Há tempos que o PSDB ganhou a fama de que fica em cima do muro, inclusive o verbete “tucanar” foi popularizado, o que quer dizer uma pessoa está em dúvida sobre um tema. O termo “tucanar” também tem o significado de trocar o nome de alguma coisa para um mais “sofisticado”.
O PSDB nasceu em 1988 de um grupo de dissidentes do PMDB. Franco Montoro, Mário Covas, Fernando Henrique, José Serra, José Richa e outros intelectuais da política. O novo partido foi batizado com o nome de Social Democracia Brasileira, ou seja, de esquerda. Mas o programa do partido deixa claro que são várias vertentes dentro do mesmo. É uma mistura de Democracia-cristã, liberalismo e esquerda. Isso caracterizaria o novo partido como de Centro, um partido que abrigaria várias correntes de pensamentos.
Com pouco mais de sete anos de existência, o PSDB conseguiu alcançar o posto nº 1 da República com a eleição já no primeiro turno de Fernando Henrique Cardoso em 1994. FHC surfou na onda do Plano Real implantado no governo Itamar Franco no qual ele era o Ministro da Fazenda e elaborou o plano com uma equipe econômica ortodoxa. No governo, o presidente FHC realizou privatizações de empresas estatais e terminou de abrir a economia brasileira ao mundo, processo iniciado no governo Collor. O governo FHC ganhou a acunha de “governo neoliberal” e uma oposição dura por parte da esquerda capitaneada pelo PT de Lula.
Achando pouco quatro anos de mandato, a base aliada do governo no Congresso Nacional, com aval do Palácio Planalto, colocou em votação a PEC 001/95, que colocava o dispositivo da reeleição para cargos do executivo na Constituição Federal de 1988, de autoria do Deputado Mendonça Filho (PFL/PE).
Reeleito no primeiro turno, FHC foi acusado de estelionato eleitoral por adversários. Após sua vitória o câmbio disparou, a inflação ficou descontrolada e a promessa de campanha de Fernando Henrique para o segundo mandato (diminuir o desemprego) foi para o lixo, já que o governo teve que realizar um forte ajuste fiscal. Ainda teve as crises internacionais em sequência, entre 1999 e 2002.
Com esse quadro trágico e o enfado do PSDB no poder, o sentimento de mudança cresceu e a rejeição do PT foi diminuída com o marketing de Duda Mendonça e um empresário como vice de Lula, José Alencar (PL/MG), além da “Carta ao povo brasileiro” para acalmar o mercado que via na eminente vitória de Lula um desastre para a economia.
Após entregar o comando do país ao PT, os tucanos viram Lula manter a política fiscal de FHC nos três primeiros anos de governo e agrupar os programas de transferência de renda em um só (Bolsa Família). O PSDB ficou sem bandeira e acumulou quatro derrotas consecutivas nas eleições presidenciais para o PT, mesmo com o mensalão e várias denúncias de corrupção nos doze anos de governos do lulopetismo.
O PSDB está entre a cruz e a espada. Ou: entre o Bolsa Família e a bolsa Louis Vuitton. Entre ser uma oposição forte e responsável ou uma oposição agressiva, como pede a galera do antipetismo. O antipetismo pode ser grande e crescente, mas só isso não ganha eleição. Os tucanos quase venceram 2014 com Aécio Neves e as chances para vencer 2018 são grandes. Mas o PSDB pode perder essa chance única de retornar ao Planalto e assistir uma terceira via aproveitar o desgaste do PT e passar na frente dos tucanos. Avisos não faltam. Alianças espúrias para chegar ao poder só rasgam o documento de fundação do PSDB e afastam eleitores de Centro do partido – eleitores de Centro são os que decidem uma eleição para presidente.
PSDB e PT são os únicos partidos com algum senso de responsabilidade com o país. No entanto, os dois partidos precisam deixar o pragmatismo eleitoral um pouco de lado e ir mais para o lado programático.