
A nota do Partido dos Trabalhadores sobre a prisão do senador Delcídio Amaral (PT/MS) é uma afronta à inteligência das pessoas (daquelas pessoas que pensam e sabem pensar), de uma maneira que faz concluir que a direção do PT acha que só tem idiota débil mental nesse país. Lavar as mãos no caso de Delcídio e expulsar o senador do partido, como se mostrasse que não tolera “erros” de seus filiados, não bate com a realidade de um partido que sai em defesa explícita de condenados pela alta corte da República.
A militância petista fez até vaquinha na internet para pagar as multas aplicadas pelo STF aos condenados José Dirceu, José Genoíno e Denúbio Soares na AP 470, vulgo mensalão, com apoio do PT. É bom lembrar, também, que os três continuam filiados ao partido. Assim como João Vaccari Neto, o ex-tesoureiro petista que está preso acusado de receber as propinas desviadas da Petrobras para o PT. Como o partido que mantém condenados da justiça no seu quadro pode falar em expulsão do senador pego negociando vantagens e fuga de um delator do esquema da rapinagem dos cofres da empresa estatal?
A única linha de raciocínio lógica é: quando o crime é praticado em favor do partido, o partido acolhe e defende o acusado; quando o crime é em benefício pessoal, aí o acusado que se vira nos trinta porque o parido não tem obrigação de defendê-lo, o presidente petista, Rui Falcão, deixou isso claro na nota da quarta-feira e aqui. Ainda mais se o filiado teve alguma ligação com o PSDB, por menor que seja.
Só que ainda não está claro se Delcídio estava fazendo o crime para salvar a própria pele e não ter o nome citado na delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró ou querendo evitar que Cerveró não contasse o que sabe envolvendo superiores do PT e do Planalto na misteriosa compra da refinaria de Pasadena. Sacrificar Delcídio Amaral para compensar apoios a Dirceu, Genoíno, Denúbio e Vaccari, o tiro pode sair pela culatra.