Direita não aproveitou o vácuo da esquerda com impeachment

Ao mesmo tempo que o brasileiro médio é conservador, também é progressista

Pesquisa Datafolha mostra que a disputa ideológica no Brasil voltou a um equilíbrio diminuído com a crise ética do PT. Por causa dessa crise ética que se abateu no petismo toda a esquerda foi afetada por tabela e candidatos próximos de ideias mais à esquerda perderam as eleições municipais de 2016. Passado pouco mais de um ano do impeachment de Dilma Rousseff, no entanto, há um equilíbrio entre ideias mais perto de direita e esquerda e até os números de simpatizantes do PT voltam a crescer. A grande questão é o motivo dessa sobrevida do petismo e essa dependência da esquerda com o PT.

O mais próximo que posso imaginar é que o PT foi o único partido de raiz criado na redemocratização. O Partido dos Trabalhadores foi criado por vários segmentos da sociedade, de várias tendências de esquerda – socialista, humanista e sindical. Essas multi tendências fizeram com que os demais partidos com tendência de esquerda e centro-esquerda surgissem do PT, de dissidentes do petismo – PSOL, PSTU, PCO, REDE. Mesmo esses partidos tentando se desvincular do PT, a sua origem é muito forte ao petismo. E entre o “original” e os “genéricos”, o povo opta pelo “original”.

Por que a direita não aproveitou o vácuo da esquerda?

Basicamente, por dois fatores: a crise social que corrói ganhos da última década que foram originados de outros governos, como o Plano Real no governo Itamar Franco e reforma administrativa e privatizações no governo FHC, mas consolidados nos governos do PT, como Bolsa Família e outros programas de distribuição de renda. Também colabora a falta de representatividade do governo Michel Temer (PMDB) para quem tem afinidade ideológica por posições de direita e centro-direita, principalmente pela corrupção. O segundo ponto se estende para todos os partidos mais próximos da direita e centro-direita.

Ao mesmo tempo que o brasileiro médio é conservador, também é progressista nos temas como tolerância aos homossexuais (74%), imigrantes (70%), contra a pena de morte (55%) e acha que a pobreza está ligada à falta de oportunidades (77%).

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

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