O adeus de Maia

No dia 1° de fevereiro, os deputados federais elegerão o próximo presidente da Câmara dos Deputados e demais membros da mesa diretora para o biênio 2021-2023. Rodrigo Maia se despede do posto de presidente da Câmara dos Deputados, que ocupou durante o período 2016-2021.

Maia venceu sua primeira disputa em 2016 para fechar o mandato do renunciado Eduardo Cunha, foi reeleito em 2017 e (re)reeleito em 2019. Sonhava com mais uma reeleição, mas a maioria do STF seguiu o texto constitucional vetando a recondução do atuais chefes do Legislativo na mesma legislatura.

Durante o seu mandato presidiu duas apreciações de denúncias criminais enviados pelo STF, de autoria do procurador-geral Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer. As duas denúncias baseadas nas delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista (JBS) e o doleiro Lúcio Funaro foram paralisadas pelo plenário da Câmara.

Maia poderia ter articulado a queda de Temer e ser o beneficiário direto herdando a cadeira presidencial, mas optou por não “puxar o tapete” do presidente e agiu dentro das suas prerrogativas, ao menos publicamente.

Mas o principal legado da presidência Maia, sem dúvida, foi a aprovação, primeiro na Câmara e depois no Senado, da reforma na Previdência Social. Foi o principal fiador dessa reforma aguardada há décadas e tinha a perpectiva de ecomonizar 800 bilhões em dez anos, o que daria um alívio na pressão fiscal do governo, mas em razão da pandemia teve seu impacto diminuído.

No período Bolsonaro, a relação do Palácio do Planalto com Maia foi de aliado e de desafeto. O governo acabou entrando na campanha de Maia no finalzinho. A relação teve momentos de tensão com ministros, especialmente com Paulo Guedes, e com o próprio presidente Jair Bolsonaro.

Maia barrava propostas do governo que não concordava, principalmente a chamada pauta de costumes tão cara a Bolsonaro. Por outro lado, não pautou nenhum dos 60 pedidos de impeachment contra Bolsonaro por não enxergar motivo justo, falta de ambiente político para um processo de impeachment ou medo de ter o mesmo destino dos presidentes da Câmara que tiveram problemas judiciais posteriormente ao darem seguimento aos impedimentos de Collor e Dilma.

A sucessão na Câmara colocou Bolsoraro e Maia em campos opostos definitivamente. Enquanto o presidente da República aposta em Arthur Lira, o presidente da Câmara articulou uma frente de partidos de centro, direita e esquerda em torno de Baleia Rossi, com a bandeira da independência da Câmara e defesa da democracia. As duas principais candidaturas podem ser lidas como o duelo do “centrão”/oposição (Rossi) vs “centrão baixo clero” (Lira). Porém, ambos votaram maioritariamente com o governo nos últimos dois anos.

A disputa não vai ficar nessas duas candidaturas. NOVO e PSOL lançaram candidatos marcando posição, representados nos deputados Marcel van Hattem e Luiza Erundina, respectivamente. E tem ainda quatro candidatos que se lançaram à revelia de seus partidos, as candidaturas avulsas.

Candidatos à presidência da Câmara

Alexandre Frota (PSDB-SP)*
Arthur Lira (PP-AL)
André Janones (Avante-MG)*
Baleia Rossi (MDB-SP)
Capitão Augusto (PL-SP)*
Luiza Erundina (PSOL/SP)
Fábio Ramalho (MDB-MG)*
Marcel van Hattem (NOVO-RS)

*candidatos avulsos, contra orientação do partido

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

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