Lista de senadores que assinaram a PEC do Romero Jucá

juca-pec

Confira a lista de senadores que assinam junto com Romero Jucá a PEC 3/2017, que blinda os presidentes da Câmara e do Senado de investigações por atos cometidos antes de assumirem os comandos das Casas legislativas. O que os tucanos irão dizer? Que não sabiam o que estavam assinando? Não é por acaso que os presidenciáveis do PSDB estão derretendo nas pesquisas de 2018.

Por partido.

PMDB (9)
Romero Jucá
Edison Lobão
Eduardo Braga
Garibaldi Alves Filho
Hélio José
Marta Suplicy
Renan Calheiros
Valdir Raupp
Zeze Perrella
PSDB (6)
Aécio Neves
Aloysio Nunes Ferreira
Cássio Cunha Lima
Eduardo Amorim
Flexa Ribeiro
José Aníbal
PSD (3)
Lasier Martins
Otto Alencar
Sérgio Petecão
PSB (3)
Antonio Carlos Valadares
Fernando Bezerra Coelho
Roberto Rocha
Democratas (3)
Davi Alcolumbre
José Agripino
Maria do Carmo Alves
PP (2)
Benedito de Lira
Roberto Muniz
PRB (1)
Eduardo Lopes
PSC (1)
Pedro Chaves
PR (1)
Vicentinho Alves

Sobre Jucá, Temer deveria se inspirar em Itamar

itamar

Fábio Piperno

O presidente Itamar Franco jamais foi um personagem pouco afeito aos rapapés da política. Discreto, enigmático para uns, mercurial para os jornalistas que vigiavam seu dia a dia e antiquado para padrões dos críticos era, sobretudo, um homem que privilegiava a lealdade na hierarquia dos valores que mais prezava na vida pública. E não foi diferente quando as suspeitas colocaram em dúvida a conduta de um de seus mais íntimos assessores no governo, o então ministro da Casa Civil Henrique Hargreaves.

No auge das investigações que arrastaram para a degola da cassação vários deputados, Hargreaves foi acusado de omissão diante dos malfeitos que eram denunciados a um país estarrecido.

Para não constranger o governo e não envolvê-lo no mar de lama no qual o Congresso estava atolado, Itamar e Hargreaves decidiram que o ministro deveria se afastar do cargo, até que todas as suspeitas fossem investigadas e não restasse qualquer dúvida em relação à retidão do caráter do acusado.

Assim foi feito! No dia 1º de novembro de 1993 o chefe da Casa Civil deixou o governo. Pouco menos de 100 dias depois retornaria, com a ficha limpa e devidamente investigada. Itamar entregou a faixa presidencial ao sucessor sem qualquer mancha e Hargreaves seguiu a vida com a biografia incólume.

Vice que herdou a presidência como Itamar, Michel Temer assiste impávido as acusações que o ministro Romero Jucá, de viva voz, aponta contra si. Se não tem culpa, se não prevaricou como a própria voz revela na conversa vazada com Sérgio Machado, ele que prove. Enquanto isso não ocorre, deveria se inspirar em Hargreaves e sair para deixar o governo em paz.

Pior do que Jucá não seguir o exemplo de Hargreaves é ter de prestar contas a um presidente que também não tem a estatura de Itamar, que antes de deixar o Planalto atacou a hiperinflação, recolocou o país na trilha do crescimento econômico e em momento algum se descuidou da profilaxia que o cargo exige.

A primeira grande crise do governo Temer

Ao não demitir Jucá por “gratidão”, Temer joga mais um pá de terra na credibilidade de seu governo

juca

A “bomba” do dia é a reportagem na Folha do São Paulo. Uma conversa sem data entre Sergio Machado e o estão senador que virou Ministro do Planejamento, Romero jucá. O que se pode tirar desse diálogo gravado é que é a primeira grande crise do governo interino de Michel Temer.

Não se pode “passar pano” porque pode enfraquecer o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Vai enfraquecer o apoio popular ao impeachment e derrubar ainda mais a credibilidade do governo do vice-presidente se Temer demorar demais para demitir Jucá. Por “gratidão”, Temer não deseja demitir Jucá. Quer que ele peça demissão. O presidente vai esperar o desenrolar, ou seja, será pautado pela imprensa e pelos fatos.

Michel Temer já ganhou a pecha de “vacilante” por voltar em decisões tomadas ao assumir o poder. Nem acho demérito. Pelo contrário. Corrigir erros é uma virtude – e incorporações de ministérios a outros tiveram erros. Ao não demitir imediatamente Jucá por “gratidão”, Temer joga mais uma pá de terra na credibilidade de seu governo, o que já está em dúvida até no mercado financeiro.

Como muito bem disse o presidente da OAB, Cláudio Lamachia: “Governo alçado ao poder por via constitucional, não eleitoral, precisa ser exemplo ético. Investigado na Lava-jato não pode ser ministro. Todo cidadão tem direito à ampla defesa e devido processo. Mas autoridades precisam estar acima de qualquer suspeita”.