Rio: O povão da zona oeste derrotou o ‘socialismo de boutique’ da zona sul

Quem leu o plano de governo de Freixo e tem noção que dinheiro público é escasso – principalmente em tempo de crise – viu que não era viável

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E Marcelo Crivella conseguiu vencer uma eleição majoritária no Rio de Janeiro sem ser para Senador. É o novo prefeito a partir de janeiro de 2017. Crivella venceu seu xará Marcelo Freixo (PSOL) no segundo turno por 59,36% a 40,64% dos votos válidos.

O mais interessante na vitória de Crivella é o mapa da apuração. O candidato que dizem ser fundamentalista religioso, que é parte de um plano da igreja Universal, de dominação da nação e do mundo, derrotou o candidato da esquerda nos bairros mais pobres, enquanto Freixo teve melhor desempenho na faixa mais rica da cidade.

A verdade é que Marcelo Freixo fez muito – 40% dos votos válidos para uma estrutura de campanha pequena derrotando a máquina do PMDB. Sua rejeição é ao seu partido e também suas ideias. Quem leu o plano de governo de Freixo e tem noção que dinheiro público é escasso – principalmente em tempo de crise – viu que não era viável.

Marcelo Freixo perdeu uma oportunidade de ouro de se mostrar ao país que o PSOL pode ser uma alternativa à esquerda sem ser radical. Preferiu, no entanto, ler as lacradas do Twitter/Facebook dos asseclas, de artistas e celebridades. Ou seja, Freixo pregou para convertidos, não soube dialogar com quem realmente decide uma eleição, o povão.

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Contra ideias retrógradas, o Rio vai de Crivella

Freixo perdeu a chance de mostrar um PSOL diferente para ser uma alternativa à esquerda. Ao invés disso, mostrou-se ser um radical. O Rio de Janeiro não pode passar por experimentos econômicos já comprovadamente fracassados

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Se desenha uma surra eleitoral de Marcelo Crivella em Marcelo Freixo no segundo turno do Rio de Janeiro.

DatafolhaIbope confirmam o amplo favoritismo de Crivella.

A vantagem de Crivella é ainda maior no Ibope que no Datafolha, que confere mais 3 pontos (votos totais) para o Bispo licenciado da IURD.

Freixo é o candidato que Crivella orava para enfrentar em um segundo turno. Muitos dos votos do candidato do PRB são votos contra Freixo. A rejeição de Crivella por ser sobrinho do Bispo Edir Macedo o derrubou em todas as eleição para o Executivo (governador e prefeito). Só que a rejeição ao Freixo supera a de Crivella, porque o candidato e o seu partido, o PSOL, ambos têm ideias controvérsias de como administrar a cidade.

O programa de Marcelo Freixo para essa eleição sendo executado fielmente o que está escrito incharia o tamanho da máquina pública da prefeitura do Rio de Janeiro justo em um momento que se discute formas de equilibrar as contas públicas e o tamanho do Estado (toda esfera pública).

Marcelo Freixo desejar estatizar o transporte público, criar empresas estatais, criar TV estatal municipal, subsidiar veículos de comunicação de movimentos sociais ou “mídias alternativas”, extinguir qualquer tipo de PPPs (Parceria Público-Privada), entre outros absurdos. O governo de Freixo seria um paraíso para corporações e organizações de todo tipo de ativismo. Esse tipo de esquerda traz um desserviço. E o carioca tem mais o que se preocupar na saúde e segurança, por exemplo, do que pensar em criar uma TV estatal. Freixo ainda tem a “brilhante” ideia de desarmar a guarda municipal em um momento que volta a explodir a velha guerra contra o crime organizado na cidade sede da Olimpíada de 2016.

Complicado na vitória de Crivella será suportar Silas Malafaia falando e escrevendo esterco na internet. O pastor resolveu declarar guerra contra a candidatura de Freixo, mesmo sendo desafeto da Universal. É o famoso “mal menor”.

A campanha contra Freixo na internet, aliás, está lembrando a campanha de Dilma Rousseff em 2014, contra Marina Silva e Aécio Neves. Uma campanha pesada disseminada na sua maioria pela família Bolsonaro, Malafaia e “bolsominions”, os fãs de Jair Bolsonaro.

Marcelo Freixo poderia usar essa vitrine que é a segunda maior cidade do país para apresentar um PSOL menos radical, já que o partido pretende ser uma alternativa ao PT. Freixo perdeu a chance de mostrar um PSOL diferente para ser uma alternativa à esquerda. Ao invés disso, mostrou-se ser um radical. O Rio de Janeiro não pode passar por experimentos econômicos já comprovadamente fracassados e danosos para a população, principalmente a mais pobre.