Eleição 2018: Disruptiva

A eleição disruptiva que acabou com a polarização PT-PSDB e elegeu presidente da República um deputado do baixo clero com apenas 7 segundos de horário eleitoral na TV. Contou com a participação 13 candidatos.
Jair Bolsonaro foi conseguindo juntar uma legião de apoiadores pelo país por falas polêmicas que se transformaram em votos. Em uma quadra que teve impeachment de presidente, prisão de outro, a classe política na ruína pela Lava Jato, Bolsonaro se aproveitou do antipetismo em alta e vestiu a camisa do antissistema, mesmo com 3 décadas de mandatos como vereador e deputado federal.
O atentado que sofreu em Juiz de Fora-MG também acabou ajudando Bolsonaro, que ganhou visibilidade que não teria sem a facada de Adélio Bispo. Fora de combate não compareceu aos debates do segundo turno com o seu adversário Fernando Haddad, possibilitando fugir de armadilhas.
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Eleição 2014: Reviravoltas

A eleição que lembrou 1989, a primeira para presidente após a redemocratização do país. A eleição polarizada novamente por PT e PSDB, com Dilma Rousseff e Aécio Neves.
Dilma começou a corrida presidencial com pouco mais de 30% de intenções de voto depois das manifestações populares de junho de 2013, se estabilizou em 40%. Aécio ficou ameaçado de não passar para o segundo turno, quando Marina Silva entrou no lugar de Eduardo Campos, que morreu em acidente aéreo.
Nas pesquisas, Marina chegou a empatar com Dilma no primeiro turno e abrir vantagem em simulação de segundo. Ameaçou a polarização entre petistas e tucanos. Mas acabou sucumbido nas desconstruções que sofreu, principalmente da campanha do PT, também nos seus próprios erros.
A eleição de 2014 foi a primeira com forte presença no digital, o início de uma nova era. Simultaneamente à campanha, aconteciam as primeiras fases da operação Lava Jato.
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Eleição 2010: A vez da mulher

Dilma Vana Rousseff, uma desconhecida que nunca tinha disputado uma eleição, Ministra de Minas e Energia e, após a queda de José Dirceu, Ministra-chefe da Casa Civil do governo do presidente Lula, conseguiu uma votação gigante no primeiro turno: 47.651.434 votos (46,91%). No entanto, não conseguiu vencer a disputa no primeiro escrutínio. O candidato adversário foi José Serra (PSDB), que obteve 33.132.283 votos (32,61%). Marina Silva, que também foi ministra (meio-ambiente) de Lula e saiu do governo e do PT (foi para o Partido Verde) por divergências com a própria Dilma, surpreendeu o Brasil ao conseguir uma votação grande: 19.636.359 votos (19,33%). Assim, Marina provocou o segundo turno entre Dilma e Serra.
Após os programas eleitorais e debates na TV, os brasileiros voltaram às urnas no dia 31 de outubro de 2010 para eleger o novo presidente ou a presidente da República. Mais uma vez, Dilma Rousseff saiu vitoriosa nas urnas, com 55.752.529 votos (56,06%) e se tornou a primeira mulher a ocupar o mais alto posto da República Federativa do Brasil. Serra conseguiu 43.711.388 votos (43,94%).
A campanha petista comandada pelo marqueteiro João Santana fez Dilma “virar” Lula aos olhos da população, principalmente o eleitor mais fiel ao PT – “Dilma é Lula, Lula é Dilma” e “Para o Brasil seguir mudando”. A economia brasileira vinha surfando a onda de um crescimento histórico após a crise de 2008, emprego e renda subindo fazendo a aprovação do presidente Lula atingir mais de 80% de aprovação popular.
Com quase unanimidade popular, Lula elegeria um “poste”. Era quase impossível a oposição vencer aquela eleição, que fez a campanha de Serra até fazer colar a candidatura da oposição no governo com o jingle que falava “Sai o Silva e entra o Zé”, mas não teve sucesso.
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Eleição 2006: Lula outra vez

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu sua reeleição no primeiro turno de 2006; Lula conseguiu 46.662.335 de votos (48,61%), Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo, foi o desafiante da oposição e conseguiu grande votação, quase 40 milhões de votos, mais precisamente 39.968.369 de votos (41,64%), forçando a realização do segundo turno.
No segundo turno, o marqueteiro João Santana usou números dos oito anos do governo FHC e dos quatro anos de Lula, além da Petrobras e o sentimento majoritário contra sua privatização, para uma comparação PT x PSDB e impulsionar a candidatura de Lula. E funcionou. Alckmin entrou para história como o candidato a presidente da República que teve mais votos no primeiro do que no segundo turno. No total, Lula foi reeleito com 58.295.042 milhões de votos (60,83%), contra 37.543.178 de Alckmin (39,17%).
2006 foi a primeira eleição do PSOL, um partido que nasceu de dissidentes do PT. Heloísa Helena, que foi expulsa do partido por votar contra propostas do governo, foi a candidata e conseguiu 6.575.393 votos (6,85%). Cristovam Buarque, outro ex-petista, foi candidato pelo PDT e conseguiu 2.538.844 votos (2,64%).
A eleição também foi marcada pelo escândalo dos “aloprados”, como Lula chamou os dois petistas que a Polícia Federal prendeu comprando dossiê falso contra o então candidato ao governo de São Paulo José Serra (PSDB). Na véspera do primeiro turno apareceu o suposto dinheiro que os dois pagariam pelo dossiê no total de R$ 1,7 milhão. Até hoje ninguém sabe quem foi o mandante dessa operação – Aloizio Mercadante, que disputava contra Serra, chegou a ser suspeito –, muito menos a origem do dinheiro.
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Eleição 2002: Esperança venceu 0 medo

Cansado de perder, Lula resolveu deixar o radicalismo de lado e apostou no estilo mais moderado – “Lulinha paz e amor”- para sua quarta tentativa de subir a rampa do Palácio do Planalto. Para isso, convidou o empresário José Alencar para ser o seu vice-presidente e escreveu de próprio punho (é o que diz a lenda) a famosa “Carta ao Povo Brasileiro”. A Campanha vitoriosa petista também contou com os filmes sempre caprichados e emocionantes do marqueteiro Duda Mendonça.
A pré-campanha de 2002 foi recheada de acontecimentos. Como, por exemplo, a subida meteórica nas pesquisas da então governadora do Maranhão, Roseana Sarney. Após o escândalo que derrubou do comitê de campanha seu marido, Jorge Murad, Roseana deixou a disputa pela presidência e candidatou-se ao Senado.
Já na campanha, Ciro Gomes despontava como um desafiante de Lula. Pesquisas apontavam Ciro na frente de Serra. Mas seu temperamento explosivo combinado com declarações infelizes foram exploradas pelos adversários e fizeram Ciro perder até para Anthony Garotinho.
1º de janeiro de 2003, uma data histórica. Nesse dia aconteceu a mais linda festa para a posse de um presidente da República. Foi a primeira vez, desde 1961, que um presidente eleito pelo povo passava a faixa presidencial para outro igualmente eleito pelo povo, de Fernando Henrique para Lula. Um dia histórico, o dia que um ex-metalúrgico retirante nordestino sem diploma universitário chegava à presidência da República.
Primeiro turno
- Lula (PT) – 39.455.233 (46,44%)
- José Serra (PSDB) – 19.705.455 (23,19%)
- Anthony Garotinho (PSB) – 15.180.097 (17,86%)
- Ciro Gomes (PPS) – 10.170.882 (11,97%)
Segundo turno
- Lula – 52.793.364 (61,27%)
- José Serra – 33.370.739 (38,73%)
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Eleição 1998: Reeleição

Quase uma década depois, Lula e Brizola se uniram para derrotar FHC, que aprovou no Congresso Nacional a emenda constitucional da reeleição para o executivo marcada por denúncia de compra de votos. A união afetou a disputa no Rio de Janeiro.
Para a aliança em nível nacional, o PDT exigiu que o PT indicasse o vice de Anthony Garotinho, Benedita da Silva foi a indicada, retirando a candidatura de Vladimir Palmeira. Garotinho foi eleito governador.
Mas a aliança tardia não foi suficiente para evitar a vitória do presidente Fernando Henrique em primeiro turno.
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Eleição 1994: Plano Real

O início do Plano Real estava a pleno vapor. Fernando Henrique Cardoso saiu do Ministério da Fazenda para preparar sua candidatura presidencial. O presidente Itamar Franco não tinha um sucessor natural e Fernando Henrique ocupou essa vácuo graças ao sucesso do Plano Real que liderou. Depois da eleição, Fernando e Itamar se desentenderam em relação quem foi o mentor do Plano Real, uma briga de egos.
Curiosidade da eleição de 1994 foi a possibilidade da união entre o PSDB e o PT. As negociações estavam avançadas para Luiz Inácio Lula da Silva como presidente e Tasso Jereissati como seu vice. Tasso era presidente do PSDB na época. Arthur Virgílio Neto, ex-senador e ex-prefeito de Manaus-AM, disse que a ideia não foi pra frente porque o PT ficou contra o Plano Real. O PT achava o plano eleitoreiro e não era sustentável para os trabalhadores. Segundo Arthur Virgílio, foi um “erro brutal” do PT negar apoio ao Plano Real.
“Se Lula tivesse topado o Plano Real, teria sido eleito, mas perdeu não só o vice como a eleição. Ele cometeu um erro brutal que foi negar o plano econômico, perdeu o vice do PSDB e a eleição”, Arthur Virgílio Neto.
Outros acontecimentos naquela eleição.
Leonel Brizola era governador do Rio de Janeiro pela segunda vez e pré-candidato a presidente, tinha rivalidade com a TV Globo. Após disputa judicial, Brizola fez a Globo levar ao ar no Jornal Nacional uma carta sua como direito de resposta histórico que é celebrado até os dias atuais pela esquerda brasileira.
Já o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, foi no programa Roda Viva, da TV Cultura (SP). Quércia e o jornalista Rui Xavier, que trabalhava no Jornal O Estado de São Paulo, tiveram forte discussão faltando pouco para o estúdio do programa virar um ringue.
Na eleição, o excêntrico Enéas Carneiro com segundos na TV conseguiu mais de 7% dos votos terminando a disputa em terceiro lugar.
Fernando Henrique venceu no primeiro turno e o PSDB chegava ao poder com apenas 6 anos de fundação. Restou ao Lula amargar a sua segunda derrota e o arrependimento (se teve) de ter ficado contra o Plano Real.
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Eleição 1989: Reinício democrático
O primeiro turno da eleição de 1989, a primeira para presidente desde 1960, contou com o recorde de 22 candidatos.
Resultado
- Fernando Collor de Mello (PRN) 20.611.030 (30,48%)
- Luiz Inácio Lula da Silva (PT) 11.622.321 (17,19%)
- Leonel Brizola (PDT) 11.167.665 (16,51%)
- Mário Covas (PSDB) 7.790.381 (11,52%)
- Paulo Maluf (PDS) 5.986.585 (8,85%)
- Afif Domingos (PL) 3.272.520 (4,84%)
- Ulysses Guimarães (PMDB) 3.204.996 (4,74%)
- Roberto Freire (PCB) 769.117 (1,14%)
- Aureliano Chaves (PFL) 600.821 (0,89%)
- Ronaldo Caiado (PSD) 488.893 (0,72%)
- Affonso Camargo (PTB) 379.284 (0,56%)
- Enéas Carneiro (PRONA) 360.578 (0,53%)
- Marronzinho (PSP) 238.408 (0,35%)
- Paulo Gontijo (PP) 198.710 (0,29%)
- Zamir Teixeira (PCN) 187.164 (0,28%)
- Lívia Maria (PN) 179.925 (0,27%)
- Eudes Mattar (PLP) 162.343 (0,24%)
- Fernando Gabeira (PV) 125.844 (0,19%)
- Celso Brant (PMN) 109.903 (0,16%)
- Antônio Pedreira (PPB) 86.107 (0,13%)
- Manoel Horta (PDCdoB) 83.291 (0,12%)
- Armando Corrêa (PMB) 4.363 (0,00%)
Depois de recusar convite do PFL para ser o candidato do partido com a bênção do presidente José Sarney, o apresentador/empresário Silvio Santos resolveu de última hora disputar a eleição. O problema foi que os outros candidatos se sentiram prejudicados pela inesperada entrada na disputa do “Homem do Baú” e contestaram no TSE acusando o partido de Silvio, o PMB, de irregularidades.
Sem o apresentador/empresário, Collor e Lula foram para o segundo turno e protagonizaram uma campanha virulenta.
Collor usou no seu último programa eleitoral na TV a ex-mulher de Lula, Miriam Cordeiro, em um depoimento acusando o candidato petista de supostamente oferecer dinheiro para ela fazer um aborto e contando supostas ameaças que Lula fazia. Uma baixaria que marcou aquela eleição.
Também aconteceu a famosa edição manipulada do último debate entre Lula e Collor apresentada no Jornal Nacional, da TV Globo. Roberto Marinho pediu ao diretor de jornalismo Armando Nogueira que desse uma “ajustada” porque o debate estava muito pró-Lula. José Bonifácio, o Boni, chefão da Globo na época, confessou numa entrevista que a Globo deu uma melhorada na imagem de Collor, o fazendo ficar mais popular.
Collor venceu Lula e, após tomar posse, confiscar a poupança, brigar com quem o projetou nacionalmente, uma série de denúncias de corrupção no seu governo, uma CPI no Congresso, o motorista entregando o patrão, o próprio irmão delatando o presidente, renunciou antes do Senado julgar seu impeachment.
Relembre a eleição 1989