Brasil conectado, mas nem tanto

A TV digital não pode virar uma segunda TV a cabo

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Pesquisa da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) feita em 2013 e divulgada nesta quarta-feira (29) aponta para uma desigualdade no jeito do brasileiro assistir televisão. Na pesquisa, 97,2% do total de domicílios tinham TV em 2013 (63,3 milhões de domicílios). Desse total, 54,5% tem TV de tubo, 24,3% tem TV de tela fina e 38,4% têm ambos os modelos.

Mas o que chamou atenção na pesquisa foi que apenas um terço (31,2%) dos lares brasileiros que têm pelo menos uma TV ainda não recebe o sinal de TV digital. Isso porque o governo pretende desligar o sinal analógico entre 2016 e 2018. O vice-presidente do Inatel (Instituto Nacional de Telecomunicações), Carlos Nazareth Marins, disse à Folha de São Paulo que “Se, com 60 anos de televisão no país, o sinal analógico ainda não chega a 100% da população, triplicar o sinal digital não deverá ser tão rápido”. Essa fala é muito preocupante.

Outros dados interessantes na pesquisa é que a TV por assinatura só está em 29,5% dos lares do Brasil. O serviço cresceu, mas ainda caminha em velocidade lenta. Quase 40% dos brasileiros têm antena parabólica (38,4%).

Essa desigualdade no modo de assistir televisão reflete a desigualdade regional como um todo. A região com mais antenas parabólicas é o nordeste, com 50,7%; ficando na lanterna quando o quesito é TV por assinatura com apenas 15%. Só 20% tem TV digital na região. Na região norte, 42,3% tem antena parabólica, 22,6% com TV digital e 18,9% assinam TV a cabo. Região centro-oeste tem 26,9% usuários de TV a cabo, 29,2% com TV digital e 42,8% de antenas parabólicas. É nas regiões mais ricas e desenvolvidas do país onde se concentram o maior número de assinantes de TV a cabo e TV digital: 40,1% assinantes de TV a cabo e 38,9% com TV digital no sudeste; 29,6% assinantes de TV a cabo e 32,6% com sinal digital no sul. Apesar disso, o sinal via parabólica é grande no sudeste (28,7%) e, principalmente, no sul (41,4%).

28,5% de lares brasileiros –18,1 milhões de lares– dispunham apenas do sinal analógico captado com auxílio de antenas de pequeno alcance e sujeito a mais interferências. É um grande contingente de pessoas que só tinham o sinal de antenas comuns, de não boa qualidade.

A televisão é o principal meio de comunicação do Brasil. É nela que o povo se informa e tem uma fonte de entretenimento. O governo tem o dever de popularizar a TV digital antes de desligar o sinal analógico. Afinal, como diz um comercial veiculado, a TV digital é de graça, é para todos. A TV digital não pode virar uma segunda TV a cabo, onde só quem tem poder aquisitivo grande pode ter.

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

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