De herói a tirano

Alexandre de Moraes era odiado pela esquerda e a partir de 2019 passou a ser odiado pela direita ao tomar decisões controversas no controverso inquérito chamado de inquérito das fake news, instituído de ofício pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, que entregou a relatoria sem fazer sorteio a Moraes. A missão era investigar notícias falsas e ameaças a integrantes do tribunal.

Era o início do governo Jair Bolsonaro e a relação já era tensa com o tribunal desfazendo ações do governo. Mas o atrito naquele início era mais forte do governo com a Câmara dos Deputados na presidência de Rodrigo Maia. A relação desandou de vez com a pandemia, mas sobretudo pelo dito cujo do inquérito. Moraes começou uma verdadeira caça a políticos e apoiadores/influenciadores do bolsonarismo em defesa das instituições.

Daniel Silveira foi o primeiro condenado do inquérito. Bolsonaro concedeu o instituto da graça presidencial ao deputado, mas o indulto foi derrubado pelo STF. Vendo seus apoiadores na mira do Moraes, que chegou a vetar a nomeação de Alexandre Ramagem para diretor-geral da PF, o presidente bradou em manifestação no 7 setembro que não cumpriria mais ordens ilegais e pediu para o ministro sair do STF. No dia seguinte, Bolsonaro chamou o ex-presidente Michel Temer, que indicou Moraes, para uma conciliação resultando em uma nota no qual pede desculpas se comprometendo a cumprir decisões judiciais.

Veio as eleições de 2022, com Moraes na presidência do TSE dirigindo o pleito de maneira a desagradar o Bolsonaro. O tribunal foi pró-ativo na derrubada de perfis nas redes sociais que julgava propagadores de fake news contra adversários e para desacreditar as urnas eletrônicas. Teve o caso que não foi esclarecido das inserções de rádio do Bolsonaro para rádios do nordeste que não foram ao ar. Documentário vetado. E o pedido de anulação de parte das urnas do segundo turno que Moraes não só negou como aplicou uma multa de R$ 22 milhões (22 o número da legenda do candidato) por litigância de má-fé ao PL.

Aconteceu a quebradeira no 8 janeiro de 2023. Para PGR e a segunda turma que julgou foi uma tentativa de golpe de Estado, sendo vencido o voto de Luiz Fux, que teria começado ainda em 2021 nos questionamentos da urna eletrônica. Processo questionado por ter ficado no STF mesmo o principal réu fora da presidência e não julgado por todos os 11 ministros, entre outros problemas.

As decisões de Moraes já eram questionadas aqui e fora do país antes do 8 de janeiro. Os questionamentos contra o ministro passaram a ecoar com mais força a partir da descoberta do inexplicável contrato generoso do banco de Daniel Vorcaro com o escritório da sua família. Moraes passou de herói da democracia a tirano sem empatia, que usa a lei e o que não está nela contra pobres coitados que tiveram um dia de fúria no fatídico 8 de janeiro e contra inimigos políticos. A última é a proibição dos filhos do ex-presidente de visitá-lo no dia dos pais, o que é permitido a presos que cometeram crimes dos mais leves aos mais pesados.

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Autor: Brasil Decide

Editor-chefe: João Paulo

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