Arena Corinthians: ­Crônica de um Sucesso Anunciado

O formato da Arena Corinthians é único e propício para oferecer uma experiência inesquecível

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Luís Butti

Cerca de vinte mil pessoas e renda de um milhão e duzentos mil reais para seis peladas entre ex-jogadores do clube num Corinthians x Corinthians. Logo no primeiro teste com o acesso da torcida, a Arena Corinthians demonstra desde já que é um grande case de sucesso em todos os aspectos.

Em parceria inédita de postagem simultânea entre o Grupo Sonhos e o Blog Brasil Decide, estive na Arena Corinthians e trago aqui as impressões que tive. A esmagadora maioria, positiva. E até certo ponto, bastante surpreendente para um estádio de Copa do Mundo onde a FIFA mete o bedelho aonde não é chamada.

Recentemente na ESPN, o arquiteto Aníbal Coutinho afirmou que a FIFA quis mudar a geometria do estádio, alegando que a Federação é uma instituição que olha pra trás enquanto o clube olha para frente. E, ao ver as primeiras reações de imprensa, grande público e da Fiel Torcida, nota-se que Aníbal tinha razão.

O formato da Arena Corinthians é único e propício para oferecer uma experiência inesquecível na Arena. Sua cobertura é projetada para triplicar o número de vozes dentro da Arena e gerar um eco ensurdecedor, proporcionando a atmosfera de um grande jogo de Futebol.

E foi exatamente essa atmosfera que me surpreendeu. As coisas funcionam. O dinheiro investido no ingresso (muitas vezes alto) e a expectativa gerada, finalmente é entregue. Os banheiros são realmente limpos. Existem faxineiras trabalhando a todo o tempo, e na maioria das pias, não faltam sabonete nem toalhas. Eventualmente pode faltar em uma ou outra. Mas pelo o que ouvi dizerem, a maioria tinha.

A comida, embora improvisada, é realmente boa e preços aceitáveis (um pastel, por exemplo, 6 reais. Em feiras, normalmente você encontra por 4,50 a 5,00. Ou seja, não está muito fora do padrão não). Também é possível pagar com cartão de crédito e débito em qualquer setor do estádio, algo que não havia em outras arenas.

Fora a visão, que por sua vez, é excelente. Qualquer cadeira do setor te proporciona uma experiência digna de Bundesliga e Premiere League. Ou, se preferir o modo norte-americano, de NBA e NFL.

Isso não acontece nos estádios antigos. No Pacaembu, por exemplo, você paga um alto preço para ir na Categoria VIP (cerca de 300 reais) mas a comida e o banheiro (boa parte deles, químicos) são os mesmos de quem paga 20 reais.

Ou seja, nos outros estádios (conforme a Arena, mesmo nova, idem), você paga caro e não tem.

Na Arena Corinthians isso não acontece.

Pelo contrário. Conforme o setor, você paga pouco e tem.

Pra se ter uma idéia, todos os banheiros do estádio possuem a famosa “duchinha de bunda”. Você usa o vaso, e tem um serviço de hotel japonês, mesmo pagando pouco nos setores populachos. Mais: após a Copa do Mundo, serão instaladas telas nos banheiros, possibilitando que você não perca lance algum do jogo mesmo quando precisa usar o vaso sanitário ou o espelho, no caso das mulheres.

No Setor Oeste, as cadeiras possuem estofado, braço e porta-copos. E não, não estou falando do setor mais VIP do estádio. Possuem mais dois mais nobres acima deste. Há preços e serviços de todos os gostos.

O acesso ao estádio, ao menos para mim, foi sem maiores problemas. Bem sinalizado e informado, é fácil encontrar o seu lugar, embora o clube tenha aberto mão do voucher onde o lugar era informado. Quem chegava, ia se acomodando sem maiores problemas.

Também houveram falhas, óbvio. Uma delas foi chegar e sair do estádio.

O grande enrosco é chegar na Arena.

Não, não é porque Itaquera é longe, muito pelo contrário, é até relativamente fácil e rápido. Mas sim, pelo excesso de obras. Automóveis e taxis não são recomendáveis. É melhor usar ônibus, metrô ou o trem. Problemas alheios a ordem esportiva, que o Corinthians não tem como melhorar.

O entorno assusta um pouco. Muita obra, muita terra, muito andaime e muito guindaste correndo contra o tempo. Quem não conhece Itaquera, nas primeiras visitas, pode se perder na região. Pode acontecer também da poeira das obras voar em seu olho conforme o horário que se transita no local.

O estacionamento também não abriu. Estava cheio de tendas de parceiros da FIFA.

E a internet/telefonia dividiu opiniões. Houve quem elogiasse a ponto de usar até um 4G e houve quem cornetasse não conseguindo usar nada. Eu tive dificuldades.

Mas o grande pulo do gato não é a Copa. É o Pós-Copa. Quando o estádio entrar no Modo Corinthians.  Aí entra em ação o grande case de sucesso da casa corinthiana.

Diferente das outras onze arenas da Copa, a Arena Corinthians é pensada para funcionar o dia todo. São mais de sessenta espaços comerciais para franquias de diversos setores. De alimentação a vestuário. Um shopping dentro do estádio.

Ou melhor, um estádio dentro de um shopping, como definiu Luiz Paulo Rosemberg.

Um estádio que não perdeu a ótica de caldeirão, mas que lucra em cada metro quadrado. Diria que é uma mescla de NFL e Bundesliga. Um Signal Iduna Park com operacional de Lucas Oil Stadium.

Na América Latina, não há igual. E arrisco dizer que na Europa e Ásia também não.

Talvez nos Estados Unidos. Lá os caras sabem ganhar dinheiro.

E, ao que me parece, a Arena Corinthians também seguiu o caminho do sucesso.

A previsão pessimista é de 1 milhão a 2 milhões de renda por jogo. Se fala em cinco milhões a sete milhões de renda por jogo em condições normais, como agora no Brasileirão 2014. Certamente se pagará muito antes do imaginado. Mesmo que o público não vá em peso, o aluguel das franquias faz com que este valor salte nas alturas.

É um estádio que pode até custar caro para o torcedor.

Mas que vai te entregar tudo o que prometeu: estrutura, atmosfera e experiência.

E caso não possa pagar um preço mais alto, não há problema: o estádio entrega o prometido também.

A impressão que me passa é de um estádio que se importa com você. As pessoas se incomodam se dá algo errado.

Esqueçam a Copa. A grande vedete é a Arena Corinthians no modo operacional do clube.

O resultado do primeiro teste foi bastante animador. Ainda não está perfeito.

Mas quando ficar, será, a léguas, o estádio mais cobiçado para uma experiência futebolística na América Latina.

Arena Corinthians. Ora, por que o espanto ?

Foto: Placar

Em primeiro lugar, peço perdão aos amigos do Brasil Decide, site no qual fui convidado pelo João Paulo para escrever sobre. Pois bem, aí está.

Em segundo lugar, é o seguinte. Vejo que, desde 2010, quando anunciaram a construção da Arena Corinthians, percebo que as pessoas estão incomodadas. Não se conformam com um estádio feito com  “dinheiro público”, com “esquema MSI”, com “esquema Lula” e demais acusações que mereciam ser ridicularizadas. Mas o espaço Brasil Decide, de meus amigos, é um lugar sério, e falarei sério com todos os que demonizaram a nossa obra.

Vamos fazer um joguinho ?

Eu peço para que vocês respondam rápido (sem Google) três questões relativas a Arena Corinthians, que ao que me parece, vem gerando tamanho incômodo em alguns:

1)       Você sabe aonde está (ou melhor, aonde estavam) o montante de 400 milhões para as arquibancadas móveis ?

2)      Você sabe o que é um Financiamento ?

3)      Você sabe quanto o Corinthians dá de retorno por ano ?

Provavelmente, não é capaz de responder nenhuma das três. Logo, não deveria falar o que não sabe sobre a Arena Corinthians (que, diga-se de passagem, sairia com Copa ou sem Copa, para 48.000 pessoas. Corinthians nunca pensou num estádio para 70.000. Isso é coisa da FIFA).  Acusação é uma coisa complicada, é preciso provar.

Você pode sim, é seu direito dizer que a obra foi facilitada pelo Efeito Copa, o que é verdade. Mas isso não é demérito pra ninguém.  Em 2007, quando anunciaram a Copa do Mundo aqui, todo mundo queria Copa. Não venha com historinha de “eu não queria”.  Queria sim.

Queria, porque nas ruas se via uma aprovação popular de proporções absurdas.  E porque os raros que não queriam, não foram a CBF protestar, fazer alguma coisa ? Então, ignoramos os chatos e segue o jogo.

A primeira resposta é que não está. Não, esse dinheiro não é da Saúde, da Educação, das Estradas, dos Hospitais, do Saneamento. Esse dinheiro simplesmente não existe. Não é algo físico, que você pega de lugar X e põe em Y. É apenas um dinheiro que se deixa de pagar, pros cofres do Estado.

É do Estado, não pra investimento.  Se não houvesse estádio algum, não haveria 400 milhões pra ninguém, do contrário que vomitam por aí. Não, cara pálida, esse dinheiro, diferente do que você pensa, não é seu, nem meu, nem do seu vizinho, nem do meu vizinho.

A segunda resposta, é que um Financiamento nada mais é um dinheiro do BNDES, que tem este nome justamente para Financiar grandes investimentos que trazem retorno para a sociedade (o que falaremos na Resposta 3).

Quando, na crise econômica, você recebeu desconto de um IPI na compra de um automóvel ou adquirir uma casa financiada, está fazendo exatamente o mesmo que o Corinthians: financiando um sonho. O que é absolutamente normal e legal (não no sentido de “cool”, mas legal, no sentido de Lei). Financiamento não configura dinheiro público, caros amigos.

A terceira resposta saiu esta semana no Globo Esporte: o balanço financeiro do Sport Club Corinthians Paulista de 2012. Faturamento de 358 milhões e 500 mil reais. Agora multiplique isso N vezes com o adendo da Arena Corinthians, e seus parceiros comerciais.

E veja, por tabela, quanto a sociedade (principalmente moradores de Itaquera) vai ganhar. Se, investir no Corinthians hoje, você tem um retorno deste porte (maior da história do país), quanto vai ter investindo na Arena ?

E daí, atrai o comprador, atrai o novo morador pra região, cresce o valor dos imóveis na Região, cresce o número de Obras Sociais alavancadas por empresas parceiras do clube. O que chegaria na casa dos bilhões em retorno para a sociedade. Você, morador da Zona Leste não trocaria 400 milhões (caso este dinheiro, fisicamente, existisse), por 2 bilhões ? A matemática é simples.  Não vai acontecer de hoje pra amanhã, é óbvio. Mas em médio prazo. Coisa de cinco a sete anos. A melhoria para a sociedade que este estádio vai trazer é absurda.

Até pelo momento da Economia Brasileira, que vivemos nos últimos 10, 12 anos. Com todos os problemas, quem era miserável em 1990, é classe média hoje. Quem era classe média em 1990, é emergente hoje.

Você tem uma empregada doméstica ? Um funcionário de classe mais humilde ? Faça um teste. Peça para que ele lhe trazer algumas fotos dele de 25 anos atrás. Veja o que ele era, o que tinha  e o que é/tem hoje. Hoje tem celular, TV a cabo, filho em escola, em universidade, com brinquedos que o seu filho também tem, um automóvel mais bacana, uma casa mais ajustada. Viaja de avião, se alimenta bem, vai ao cinema e até a estádio.

E assim caminhará a sociedade.

O problema do espanto pelo gigantismo numérico desta Arena é o clubismo. Não entrarei neste mérito. Aguardemos o Naming Rights (que, segundo o Diário de São Paulo, está próximo de ser anunciado) e a transformação do bairro de Itaquera.  Não são promessas políticas.  São números.  Basta ver o que aconteceu com todos os parceiros do clube. Desde os nanicos até os multinacionais.  E isso, queira ou não, reflete, cedo ou tarde, na torcida (sociedade).

Só peço que aguarde. Aguarde, veja o projeto andar e refletir no povo, em cinco a sete anos.

Deixe o Corinthians surpreender você com a Arena. O povo agradece.

Até mais !

Luís Butti
@luisbutti