
A presidente Dilma está sem apoio político sólido depois da derrota humilhante na disputa entre Eduardo Cunha (PMDB) e o candidato do PT, Arlindo Chinaglia, para presidente da Câmara e sem apoio popular. Pesquisa Datafolha divulgada sábado (7/2) mostra que a rejeição ao governo Dilma (rejeições de Geraldo Alckmin e Fernando Haddad, respectivamente governador e prefeito de São Paulo, também aumentaram) disparou de 24% para 44%; avaliação de ótimo/bom despencou de 42% para 23%, e quem acha o governo regular está em 33%.
O que está ruim sempre pode piorar. A pesquisa mostrou que para 52% dos entrevistados Dilma sabia da corrupção na Petrobras e deixou que ocorresse; para 46% ela falou mais mentiras do que verdades na campanha eleitoral (25% entre os petistas) e para 38% a situação econômica vai piorar, eram apenas 6% em outubro. Outros 21% disseram que a corrupção é o segundo maior problema do país. A saúde é o maior problema atual, para 26% dos entrevistados.
Após a eleição, Dilma se encastelou nos palácios e só ouve os mais próximos (Aloizio Mercadante e Miguel Rossetto e outros). Até de Lula a presidente se afastou, segundo o insuspeito Ricardo Kotscho conta em seu blog. Isolada politicamente e sem o apoio popular que a reelegeu há quatro três meses, a situação atual de Dilma Rousseff está muita parecida com a de Fernando Collor no período que foi afastado da presidência. Se o final será igual não se sabe, só depois de alguns meses será possível saber.
Impeachment
Quem equipara o impeachment de um presidente a um golpe não sabe bem o significado de uma democracia. Impeachment é do jogo democrático, não é golpe. Além de ser a arma democrática da população para expulsar um presidente comprovadamente envolvido em algum escândalo de corrupção ou por irresponsabilidade. Se discute se o impeachment vale em casos de culpa ou só em casos de dolo (má fé). A aplicação desse dispositivo é feita pelo Congresso Nacional. Ou seja, por políticos, o que faz o impeachment ser político. O ex-presidente Fernando Collor foi afastado da presidência pelo Congresso, mas foi absolvido das denúncias que estava envolvido pelo judiciário (STF), por exemplo.
FHC
O ex-presidente Fernando Henrique não é golpista. FHC é um democrata. Caso não fosse, não tinha entregado a presidência da República para um ex-operário e opositor a seu governo. Fernando Henrique tinha todas as ferramentas e clima para arquitetar um golpe em 2002. Empresários e o mercado financeiro estavam em pânico devido a vitória de Lula na eleição. A dúvida era se Lula cumpriria o que escreveu na Carta ao Povo Brasileiro, principalmente continuar com o tripé macro econômico. Além disso, FHC e o PSDB sempre tiveram (e tem até hoje) uma certa boa vontade da grande mídia. Era só Fernando Henrique alegar que uma ruptura brusca dos rumos do governo seria trágico para o País. A recente democracia brasileira começava a amadurecer, mas ainda estava verde. FHC bancou a transição de um presidente eleito pelo povo para outro presidente eleito pelo povo como um bom democrata e estadista, o que não acontecia desde 1961 – JK para Jânio Quadros.