
Lá em 2019 iniciava o governo do presidente Jair Bolsonaro cercado de expectativa e surpresa como um deputado sem poder no legislativo, militar da reserva, com declarações homofóbicas, racistas, antidemocráticas, venceu a eleição sem os recursos que outras candidaturas tiveram e sem tempo de TV. Alguns fatores estão aqui.
A expectativa era que as outras instituições conseguissem domar Bolsonaro. O Congresso fez a sua parte na presidência de Rodrigo Maia nos dois primeiros anos. Ameaçado por impeachment, o presidente resolveu fazer uma aliança com forças do legislativo e ajudou a eleger Arthur Lira para o comando da Câmara.
Sobrou o Supremo Tribunal Federal para colocar freio e bloquear ações do governo, principalmente no período pandêmico que o presidente vivia uma guerra declarada contra governadores e perfeitos (até contra alguns de seus ministros), o que provocou a ira de Bolsonaro e passou a atacar ministros do STF.
O então presidente do tribunal, Dias Toffoli, resolveu abrir de ofício um inquérito para investigar notícias fraudulentas e ameaças contra os ministros e seus familiares. Sem realizar sorteio, Toffoli entregou a relatoria para Alexandre de Moraes.
São 7 anos do inquérito aberto sem conclusão. Um inquérito policial tem alguns meses de prazo podendo ser prorrogado por mais alguns meses. Moraes fica prorrogando infinitamente tornando o inquérito de 2019 permanente que acabou virando uma arma de proteção aos ministros no pior sentido possível.
O último acontecimento é o ministro Gilmar Mendes mandando Moraes incluir o ex-governador Romeu Zema no dito inquérito por uma sátira que criticava a interferência de Mendes na CPI que investigaria as relações de Toffoli com o Banco Master no resort Tayaya.
Faço um pedido público de desculpa por ter apoiado a excrescência que foi ter concedido tanto poder a uma instituição que acabou desnivelando os poderes da República. Esse desnivelamento cobra seu preço e ameaça a democracia brasileira.
É o efeito bumerangue. Foi concedido superpoder a autoridades para proteger a democracia e voltou contra a mesma. Só existe um remédio para isso: recolocar os freios no Supremo. Mas quem recebe superpoder não abre mão dele. Só resta o Senado. Para isso, a população precisa passar seu recado nas urnas elegendo senadores com disposição para essa tarefa.