Escândalo JBS deixou Michel Temer “vegetando” no cargo

O presidente da República perdeu as condições de pautar o país

Daniel Coelho

Há um ano, as gravações da JBS deixaram não apenas um país assustado com a dimensão dos diálogos que vieram a público, como também mostraram para todos situações que, lamentavelmente, acontecem e sempre aconteceram no Brasil. Não dá para deixar de ponderar como esses eventos ocorreram. Ali, se teve o que na linguagem popular poderia se chamar de um “flagrante preparado”. Ou seja, não havia uma situação espontânea, mas um criminoso – no caso, Joesley Batista – forçando uma situação para envolver políticos do mais alto escalão da República, nomes como o senador Aécio Neves e o presidente Michel Temer. Mas o fato de o flagrante ter sido preparado não exime ninguém da culpa. Até porque há um fato concreto em seguida, que é uma entrega de malas com dinheiro.

Hoje, o país tem como presidente da República uma pessoa que combina a entrega de uma mala de dinheiro ilegal para um assessor seu, um ex-deputado, uma pessoa com quem tinha um convívio pessoal. São muitas as consequências disso. Uma das mais sérias: o presidente não é levado a sério para muitos outros assuntos vitais para país, a ponto de pautas importantes para a recuperação econômica do Brasil ficarem prejudicadas.

As pautas do Congresso Nacional neste governo são postas em discussão e votação exclusivamente por iniciativa do presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia. O presidente da República perdeu as condições de pautar o país, de escolher que matérias são mais relevantes para a nossa economia e isso sem nenhuma dúvida é uma situação atípica. Por mais que a gente tenha tido crises graves em outros governos, os presidentes nunca deixaram de pautar o Congresso. Hoje, Michel Temer não consegue fazer isso.

Lamentei que o Congresso não tenha aprovado o afastamento de Temer, porque acho que aquela era uma oportunidade de virar a página e, a partir daí, ser criada uma agenda de país, uma agenda de transição, que seria fundamental para que fosse entregue, em 2019, um país mais organizado e com suas contas equilibradas. Como não foi possível, espero que todo esse episódio da JBS sirva para uma reflexão do eleitor. E, a partir das próximas eleições, que ele possa ter mais critério na escolha de seus representantes, tanto no Legislativo, como na presidência da República.

De toda maneira, está comprovado que a corrupção é endêmica no país, é um fator que ultrapassa as questões partidárias. A gente sabe que existem uns partidos mais corruptos do que outros, mas está evidente que temos corruptos em todos os partidos. É fundamental que nesse momento haja união entre aqueles que querem um país decente e sem corrupção. E, com essa união, possa ser apresentada uma alternativa para o Brasil.

Daniel Coelho é deputado federal pelo PPS/PE

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

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