
Segundo debate presidencial mostrou uma dinâmica interessante para os candidatos ficarem frente a frente, mas poucos aproveitaram a oportunidade de confrontar o adversário. Por isso, acho que o problema dos debates não são os formatos, mas os candidatos mais preocupados em fazer propaganda de propostas muitas vezes vazias do que confrontar os adversários.
Apenas no final Marina Silva, aproveitando uma pergunta de Jair Bolosnaro sobre armas de fogo, usou a ferramenta disponível pela RedeTV para questionar a fala do candidato de que “mulheres tem ganhar menos que homens mesmo”, fazendo Bolsonaro perder a tranquilidade que vem desde o primeiro debate e respondendo para Marina “você não sabe o que uma mãe sente quando seu filho se entrega às drogas” por a candidata defender plebiscitos sobre descriminalização de drogas e aborto. Marina retrucou dizendo que o Estado é laico. Sem mais o direito a palavra, Bolsonaro disse para ela ler o apóstolo Paulo.
Não acho que o duelo atraiu voto para Marina ou tirou voto de Bolsonaro, ou vice-versa. Mas foi péssimo para Bolsonaro na conta simples da busca dele por voto de indecisos e, principalmente, pelo voto feminino, categoria que ele tem dificuldade. Não pegou bem ele dizer que Marina não sabe o que é ser mãe.
Marina fez o que Geraldo Alckmin não teve coragem de fazer, de ir para o embate para tentar tirar votos de Bolsonaro. Se estratégia de Alckmin for atacar Bolsonaro apenas no horário eleitoral, pode ser suicida.
Ciro Gomes foi bem. Guilherme Boulos, de novo, fez o dever de casa e falou para o seu público muito bem. Alvaro Dias melhorou bastante em relação ao debate anterior. Henrique Meireles tentou, assim como Marina, desafiar Bolsonaro sem o mesmo sucesso. Cabo Daciolo, a fábrica de memes, deu outro espetáculo e deve somar mais uns pontinhos nas pesquisas.
A “evangélica” que defende plebiscito sobre o aborto, encarou o Bolsonaro. Encarou, e sem se dar conta, foi ROTULADA PELO MESMO, pois muita gente só soube ontem, que ela não se opõe a agenda dos abortistas. Milhões de eleitores evangélicos serão bombardeados por isso.
Em 2022, ela pode tentar de novo, pois neste ano tem menos chances do que o Ciro em ser presidente da república.