Entrevista de Ciro Gomes no Valor

Ciro

O presidenciável Ciro Gomes, que terminou a última eleição com mais de 13 milhões de votos, concedeu uma entrevista ao jornal Valor Econômico. A tônica da entrevista foi economia, se o governo Bolsonaro é ameaça à democracia e, óbvio, o PT.

Como diz Jack, vamos por partes.

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Economia

Essa parte é a que discordo e concordo com Ciro. Ciro ataca Paulo Guedes, o futuro ministro da economia, dizendo que ele parou de ler livros em 1980. Para ele, a concepção de econômica de Guedes é inviável no Brasil e não vai levantar a economia brasileira. Não é nem que discordo da segunda parte, apesar que estou apaixonado pela equipe que o “superministro” está montando, mas o fato de já decretar que não vai funcionar por ele [Ciro] ser de uma corrente oposta ao liberalismo de Chicago e o Consenso de Washington.

É claro que Ciro não precisa elogiar o futuro governo que pretende fazer oposição e elogiar uma doutrina na qual não pertence. Agora, pelo menos dá o benefício da dúvida ou envereda pelo caminho que o próprio Ciro crítica: tipo de oposição raivosa do petismo.

Também discordo da crítica ao Sérgio Moro, o futuro ministro da Justiça e Segurança Pública. Mas, vou dar um desconto já que Ciro nunca olhou com bons olhos para ex-juiz.

Bolsonaro não é “ameaça à democracia”

Concordo que esse terrorismo foi introduzido no imaginário brasileiro pelo PT, não tenho como discordar. Perfeito. Leitura correta. Ciro acerta também quando diz que quem venceu a eleição foi o antipetismo e não tanto a direita. Acho que a direita cresceu muito nos últimos anos, mas o trampolim para vencer já nessa eleição foi a forte rejeição ao Partido dos Trabalhadores, principalmente pelos últimos anos do governo Dilma.

Revelação

Ainda na entrevista Ciro fez uma revelação de um acontecimento que já havia sido revelado pelo seu irmão Cid Gomes, só que ele acrescenta detalhes e de levantar o cabelo até de quem é careca. Os Ferreira Gomes queriam que Dilma Rousseff fosse candidata ao Senado Federal pelo Ceará. Ciro disse que a ex-presidente é “bem querida” no estado e uma pesquisa deles mostrava ela com 60% e Cid, com 80%. Segundo Ciro, Dilma topou e eles chegaram até a alugar uma casa para ela mudar o domicílio eleitoral para o nordeste e não ter problemas quando fosse registrar a candidatura. O PDT chegou a pagar um jato para ir buscá-la. A surpresa: Dilma não apareceu. Ciro conta que recebeu uma ligação do governador Fernando Pimentel (MG): “O Lula me ligou impondo a candidatura da Dilma a senadora, tá desfazendo a minha aliança inteira aqui. Desse jeito eu vou perder a eleição”.

Resumo da ópera: Dilma terminou em quarto na disputa por uma das vagas para o Senado por Minas Gerais, Pimentel não foi nem para o segundo turno na sua tentativa de reeleição e Eunício Oliveira, o pivô dessa engenharia que Lula fez para o beneficiar, perdeu a eleição no Ceará contrariando as pesquisas que davam sua vitória como certa e folgada.

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Ciro se sente traído pelo PT, por Lula, não só por não ter tido o apoio do partido, sobretudo por Lula ter articulado, direto da Superintendência da PF de Curitiba, a asfixia de sua candidatura descosturando acordos praticamente certos entre o PDT e outros partidos de centro-esquerda como o PSB. Mas creio que a principal razão para querer se distanciar é não querer mais ser associado como “linha auxiliar” do PT. Ciro quer cacifar desde já sua quarta tentativa de chegar ao Palácio do Planalto e isso passa por afastar o PT da linha de frente da oposição ao governo Bolsonaro. Sabe que só tem chance de chegar em uma segundo turno para presidente se entrar e pelo menos dividir voto no que sobrou de reduto eleitoral do petismo (mais lulista que petista), nas cidadelas lulistas dos rincões do nordeste.

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

Um comentário em “Entrevista de Ciro Gomes no Valor”

  1. O Ciro vive se desmentindo, até de nazista chamou o Bolsonaro, durante a campanha … e quem venceu a eleição foi o “anti-petismo”. Ora, a base do anti-petismo no Brasil SEMPRE FOI A DIREITA, isso desde quando eu era criança. Pra cima de mim que anti-petista “de esquerda” votou em Jair! Mas isso é de menos, até gente que se diz parte de uma “nova direita” (seja lá o que significa isso!) ficou contra o futuro presidente.

    E digo mais: Ciro está subestimando Bolsonaro novamente (sempre avisei que esse é um comportamento tolo!). Não dá pra querer disputar o eleitorado residual do PT no nordeste, sem considerar o impacto do futuro governo federal no mesmo. Todos nós sabemos quem terminará as atrasadíssimas obras da transposição do rio São Francisco, e isso terá um efeito eleitoral gigantesco, dentro e fora daquela região, além de outros investimentos estruturais que virão.

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