Moro, a pedra no caminho de Bolsonaro

O grande obstáculo no caminho de Bolsonaro está no próprio governo: Sergio Moro. A popularidade do ministro é bem superior a do presidente

Quem acha que Jair Bolsonaro vai rever sua tática e passar a comunicar com o todo da população depois da pesquisa Datafolha mostrando que parou de subir a rejeição ao seu governo é melhor rever seu diagnóstico. É simples: por que me comunicar com todos se tenho uma base segura fidelizada? Antes de produzir um anúncio para clientes publicitários fazem um minucioso estudo para descobrir o público-alvo do produto de um comercial. Bolsonaro trabalha nessa lógica até por ser mais fácil do que dialogar com um contingente maior e algumas parcelas bastante hostis a ele.

A Folha divulgou meses atrás uma pesquisa que mostrava que 32% da população pensa igualmente com o presidente. Esse percentual bate com o ótimo-bom de avaliação do governo desde o início. Se ele conseguir manter esse público fidelizado até o final de seu mandato pode continuar as turbulências, os testes das instituições, propostas muito questionáveis jogadas para testar a reação e caso seja negativa recuar, que estará seguro no cargo e muito forte pela reeleição em 2022. Para provar meu ponto, basta olhar a pesquisa que a Veja divulgou na última edição da revista.

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Jair Bolsonaro tem 32% de intenções de voto para 2022 na pesquisa de Veja, mesmo tamanho do segmento que tem as mesmas opiniões dele. Lula fica com 29%, o mesmo tamanho que o PT saiu da urna no primeiro turno. Todos os outros postulantes não passam de um dígito e perdem para “nenhum” como opção de voto. Ou seja, a polarização da última eleição segue intestada e sem sinal de que esse cenário vá mudar.

O grande obstáculo no caminho de Bolsonaro está no próprio governo: Sergio Moro. A popularidade do ministro é bem superior a do presidente e suas negativas de que não pensa em disputar eleições não enganam. Moro ainda tem desempenho melhor que Bolsonaro no duelo com Lula (48% x 39% e 45% x 40%). Os dois empatam (36% x 36%) no confronto direto. O ex-juiz ainda representa a imagem que muitos brasileiros admiram nele: super-herói que prende corruptos e é fortalecido pela queda de homicídios, mesmo a queda tenha iniciado no governo anterior e seja por vários fatores.

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

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