Banalizar o impeachment é ruim para democracia

Quem quer o impeachment acha mesmo possível conseguir 342 votos na Câmara e 54 no Senado? Não que não exista motivo jurídico suficiente contra Jair Bolsonaro, existe em penca. Mas um impedimento no presidencialismo é mais político do que jurídico. Um processo de impeachment menos de 5 anos do último vai enfraquecer mais ainda a democracia e vai fortalecer um presidente cambaleante.

Impeachment não é moção de desconfiança do parlamentarismo, a sua banalização não é saudável. Quando não há os votos para afastar o mandatário a arma do impeachment se vira contra quem propôs. Pode alegar que Donald Trump passou por um processo de impeachment em 2020, foi salvo pelo Senado americano e perdeu a eleição em novembro. Mas conseguiu mais de 70 milhões de votos e quase levou o país a uma convulsão social acusando fraude eleitoral sem prova. O daqui já plantou a semente da estratégia de fraude na eleição para caso não consiga a reeleição no ano que vem.

Agora imagina o processo de impeachment de um presidente com 25% a 35% de apoio popular. O impeachment da então presidente Dilma, mesmo com a maioria da população favorável a seu afastamento e sua popularidade em um dígito, foi desgastante e deixou cicatriz difícil de cicatrizar.

Faço minhas as palavras de Ciro Gomes, quando se opôs ao afastamento de Dilma Rousseff: impeachment não é remédio para governo ruim. O governo atual degrada as instituições, as agride, péssima condução na pandemia, ainda assim é a urna que deve julgar o mandato do atual presidente.

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

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