra não está bem informada sobre a reforma sendo debatida no Congresso Nacional. A comunicação do governo sobre a reforma está perdendo para a narrativa da oposição.

No total geral, 50% da população está contra a reforma apresentada; 41%, a favor; 9%, indiferente/não sabe.

Se olhar os pontos específicos, o apoio cresce exponencialmente. O problema é que a maioria ainda não aceita o pilar da reforma, que é uma idade mínima para se aposentar, principalmente a idade mínima para as mulheres, que também são a maior resistência à reforma. É rejeitado também ter que contribuir por 40 anos para receber a aposentadoria integral e diminuir o valor da pensão por morte.

Em compensação, aprovação recorde para a proposta de aumento de alíquota para servidores públicos que ganham muito e a favor da equidade entre funcionários do setor público e privado. Não deixa de ser uma vitória contra corporações da elite do setor público. Mas a maioria ainda é contra mexer nas corporações dos serviços públicos essenciais – policiais, professores, etc. E contra mexer na aposentadoria rural.

Como já era previsível, não caiu bem a reforma dos militares em separada e acompanhada de reestruturação de carreira (para 53% os militares deveriam estar nas mesmas regras).

Para resumir a pesquisa, o brasileiro até aceita uma reforma no sistema previdenciário, desde que só no setor público privilegiado e a proposta elaborada pela equipe do ministro Paulo Guedes para ter 1 trilhão de economia em 10 anos mexe com toda a estrutura do atual sistema – Regime Geral, Próprio, Rural e no Benefício de Prestação Continuada. Vai precisar de muita negociação para ser aprovada. Se ficar no “não negocio cargos” e articulação política é sinônimo de corrupção, não aprova reforma alguma e não só o governo como o país vai entrar em um estado de crise ainda pior.

A escolha de Bolsonaro

Está nas mãos do presidente escolher o destino do seu mandato outorgado por quase 60 milhões de brasileiros, se vai continuar no palanque e sangrando ou vai governar de fato

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Datafolha realizou a pesquisa dos 100 dias do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que venceu a disputa eleitoral porque atraiu eleitores de centro-direita e até de centro por uma série de fatores, o seu governo ainda mantém boa parcela dessa confiança. Só que esse contingente de eleitores que catapultou a candidatura de um deputado de baixo clero com 8 segundos na TV não seria fiel nem nos primeiros meses, este eleitor de centro anda zangado com o rumo do governo e desesperançoso.

Além disso, o amadorismo do governo tanto administrativamente quanto politicamente irrita, conflitos internos e externos agravam a situação; Bolsonaro está passando por uma desconstrução pesada diária na internet e na grande mídia, o presidente no lugar de conter danos ajuda seus adversários dando “caneladas” via imprensa e rede social, sem contar as lambaças dos filhos.

Mesmo com esse quadro, há espaço para o presidente recuperar popularidade, mas vai depender do caminho que ele escolherá a partir de agora e será sem volta.

Primeiro passo é começar a produzir pautas positivas de impacto direto na população em curto prazo, um pacote econômico que estimule a economia de forma rápida sem que comprometa o já enorme déficit fiscal, porque não adianta focar só em reformas – essenciais, sem dúvida, não só para o governo como para o país – e deixar que pautas negativas inundam o noticiário. O 13º do Bolsa Família é um início e precisa ser amplificado ao máximo até chegar principalmente no Nordeste.

O único ministério que está produzindo notícias positivas, não só perspectivas ou desgaste, graças as concessões de aeroportos, portos, rodovias, ferrovias, é o de Infraestrutura do ministro Tarcísio Gomes de Freitas, que herdou um cronograma engatilhado do governo de Michel Temer.

Mas a principal medida é arrumar o governo por dentro. É urgente formar uma base e deixar de voluntarismo no Congresso Nacional. É hora de intensificar as conversas com líderes de partidos chamados pelo bolsonarismo de “velha política” para formar uma base que aprove a reforma da Previdência, não precisa ser a íntegra da reforma que o atual governo mandou. Passou da hora de deixar o discurso da campanha de lado e abraçar o mundo real da política que salvará este governo.

Não é confortável fazer trocar de ministros em pouco tempo de governo. No entanto, se tornou imperativo uma reforma ministerial começando pelo Ricardo Vélez Rodríguez. A bagunça que se instalou no MEC já afeta políticas públicas do ministério de maior verba, por exemplo. A crise gerencial em um ministério tão importante e maior visibilidade corrói a popularidade do presidente. E está longe de ser caso isolado. Outro ministro que precisa passar pela lâmina é o do Turismo, o dono do “laranjal” do PSL mineiro, Marcelo Alvaro Antônio.

Perder popularidade não é o problema, um estadista escolhe sacrificar a sua para deixar um legado, o que não é o caso de Jair Bolsonaro perdendo o seu cacife eleitoral, a grande maioria não votou nele por guerra ideológica, para preservar uma base que sozinha não o elegeria para o cargo que ocupa. É barulhenta nas redes e inútil fora delas. Está nas mãos do presidente escolher o destino do seu mandato outorgado por quase 60 milhões de brasileiros, se vai continuar no palanque e sangrando ou vai governar de fato.

Vale a máxima: O Poder não aceita vácuo.

Daniel Coelho: “Não podemos generalizar”

O deputado Daniel Coelho (Cidadania/PE) muito solicito com este blog deu uma breve entrevista sobre alguns assuntos na ordem do dia do país.

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A reforma da Previdência passa na Câmara com as mudanças propostas por partidos que tem 90% dos votos necessários para ser aprovada no plenário?

Pode ser aprovada, mas isso depende muito do convencimento da sociedade. Dizer que não precisa convencer o povo, que é só Congresso, é um erro. Todos lutamos para que o Congresso represente a sociedade, os deputados foram eleitos pelo povo, é natural que a opinião de suas bases influenciem no voto. Estamos trabalhando para conscientizar as pessoas da importância da reforma.

Sabe o que realmente deixou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, revoltado com o governo, foi só os ataques na rede bolsonaristas ou teve algo mais?

Maia tem compromisso com a reforma. Não posso responder por ele, mas sei que é ruim para o Brasil essa briga. Espero este episódio esteja superado.

Como avalia a falta de articulação política do governo Jair Bolsonaro?

Temos que abandonar a velha política. As velhas formas de articular com o toma lá, dá cá. Mas, de forma republicana é possível dialogar, convencer, prestigiar quem defende a reforma com palavras de apoio. Parar de criar conflitos que não constroem nada também faz parte. Temos que buscar soluções para o país.

O que o governo poderia fazer para melhorar a relação com o Congresso sem que o presidente quebre a promessa de campanha de não seguir o modelo tradicional, tem outro modelo?

Ir às ruas, igrejas, universidades, ocupar os espaços na imprensa e rede social defendendo o projeto. Se algum partido ou parlamentar fizer pedidos indecentes, denuncie, mas diga quem foi. Não podemos generalizar. Quando alguém apoiar, elogie. Nunca vi o presidente elogiar e reconhecer o trabalho de alguém que não seja do PSL, por defender a reforma. Nós do Cidadania não queremos cargo, nem vantagens e apoiamos a reforma. O que recebemos em troca foram ataques nas redes sociais vindo de parlamentares do PSL. Não muda nossa opinião, mas claro, não ajuda.

A criminalização da política pelo Judiciário, pelo atual governo, prejudica a democracia representativa?

Os poderes tem que funcionar de forma respeitosa e harmônica. Há erros, corrupção e coisas erradas em todos eles. O caminho para pacificar, é fazer críticas sem generalizar. Claro, respeitar a constituição.

Revolucionários da boleia ameaçam parar o país de novo

O Brasil ainda sente os efeitos da “revolução da boleia” de 2018

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Caminhoneiros ameaçam nova paralisação se o governo não resolver os problemas da categoria. Reivindicações são as mesmas da paralisação de meados do ano passado. Reclamam do fim do subsídio do diesel que vigorou de junho a 31 de dezembro de 2018, como parte do acordo com o governo anterior para terminar com a paralisação que deixou o Brasil em um caos semelhante ao que vive a Venezuela e com reflexos na economia. O governo do presidente Michel Temer demorou para agir e quando sentou para negociar com representantes dos caminhoneiros não tinha o que fazer e entregou quase tudo que pediram.

Jair Bolsonaro apoiou as paralisações de 2018 e 2015. Em 2018, inclusive, Gustavo Bebianno chegou a discursar para caminhoneiros parados parabenizando a paralisação e usando em favor de Bolsonaro. Quando os prejuízos para população e o transtorno para o cidadão com consequências catastróficas para o futuro governo, Bolsonaro pediu para os caminhoneiros pensar no país sem deixar de parabenizá-los por “mostrar as entranhas do poder”.

Caminhoneiros também ficaram irritados com a fala do presidente e a tímida resposta para suas demandas. Acharam insuficientes a nova política de preços da Petrobras e o cartão-caminhoneiro, que entendem que já são três meses de governo e Bolsonaro não cumpriu a promessa de campanha de resolver o problema do diesel e a tabela de frete – outra reivindicação aceita pelo governo Temer – não está sendo respeitada. O Brasil ainda sente os efeitos da “revolução da boleia” de 2018, uma nova paralisação seria tão ou mais apocalíptica.

Governo Bolsonaro está para pagar uma conta que o candidato Bolsonaro ajudou a criar e não sei se o presidente se arrepende de ter apoiado a paralisação dos caminhoneiros. A paralisação transformou em vilão Pedro Parente, o responsável por reerguer as finanças e credibilidade da Petrobras, derrubou a tímida recuperação da economia e deixou uma bomba armada pronta para explodir. Fora oportunistas encontrando na paralisação a grande chance da vida e virando deputado, como André Janones.

Claro que é preciso olhar com cuidado os problemas de quem leva os produtos e mercadorias para o comércio. A sua importância foi comprovada na paralisação de 10 dias. Resta saber se a convenção ao liberalismo econômico por parte de Jair Bolsonaro personificada em Paulo Guedes é pra valer ou de ocasião e se vai saber desarmar a bomba que ajudou a criar não caindo na tentação do populismo fácil e maléfico.