
Segundo o levantamento nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), o Brasil tem atualmente 726 mil detentos e 40% sem julgamento (dados de 2016). O número de presos dobrou em 11 anos.
Agora, vem a pergunta: você se sente mais seguro com esse número gigantesco de presos? Claro que não. O número de assassinatos passa dos 60 mil/ano em todo país.
Obviamente, sou contra a ideia de que prisão não resolve. A detenção de quem comete crime, independente do grau, não é para acabar com a violência, mas para punir o infrator.
Por exemplo, há muitas críticas para a política de segurança pública de São Paulo, e é o estado com o menor índice de homicídios. Em contraponto, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) de Sergio Cabral, no Rio de Janeiro, foram elogiadas e o governo federal colocou como exemplo. Alguns anos depois, implodiram com a corrupção e quebradeira do Rio.
Mas voltando ao levantamento, por outro lado não acho que só prender e trancafiar em celas precárias que estão mais para depósitos humanos seja a solução como muitos também pregam por aí, inclusive presidenciáveis. Principalmente com um Judiciário omisso no qual deixa 40% dos detentos sem o direito universal de um julgamento.
A falta de uma política de segurança pública decente, articulada, integrada, um Judiciário sem fazer sua parte, uma política de direitos humanos que mais protege o bandido do que a vítima, uma polícia despreparada e mal paga, políticos demagogos e populistas é a receita da carnificina que dizima milhares por ano, deixando as pessoas com medo e embarcando em aventuras.