Dilma e Cunha, é hora de virar esta página definitivamente!

Eduardo Cunha será julgado por seus pares porque assim como Dilma Rousseff feriu a lei

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Julgar todo processo de impeachment na conta de um homem só, de um único deputado, é deturpar a verdade. Eduardo Cunha só fez assinar o despacho autorizando a instalação da comissão que autorizaria ou não o processo de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff. Quem autorizou a abertura do processo foi o conjunto de deputados (367, mais dos 342 necessários) e o Senado julgou procedente a denúncia (61, mais dos 54 necessários).

Dilma foi deposta porque 1) feriu o artigo 85 da Constituição Federal; 2) perdeu o apoio que tinha no Parlamento ao não dialogar com parlamentares da própria base; 3) perdeu apoio popular por causa do estelionato eleitoral; 4) o tão falado “conjunto da obra”: crise econômica, social e política.

Se outro deputado tivesse como presidente da Câmara dos Deputados levaria a denúncia adiante ninguém pode afirmar que sim ou não. Eduardo Cunha estava com plenos poderes e a Constituição faculta ao presidente da Câmara dos Deputados aceitar ou não uma denúncia contra o presidente da República.

Eduardo Cunha será julgado por seus pares porque assim como Dilma Rousseff feriu a lei – no caso de dele, o regimento interno da Câmara ao mentir numa CPI que investigava o esquema de corrupção na Petrobras. Não importa o tipo de conta ou se a pergunta feita a ele na CPI foi mal formulada. O que importa é que o deputado Eduardo Cunha mentiu ou, no mínimo, omitiu sobre ter contas (trust, não importa o tipo de conta) fora do país não declaradas.

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Sai Dilma; entra Temer

14 anos após a histórica posse de Lula, em 2003, o PT deixa o poder pelos seus próprios erros

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Depois de quatro meses e quase um ano desde a aceitação da denúncia pelo presidente da Câmara, o processo de impeachment da presidente Dilma chega ao seu final. E o resultado já era meio que anunciado. Dilma Rousseff deixa de ser a presidente do Brasil e o seu vice-presidente, Michel Temer, que recebeu os mesmos 54,5 milhões de votos na eleição de 2014, é o novo presidente.

Um processo longo, polêmico, doloroso e que vai deixar marcas profundas. Mas, ao mesmo tempo, espera-se que a crise política que agravou a econômica e social termine. Pessoalmente, acho que a tormenta vai diminuir, mas não acabar.

Michel Temer não terá aquela “lua-de-mel” que um presidente recém empossado tem e sua missão é árdua, principalmente com a forte oposição do PT.

14 anos após a histórica posse de Lula, em 2003, o PT deixa o poder pelos seus próprios erros éticos, morais e econômicos. Deixa pela porta dos fundos. Dilma é cassada e tem seu mandato abreviado por total responsabilidade sua. Independente das opiniões sobre esse impeachment, é unanimidade que Dilma cavou a própria cova desprezando conselhos até de Lula, não dando a mínima bola para o parlamento. O massacre na votação tanto na Câmara quanto no Senado é consequência desse menosprezo. Sua arrogância e empáfia de quem achava que poderia governar monocraticamente somada a irresponsabilidade fiscal acabou no impeachment.

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Quem é (são) o(s) dono(s) das contas no exterior que Cunha diz só administrar?

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A parte que interessa na coletiva convocada pelo presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é onde ele acusa Jaques Wagner, então Ministro-chefe da Casa Civil, de oferecer ajuda para um tipo de proteção para sua família. Cunha não acreditou numa suposta influência do governo aos ministros do STF. Mas essa acusação já tinha sido feita por Cunha no programa da Mariana Godoy na RedeTV!

Já a parte onde ele diz que se encontrou com Wagner no Palácio Jaburu (residência do vice-presidente) a pedido do ministro, que ele ofereceu o controle do Conselho de Ética para Cunha em troca dele arquivar a denúncia contra a presidente afastada Dilma Rousseff é nova. José Carlos Araújo é deputado pelo PR/BA e seria dependente politicamente do governo baiano, que é do PT. Araújo é alvo de denúncia.

Pode ser que seja uma última cartada para Cunha se salvar ou cair atirando. Eduardo Cunha deve ser cassado porque mentiu na CPI que investigava a corrupção na Petrobras. Ele continua afirmando que não tem contas no exterior, é apenas administrador de um trust. Não importa os eufemismos que ele usa. E, se não é dono das contas, por que não diz quem é o dono ou donos delas?

Todavia, a denúncia de Cunha é muito grave.

A hora do impeachment

O país não aguentaria mais dois anos e meio de um governo onde a corrupção é a regra e o descrédito é completo

Daniel Coelho

O Brasil tem vivido dias de intensa agitação política e muita expectativa em relação ao seu futuro. Sem dúvida, o momento mais tenso e difícil desde o início deste ainda jovem século 21. Economia no fundo do poço, instituições perdendo credibilidade, escândalos de corrupção e uma presidente que cometeu crime de responsabilidade. Segundo reza a Constituição Federal, promulgada em 1988, este último caso pode acarretar o impeachment do chefe de Estado – neste caso, a presidente Dilma Rousseff.

Votar de maneira favorável ao impedimento de uma presidente da República eleito pelo voto popular não é uma decisão fácil. Mas as decisões mais importantes na história de qualquer nação não são simples de serem tomadas. Em 1992, o Brasil se uniu para tirar do poder o então presidente Fernando Collor. PSDB, PT e tantas outras legendas estavam lado a lado, defendendo o impeachment e votando em favor do impedimento do hoje senador.

Hoje, diante da crise que se impõe no país, diante de todos os atos de irresponsabilidade de um governo que não mediu esforços para continuar a todo custo no poder, não há outra alternativa senão o afastamento de Dilma Rousseff. Há quem queira desvirtuar a história afirmando que impeachment é golpe. Mas esse processo não é novo no Brasil. Além do exemplo de 1992, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sofreu 14 pedidos de impeachment – um deles formulado pelo ex-presidente Lula e pelo ex-deputado José Dirceu, atualmente na cadeia.

Sou a favor do processo atual pois Dilma utilizou dinheiro público sem previsão orçamentária propositalmente, colocando o país na crise fiscal em que nos encontramos. O que configura crime de responsabilidade. E que, segundo nossa Constituição, é punido com o impeachment.

Porém, o impeachment não é a única alternativa que nós vemos para a saída da presidente da República. Ainda há a possibilidade de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar a chapa completa, incluindo aí o vice-presidente Michel Temer, visto estar claro que houve uso de caixa dois durante a campanha eleitoral. Isto, porém, não deve acontecer sem que antes o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, seja afastado da função.

Este é o momento em que vivemos e os caminhos que, acreditamos, devem ser tomados. O país não aguentaria mais dois anos e meio de um governo onde a corrupção é a regra e o descrédito é completo. Só mesmo uma mudança para que possamos começar a sonhar em dias melhores para a nação.

Daniel Coelho é ambientalista, administrador, recifense e deputado federal pelo PSDB/PE

Pela Democracia

O que está em debate não é a aprovação do atual governo e justas críticas, mas a nossa democracia e o respeito à Constituição

Michel Costa

Não se deixe enganar. O pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff recebido por Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados na última semana nada mais é do que a continuidade do movimento social com raízes na neodireita brasileira que se opõe ao modelo de gestão vigente. Uma direita que se antagoniza ao governo federal desde 2003 – e potencializada a partir de 2013 – somada ao desespero do parlamentar em virtude de sua iminente cassação, combinada ainda com a derrota não assimilada pela atual oposição capitaneada pelo PSDB. Em suma, é um pretexto.

Na prática, não há embasamento legal ou mesmo moral para o impedimento de Dilma. Como costuma pontuar o virtual candidato à presidência em 2018, Ciro Gomes, impeachment não é remédio para governo ruim.

No Brasil, esse processo deriva de uma punição por crime de responsabilidade. É preciso que o presidente da República pessoal e dolosamente tenha violado alguma regra presente no artigo 85 da Constituição Federal. O pedido aceito pelo deputado Eduardo Cunha leva em consideração um único fator que são as chamadas pedaladas fiscais, nada mais do que medidas realizadas através de decretos para abrir créditos que ultrapassaram a meta fiscal em 2015 para que projetos sociais seguissem caminhando.

Acontece que o próprio Congresso acabou de aprovar o PLN nº 5 fixando uma nova meta fiscal. As ações adotadas pela presidenta ora questionadas foram validadas por essa revisão da meta. Se havia em dado momento alguma irregularidade, ela deixou de existir no instante em que a citada meta foi revista.  No direito brasileiro isso recebe o nome Abolitio Criminis, ou seja, algo que exclui a tipicidade e torna lícita uma medida que antes não era.

Não há, então, uma causa para abertura de um processo dessa magnitude. O que está em debate não é a aprovação do atual governo e justas críticas a ele direcionadas, mas a continuidade de nossa democracia e o respeito à Constituição. A desaprovação de Dilma Rousseff se resolverá futuramente nas urnas e, enquanto novo pleito não acontece, devemos, enquanto sociedade, cobrar as melhorias necessárias para o restabelecimento de nossa economia e de nossa democracia.

Michel Costa é administrador de Empresas pela UFSJ e escritor