A polêmica da vez é a passagem da presidente Dilma Rousseff por Portugal. Semana passada, ela foi a Davos para o Fórum Econômico Mundial e no retorno ao Brasil passaria por Cuba para inaugurar uma parte do Porto de Mariel na ilha caribenha de Fidel Castro. Também há muita polêmica se é válido o Brasil investir em um país com uma ditadura de mais de 50 anos ou se é apenas estratégia econômica.
O foco deste post é a passagem de Dilma por Portugal. Onde ela e sua comitiva se hospedaram num hotel de luxo e comeram em um restaurante também pra lá de luxuoso. A comitiva presidencial, inclusive a presidente, afirmou que a hospedagem não foi paga com dinheiro do cartão corporativo (dinheiro público). Ainda bem, mas isso não significa que a presidente Dilma – ministros de Estado e funcionários públicos que seja federal, estadual ou municipal – não deva dar satisfação de seus gastos, até pessoal. Ela é a chefe da nação, tem que dar satisfação a toda população e aos seus eleitores. Quando ela deixar a presidência, aí ela pode sair se hospedando em hotel cinco estrelas e jantar em restaurante caro sem precisar justificar com que dinheiro pagou a conta.
Tudo bem, um escândalo envolvendo o PT é noticiado e repercutido até cansar e é só diminuída a intensidade com o tempo, já um escândalo envolvendo um governo do PSDB ou outro partido, a repercussão é menor.
No Brasil, as pessoas se preocupam mais com o que as pessoas e as empresas fazem com o seu dinheiro – privado – do que com o dinheiro público. Basta olhar a repercussão no caso Barcelona/Santos na transferência do Neymar para o time catalão. É mais repercutido que um grande escândalo de corrupção em um governo. Deixo claro que não estou defendendo o Neymar, o pai dele, o Santos nem o Barcelona. Se for comprovada alguma irregularidade na transação, que se puna quem a cometeu.
Tem-se a ideia de que o dinheiro público é de ninguém ou é do governo. Ambas erradas. Dinheiro do governo não existe. Como ele consegue ter esse dinheiro? Nasceu em árvore? Caiu do céu? Dinheiro público é de ninguém é uma ideia ainda mais idiota. Todo dinheiro tem algum dono, mesmo que seja temporário.
Dinheiro público é de todos, todos que pagam de forma direta ou indiretamente impostos cada vez mais sufocantes principalmente para os mais pobres e assalariados. A carga tributária no Brasil beira os 40% do PIB sem devolução satisfatória em saúde, educação, segurança, infraestrutura decente.
O Brasil melhorou e muito nas últimas décadas, e isso não é mérito de um só governo: é mérito da consolidação da democracia mantida pelos pilares da Constituição de 1988 (apesar dos seus defeitos), da abertura econômica no governo Collor, do Plano Real que começou com Itamar e foi concluído por FHC, das privatizações (sim, equivocadas e bastante questionáveis no modelo adotado, mas foram importantes para melhorar serviços sucateados principalmente a telefonia), Lei de Responsabilidade Fiscal, programas sociais no governo Tucano até chegar ao governo Lula com a ampliação das políticas sociais, educacionais como PROUNI, SISU, ampliação do ENEM e por ter mantido a política fiscal dos governos passados e ter deixado no passado o radicalismo da esquerda. Todavia, enquanto houver essa mentalidade de desdém com a coisa pública, os escândalos não irão diminuir e os políticos continuarão confundindo dinheiro público como se fosse privado.