É possível uma política de preços livres sem ser capitalismo selvagem. Não há só o caminho do intervencionismo do governo Dilma ou essa ultra liberalização do Parente. Por exemplo, reduzir impostos que incidem na gasolina é uma estratégia mais liberal do que essa política suicida de gatilho. Uma outra solução mais radical seria privatizar a Petrobras e abrir o mercado, como é um tema-tabu ainda, a redução de tributos, de forma que não comprometa o quadro fiscal já bastante crítico, é uma saída mais segura.
Gosto da equipe econômica do governo Temer. O problema é que tem muito nego nela que não deve largar a planilha nem para dormir e mata a estratégia política do governo. A equipe econômica de qualquer governo – esquerda ou direita – tem a obrigação de zelar pelas contas públicas e precisa ter um grau de autonomia. Só que muitos ortodoxos levam essa autonomia ao pé da letra quase que separando a economia de todo o governo, inclusive do presidente, o Ministro da Fazenda fica como um 1º Ministro. Se fosse assim não precisava de eleição e era só selecionar os melhores economistas do mercado para chefiar o governo (alguns fanáticos pelo “deus mercado” não achariam nada mal).
No final de 2017, o governo federal arrecadou R$ 20 bilhões em mais um refis. O que a equipe econômica fez com esse dinheiro? Usou para abater o déficit de 159 bi que o Congresso Nacional autorizou. Torrou uma renda extra com juros da dívida pública fazendo a alegria de especuladores, meia-dúzia de famílias abastadas e agiotas credores da União. Por que não injetou esses 20 bi na economia via algum programa? Certeza que a popularidade do governo e do presidente subiria igual como aconteceu na liberação das contas inativas do FGTS.
A parte econômica não pode ser deslocada da política, porque o seu distanciamento prejudica a parte social e, por tabela, a parte eleitoral do grupo político no poder ajudando a oposição e políticos populistas. O político que abre mão de seu poderes constitucionais querendo agradar a figura quase mística do “mercado” comete suicídio eleitoral.