
A eleição para governador de Pernambuco coloca frente a frente a atual governadora Raquel Lyra contra João Campos. Filho de Eduardo Campos, João deixou a prefeitura do Recife para disputar contra Lyra. Investindo pesado na comunicação, o prefeito foi reeleito em 2024 com mais de 80% e pela sua popularidade foi chamado por vários candidatos em outras cidades para ajudar a ganhar votos.
João Campos é cotado para ser um dos herdeiros políticos de Lula e na pré-campanha seus números nas pesquisas indicava vitória no primeiro turno. Só que em um intervalo de poucos meses o jogo virou e Raquel passou a liderar as pesquisas também ganhando no primeiro turno. O que gerou acusação de um “gabinete do ódio” da governadora para difamar o ex-prefeito.
Chegaram ao ponto de espalhar que Raquel Lyra teria mandado matar o próprio marido para vencer a eleição de 2022. É uma crueldade insinuar algo tão grave. João Campos se mostrou indignado pedindo investigação para saber quem foi o autor e não aceitará que acusem que foi a sua campanha. É claro que precisa ser investigado, mas não acredito que descubram o autor. Pode ter sido alguém que falou em algum lugar – pessoalmente ou virtualmente – e a teoria foi crescendo ao ponto de outra pessoa imprimir panfletos apócrifos e espalhar pela cidade.
Mas não convence muito a indignação do candidato. Eu lembro o que fizeram com Marília Arraes em 2020. A disputa dos primos pela prefeitura do Recife foi igual ou mais polarizada. Acusações de parte a parte e panfletos apócrifos contra a candidata à época no PT. E hoje Marília é sua aliada e candidata ao Senado na sua chapa, assim como Marina Silva perdoou o que o PT fez com ela em 2014. Toda disputa eleitoral quanto mais polarizada, mais o clima é propício para baixaria de todo tipo e o poder cega as pessoas. Mas o vale tudo político deve ter algum limite.