Pesquisa Datafolha – Marina garante segundo turno e empata com Dilma nele

No mesmo dia da tragédia que vitimou Eduardo Campos (13/08), o Datafolha registrou uma nova pesquisa eleitoral para presidente para testar cenários com e sem a vice de Eduardo, Marina Silva.

Dilma e Aécio mantiveram os índices da pesquisa anterior: 36% e 20%, respectivamente. Marina elevou os 8% de Campos para 21%. Menos do que os 27% que ela conseguiu na última pesquisa que contou com o nome dela, mas o bastante para colocá-la em empate técnico com o candidato do PSDB no primeiro turno.

No segundo turno, Marina tem 47% contra 43% de Dilma. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, Dilma e Marina estão tecnicamente empatadas. A presidente Dilma vence Aécio Neves no segundo turno por 47% a 39%.

No cenário sem Marina e sem o PSB, Dilma vence no primeiro turno: 41% para a presidente contra 33% dos demais candidatos.

O índice de Brancos e nulos e indecisos somaram 27% em julho. Na pesquisa atual é de 17%.

Dilma continua sendo a candidata com mais rejeição: 34% – queda de 1 ponto – Marina Silva é a menos rejeitada, com 11%. Aécio Neves é rejeitado por 18% dos entrevistados.

Em um eventual segundo turno entre Dilma Rousseff e Marina Silva, Marina vence.

Rejeição é que decide uma eleição no segundo turno. Dilma tem que baixar sua rejeição no horário eleitoral que começa amanhã ou tentar conseguir a vitória no primeiro turno, o que é muito improvável com Marina na disputa.

Eduardo Campos mais Marina Silva: o que esperar?

Eduardo Campos é o grande vencedor

Foto: Alan Marques/Folhapress

Pedro Spiacci

A dúvida está na cabeça de todos que acompanham a política brasileira, pois mesmo aqueles que estão mais atentos às movimentações não previam a movimentação. Após a concretização do ingresso de Marina Silva no PSB (que também recebeu as filiações da família Bornhausen e do ex-senador Heráclito Fortes), o colunista do Uol e da Folha de São Paulo, Fernando Rodrigues lembrou, em seu blog, que, há seis meses, Marina dizia “Qual a diferença se for Aécio Neves, Eduardo Campos ou a Dilma? Tem diferença em relação ao modelo de desenvolvimento? Me parece que até agora todos estão no mesmo diapasão”. Portanto, nem Marina se imaginava não conseguindo viabilizar a Rede para embarcar em outro partido, mas foi isso que ocorreu, por erros já tratados, inclusive, por Marinistas.

Porém, a união de ambos no PSB está posta, e, provavelmente, o governador pernambucano será o presidente e a ex-ministra do governo Lula será a vice na chapa socialista para 2014 – Eduardo Campos também foi ministro com o petista, entre 2004 e 2005 comandou a pasta da ciência e da tecnologia. Mas até aqui, a dobradinha de ex-aliados do PT, é a famosa chapa pura, ou seja, nenhum partido sinalizou que caminhará ao lado do PSB para o pleito de 2014. Por isso, por enquanto, Eduardo mais Marina têm apenas 46 segundos de propaganda de televisão, além da parte que lhes caberá, da divisão dos 8m20s, que são igualmente repartidos entre todas as candidaturas presidenciais. A provável coligação de Dilma (PT), se mantiver os 15 partidos atuais, deve ter 12m30s e a do senador Aécio Neves (PSDB), se segurar DEM, PPS, PV e Solidariedade, conseguirá 3m30s.

O Tempo de TV é fundamental nas eleições e Eduardo e Marina precisam (e devem) conseguir angariar mais legendas ao lado deles, pois a tendência da dupla de ex-ministros é ganhar fôlego na disputa e, com isso, ganharão aliados. A princípio, tenho a impressão de que as próximas pesquisas seguirão mostrando Dilma em primeiro lugar e, agora com a saída de Marina, terão Aécio Neves no segundo posto. Tanto a presidenciável petista quanto o tucano ganharão força e irão crescer seus atuais níveis de intenção de votos nas pesquisas. Mas isto não significa que o maior ganhador da aliança não seja Eduardo Campos, na verdade, ele é o grande vencedor, porém, os primeiros movimentos de pesquisas, devem passar esta impressão.

Dilma perde pois terá uma dupla de ex-aliados petistas sendo um projeto alternativo ao do governo do PT, enquanto Aécio perde o monopólio do discurso da oposição. Porque Campos é o grande vencedor? Pois ele agrega alguém com nome muito forte e capaz de trazer votos para o PSB nesta próxima disputa. Não é uma transferência automática de votos, como disse o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM): “Transferência de voto no Brasil não é simples. Outro ponto: será fácil ou não essa convivência de dois nomes que querem a mesma coisa (a presidência do Brasil)?”. Mas apesar de Marina ser de suma importância para o projeto socialista, tanto que irá dividir o protagonismo do programa do PSB que vai ao ar nesta quinta-feira, ela não é a única arma para potencializar a candidatura do Eduardo Campos.

Quem não se lembra, o PSB foi o partido que mais fez prefeituras em 2012, ao todo, cinco, com 5,3 milhões de eleitores. Com os novos partidos e a saída da família Gomes do partido, a sigla perdeu o médico Roberto Claudio, prefeito de Fortaleza, que foi para o provável governista PROS. Porém, quatro capitais é um número interessante para impulsionar a candidatura de Eduardo Campos.  Os adversários também têm força no quesito de capitais. O PT tem quatro, com 10,1 milhões de eleitores (impulsionado pela vitória de Haddad em São Paulo). O PSDB tem quatro capitais, que correspondem 3,2 milhões de votantes. Os prováveis apoiadores de Dilma, PDT, PMDB, PP e PSD, têm oito capitais, que representam mais de 8,5 milhões de eleitores. Os oposicionistas DEM e PPS somam três, com pouco menos de 2,5 milhões de votantes. Os indefinidos PTC e PSOL têm uma capital cada.

Além da força dos prefeitos, o PSB também conta com a grande presença de governadores, ao todo, são cinco, porém, não há grande distribuição geográfica entre os socialistas chefes de executivos estaduais, pois, dos cinco, quatro estão no Nordeste e um no Norte. A penetração de Campos nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul é o grande desafio para a campanha de 2014. Marina pode ser muito importante neste movimento, pois é uma liderança carismática nacional e, diria mais, hoje tem grande força nestas regiões.

Não há dúvida que tudo isto pode mudar, porém, acredito muito fortemente que estas serão as primeiras motivações que poderemos observar com a dobradinha Campos e Silva. E lembrando sempre que o governador pernambucano é pouco conhecido e também por isso tem baixa rejeição, o que recentemente elegeu muitos candidatos no país.

Nem direita, nem esquerda. Estamos à frente

Este discurso vai muito ao encontro ao que pensa a maior parte da sociedade brasileira

Suplicy assinou a ficha de apoio para a criação da Rede Sustentabilidade de Marina Silva e Heloísa Helena, mas não vai desembarcar no partido.

Pedro Spiacci

Vim manifestar a minha insatisfação com a história da criação de mais um partido no Brasil – já somamos 30 legendas registras no Tribunal Superior Eleitoral. Desde setembro de 2011, três novas siglas foram fundadas no Brasil: PSD, PPL e PEN. O destaque é o partido criado por Kassab, que já está entre os maiores do país e tem parlamentares em várias regiões do Brasil. Além disso, há especulação de que na próxima reforma ministerial de Dilma, o PSD irá receber um Ministério.

Mas a personagem central desta crítica é Marina Silva. Depois de ser terceira colocada na disputa presidencial em 2010, a ex-ministra do governo Lula não demorou para abandonar o PV, que pareceu não mostrar força para manter uma candidata “deste porte”. Além disso, não é raro ler análises sobre o que virou a sigla nos últimos tempos: um partido sem posição e, normalmente, próximo aos governos em todas as esferas.

Depois de sair do PV, Marina Silva ficou à deriva, com um potencial político grande junto com ela. Na eleição de 2012, mesmo sem estar filiada à nenhuma sigla colaborou. No Paraná por exemplo,  a ex-ministra participou das disputas em Londrina e Curitiba. No norte do estado, apoiou o ambientalista e médico Luiz Eduardo Cheida (PMDB) e, na capital, esteve ao lado do ex-deputado federal tucano Gustavo Fruet (PDT). Essas movimentações e outras pelo Brasil deixaram clara a posição de independência da ex-senadora.

Durante as eleições de 2012 começava a ficar mais claro o interesse de Marina Silva em voltar a disputar o Palácio do Planalto em 2014. Para isso, se desenhava a criação de um novo partido. Ex-senadora não confirmava, mas também não negava este interesse. Neste início de 2013, a ideia se confirmou e teve como uma das grandes entusiastas, a também ex-senadora e ex-petista, Heloísa Helena, que hoje é vereadora em Maceió-AL.

A Alagoana de Pão de Açúcar era figura de destaque do PT, de onde foi expulsa em 2003; participou em 2006 da fundação do PSOL, onde nos últimos anos, insatisfeita com os rumos da sigla resolveu deixar o partido e, agora, faz parte da embrionária legenda de Marina Silva. Ou seja, em 23 anos de vida pública, três “casas” diferentes.

É neste ponto que, de fato, quero tocar. O Brasil conta com 30 partidos registrados no TSE, então, porque criar mais uma sigla? Como dito no programa “Roda Viva” nesta segunda-feira, onde Marina Silva foi a entrevistada, as legendas têm vários perfis: esquerda, direita, centro, conservadoras, progressistas e tantos outros estilos de fazer política. Por isso, a ex-ministra foi questionada no programa da TV Cultura se não poderia ter entrando em qualquer uma delas. A resposta foi pretensiosa e seguiu a linha de querer mudar a política, lançando um novo instrumento que “não tem como principal finalidade as eleições presidenciais de 2014”.

Esta afirmação da ex-senadora é das coisas que mais contesto na política de hoje, os discursos não eleitorais e apolíticos. Ora, está criando um partido e não tem objetivo de disputar eleição? É filiado à partido político e não é “político”? Este discurso vai muito ao encontro ao que pensa a maior parte da sociedade brasileira, pois, no país, a ideia de que “todos os políticos não prestam” é bastante difundida e bem aceita. Ou seja, a Rede Sustentabilidade tem uma vertente interessante para explorar. Ainda há a dificuldade do recolhimento de 500 mil assinaturas (em nove estados do país), que têm que ser registradas até início de outubro de 2013, para que ele tenha viabilidade eleitoral já em 2014, como os entusiastas da Rede Sustentabilidade querem.

Portanto, o projeto tem grandes chances de vingar e Marina deverá ter um partido do jeito que sonhou para disputar a eleição presidencial do próximo – mesmo que este não seja o objetivo da Rede. O grande desafio será a atração de parlamentares. Entre nomes confirmados estão o da vereadora de Maceió Heloísa Helena (PSOL-AL); o do deputado federal Walter Feldman (PSDB-SP), o do também deputado federal e fundador do PT, Domingos Dutra (PT-MA) e o da deputada estadual Aspásia Camargo (PV-RJ). Outros nomes que eram esperados pela cúpula do partido já anunciaram que não vão deixar as suas atuais siglas, algo que merece elogios.

Dentro disso, temos o exemplo do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) que esteve presente no evento que deu o pontapé inicial da Rede Sustentabilidade. Durante o encontro em Brasília um dos fundadores do PT deixou claro que não vai deixar a sigla que ajudou a fundar, “Tenho razões para lhes dizer: eu sou do PT, fico honrado e tentado a cair na rede, mas eu tenho compromisso sim enquanto o PT estiver de portas abertas a essas proposições (a renda mínima é uma delas)”. Mas na entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, Marina Silva já deixou claro que ouviu Suplicy e acolheu uma ideia do senador para a Rede Sustentabilidade que deverá adotar o acompanhamento online e em tempo real de todas as doações para as candidaturas.

Mas o que questiono é a facilidade com que Marina trocou o partido pelo qual dedicou uma vida (participou como figura periférica da fundação do PT) para ingressar no PV. À época, a legenda verde era a que melhor atendia as suas ideias, as principais delas: a proteção do meio ambiente e a economia sustentável. Porém, o que surpreendeu ainda mais foi a saída dela do PV em 2011, pouco tempo depois de ter entrado na sigla, por ela ter conceitos que julgava interessante. Questionada sobre isso, Marina Silva disse que, no período em que esteve no partido, avanços foram realizados, mas algumas coisas não mudaram, como a questão de diretórios provisórios, que, segundo ela, são nomeados de acordo com o interesse do presidente do PV.

A minha grande inquietação é sobre a opção pela saída do partido para criar outro ao invés de brigar dentro dele para que haja este tipo de melhora. E convenhamos, Marina Silva em 2010 era a maior liderança do PV e ainda tinha a força do “Marinismo”, movimento que recebeu quase 20 milhões de votos para a presidência naquele ano. Portanto, a ex-ministra teria tudo para liderar um movimento para fazer com que a legenda alcançasse um patamar desejado por ela. Brigar pelo o que é direito ocorre em cada um dos partidos. Existem personagens contrários a colegas de sigla por todo o Brasil. Marina, como grande liderança que é, seria a pessoa ideal para resolver aquilo que ela considerou problema dentro do PV e trazer o partido para o caminho que julga ser o certo.

“Mensalão” e duas atitudes bem diferentes

Cito um exemplo clássico: o comportamento de Tarso Genro (PT) durante a crise do “Mensalão”. O Ministro da Educação é membro da corrente petista “Mensagem ao partido”, que faz um contraponto ao setor majoritário, “Construindo um Novo Brasil”, que tem entre os membros o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente Lula e o atual presidente petista Rui Falcão. À época, atendendo um pedido direto do chefe do executivo nacional, Tarso Genro assumiu a presidência do PT, mesmo fazendo parte do “outro lado” da legenda. O atual governador do Rio Grande do Sul teve a sua proposta de refundação do partido derrotada entre os petistas, mas, mesmo assim, após a crise do “Mensalão” seguiu lutando pela melhoria da sigla. Além disso, o gaúcho comandou outros dois ministérios depois deste período. Até hoje, Tarso Genro é ativo na luta INTERNA no PT, mas é respeitado na legenda, mesmo, muitas vezes sendo contra o que a maioria prega.

Mais uma história (prometo, é a última) do quanto é cômodo trocar de partido quando há um problema é a de Flávio Arns. No mesmo contexto de Tarso Genro, o ex-senador petista pelo Paraná não teve dúvidas e abandonou o partido. Ele foi duro em pronunciamento no Conselho de Ética do Senado Federal: “Eu tenho que me envergonhar daquilo que o meu partido fez, o Partido dos Trabalhadores hoje rasgou a página fundamental da sua constituição, que é a ética” e ainda completou, “Eu me envergonho de estar hoje no Partido dos Trabalhadores”.

Logo depois, ele abandonou o PT e desembarcou no PSDB, partido pelo o qual foi eleito para ser vice-governador. Hoje, Flávio Arns também comanda a Secretaria Estadual de Educação (SEED) onde, no final do ano passado, encaminhou mudanças na carga horária de algumas disciplinas sem que os professores do estado fossem consultados. Após clamor popular a medida foi derrubada. Flávio Arns, que, em algum dia, teve bastante ligação com as bases da sociedade e muito apoio popular (muito pelo trabalho da pastoral da criança de sua tia Zilda Arns), hoje, já não conta com a simpatia dos professores. O vice-governador do Paraná foi mais um a optar pela saída de um partido, ao invés de brigar dentro da sigla a qual pertencia para que àquela legenda pudesse melhorar.

Em busca da terceira força

Leonardo Dahi, @dahileonardo

A ex-ministra Marina Silva pretende criar um novo partido para viabilizar sua candidatura à Presidência. (Foto: Época)

Desde que o Brasil passou pelo processo de redemocratização, todas as eleições presidenciais, com exceção de 1989, tiveram PT e PSDB nas duas primeiras colocações. Isso significa que, pensando em Presidência da República, o Brasil vive uma espécie de bipartidarismo. Basta acompanhar qualquer discussão política nas ruas que isso se torna mais evidente: o prefeito pode ser do PDT, o governador do PMDB, mas, de um lado estão os petistas, e do outro, os tucanos.

No entanto, é curioso observar que, de 1994 a 2010, nenhum partido conseguiu ocupar duas vezes a terceira colocação na Eleição Presidencial. Em 94, foi a vez do PRONA de Enéas; em 98, o PPS de Ciro Gomes; em 2002, o PSB de Anthony Garotinho; em 2006, o PSOL de Heloísa Helena; e, em 2010, o PV de Marina Silva. Considerando que, em meio a esse bipartidarismo, existe uma razoável (e cada vez maior) parte do eleitorado descontente com os dois lados, por que essa terceira força não chega a incomodar as duas legendas soberanas no cenário político nacional?

Um bom exemplo que ilustra essa pergunta é o PSOL. Criada em 2004, a legenda foi vista como “um PT dos velhos tempos”: de esquerda (mesmo) e que não havia sido entregue à corrupção. Logo em seus primeiros anos de vida, o partido já lançou um candidato à Presidência, a ex-petista Heloísa Helena. A campanha fez barulho, mas, é claro não alcançou grandes resultados, pois é muito difícil conseguir, logo de cara, bater PT ou PSDB. Helena terminou em terceiro, com 6,85% dos votos válidos. É curioso notar que a chapa do PSOL nas eleições 2006 tinha dois partidos ultra-esquerdistas, o PSTU e o PCB, e, hoje, esses dois partidos (e outros que seguem a mesma linha) são rivais de um PSOL que, mesmo sem ter conquistado grandes vitórias, já é visto como “uma esquerda nem tão esquerda assim”.

Quatro anos depois, o Brasil via nascer uma nova terceira força: Marina Silva, do PV (enquanto, aliás, o PSOL investia na candidatura de Plínio de Arruda Sampaio). Com uma campanha moderna, praticamente independente do pouquíssimo tempo no horário eleitoral, Marina alcançou os 20% dos votos válidos. Pouco mais de dois anos depois, Marina não está mais no PV e virou uma política sem rumo. No entanto, as primeiras pesquisas de Ibope e Datafolha mostram que a candidata ainda está na cabeça do eleitor brasileiro (à frente, inclusive, do tucano Aécio Neves). Por isso, a ex-Ministra corre contra o tempo para fundar um partido a tempo de poder se candidatar à Presidência em 2014. Uma de suas principais apoiadoras nesse projeto? Heloísa Helena.

Heloísa Helena foi o primeiro grande nome do PSOL, partido fundado em 2004, com a candidatura à Presidência, em 2006. (Foto: Adriano Machado/Folha Imagem)

Tudo isso mostra que todas as “terceiras forças” se perderam no meio do caminho e não souberam como aproveitar os seus quinze porcento de fama.

Muito se fala na fraqueza da oposição brasileira e, por tabela, do PSDB. Mas há um problema ainda mais grave para a política nacional: a fraqueza e, pior, alternância desta terceira força. Nenhum candidato novo, de um partido novo, vai conseguir 30% dos votos em sua primeira Eleição presidencial para conseguir ir ao segundo turno. Não adianta a “alternativa” à PT/PSDB ser uma em um Eleição, e outra totalmente diferente daqui a quatro anos.

O Brasil precisa criar, com urgência, uma “oposição à oposição”, que precisa se organizar. Não adianta Marina Silva lançar candidatura com uma legenda nova porque, nesses quatro anos do período eleitoral, ela não fez nada que chamasse a atenção do eleitor. Quem votou nela em 2010, pode até votar em 2014 – por isso ela aparece bem nas pesquisas. Mas não passa disso.

Não adianta aparecer com ideias em época de eleição e, nos outros quatro anos, se refugiar na toca das redes sociais e blogs, defendendo aldeias indígenas e projetos sustentáveis, para depois aparecer, na Eleição seguinte, criticando os dois principais partidos brasileiros, se apresentando como “o diferente” ou seja lá o que for. Para isso, estão aí Levy Fidelix e José Maria Eymael.

E existe um outro ponto importante: ninguém vai dar um golpe de estado e fazer a ditadura voltar ao país (é o que eu penso, pelo menos). Não precisa se candidatar nesta Eleição como se não fossem haver outras. É preciso se organizar, criar alianças (inclusive com aqueles partidos que lançam candidatos à Presidência, sabendo que serão derrotados, apenas para atrair atenção e, principalmente, votos para Deputados e Senadores – outra coisa que tem que acabar). E não criar um partido às pressas, pegando o eleitor de surpresa.

Como eu disse anteriormente, para o Brasil, o problema da “terceira força” é maior que o da oposição. Se as duas principais legendas não se sentirem ameaçadas, continuarão guerreando entre si, deixando o eleitor e, por tabela, o país, em segundo plano.

E, na visão mais otimista possível, isso ainda vai continuar assim por muito tempo.