PT desafia Eduardo Cunha

Não apaga todos os erros do PT, mas é um alento para o partido que era a esperança do Brasil

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O PT preferiu pagar para ver se a força de Eduardo Cunha é tudo isso mesmo e resolveu fechar voto favorável a admissibilidade pela cassação do mandato do presidente da Câmara. Há tempos que o PT não tomava uma decisão que lembrasse o velho PT de guerra, aquele que tinha como bandeira a ética na política.

Não adianta cair na chantagem de Cunha. O chantagista não para nunca, ele sempre continua. O chantagista consegue o objetivo com a chantagem e logo vem com outra pior. É melhor arriscar do que viver nas mãos de um chantagista acusado de tantos crimes como Eduardo Cunha é acusado e com fartas provas.

Eduardo Cunha ainda não tinha passado por uma prova de força para provar se domina mesmo a Câmara dos Deputados desde a sua vitória como presidente em fevereiro.

Para o governo é melhor que o impeachment seja votado de uma vez, se conseguir pelo menos 180 votos, Cunha perde o poder de chantagem e Dilma Rousseff pode respirar e, finalmente, começar a governar. O primeiro ano do segundo mandato está perdido, mas ainda tem três anos para não sair com a pior popularidade de um presidente. Essa recusa de participar do circo que Eduardo Cunha está armando para escapar do processo no Conselho de Ética não apaga todos os erros do PT, o partido ainda vai prestar contas à população, mas é um alento para o partido que era a esperança do Brasil.

Outra boa notícia sobre o PT é o rompimento do partido com o grupo Sarney no Maranhão. O partido começa a rever essas alianças nada positivas que sujaram a história do Partido dos Trabalhadores. É impossível vencer eleições sem alianças estratégicas, mas a realpolitik não pode desfigurar a história do partido.

Que país é esse

Mesmo com todo esse espetáculo deprimente, as instituições estão funcionando

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Esqueça House of Cards ou qualquer outro seriado de entretenimento. A política brasileira propícia muita diversão e está em cartaz uma série policial que ainda renderá muita diversão. Qual país no mundo tem o presidente da Câmara dos Deputados e o presidente do Senado investigados por corrupção? Quem tem dois ex-presidentes da República na mira da justiça? Sendo que um saiu da presidência com 90% de aprovação é acusado de ser lobista de uma empreiteira. Vários deputados e sanadores investigados, a atual presidente correndo sério risco de não terminar o mandato que acabou de renovar, um governo que não se entende com sua própria base de apoio no Parlamento. O povo tem culpa por esse espetáculo. Ele (povo) é que elege todos esses que mandam no país há anos, há décadas. Até podemos justificar que com esse sistema viciado não temos escolha, votamos no “menos pior” ou “vai roubar menos”.

Mas não redime o eleitor do seu erro. Pelo contrário, o torna mais culpado de não saber filtrar os candidatos na hora do voto. O voto é a maior arma que o cidadão possui e é por isso que governantes não valorizam a educação básica. Existe um ditado que diz que o roçado de um político é a ignorância do povo. Apesar de ser verdadeiro, no entanto, pior que a ignorância de excluídos do sistema é a ignorância de letrados que brincam de revolucionários, filhinhos de ricos e de classe média estudando nas melhores universidades com camisa do Che.

Cidades não tem saneamento básico, a saúde pública não funciona direito, a educação pública é capenga, inflação corroendo o poder aquisitivo do trabalhador, juros lá no alto, desemprego crescendo e o Pacato Cidadão só olhando e rindo das piadas da sua própria desgraça. Sem se tocar por ignorância ou por interesses (muitos) que foi ele que provocou o que os jornais mostram. Mesmo com todo esse espetáculo deprimente, as instituições estão funcionando, o que é bom.

Qual será o final dessa novela – season finale – eu não sei. Só sei que se tudo der em uma gigante pizza o pacato cidadão brasileiro, o cordial brasileiro que de cordial não tem nada, talvez se mexa do sofá e até provoque uma revolução. O que nem sempre resulta em coisas boas. Esse ambiente de crise institucional e convulsão social aguda é propício para aparecimento de aventureiros vestidos de Salvadores da Pátria com teses mirabolantes e “formula mágica” que trazem mais desgraças que soluções.

Brasília 40ºC

Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Eduardo Cunha (PMDB) e Renan Calheiros (PMDB) fizeram pronunciamentos sobre o primeiro semestre do Legislativo. Cunha na TV em rede nacional e Calheiros em vídeo no canal do Senado no Youtube.

Ambos ressaltaram a independência do Legislativo nesse último semestre do governo e ambos colocaram para si esse “feito”, o de recuperar a independência dos poderes. O pronunciamento de Eduardo Cunha foi mais protocolar, mas deixou claro que seguirá na mesma linha de atuação. E o vídeo foi gravado antes dos acontecimentos de sexta-feira.

O pronunciamento de Renan Calheiros foi maior e mais incisivo. Bateu forte no ajuste fiscal novamente, festejou o PMDB mais atuante, elogiou o vice-presidente Michel Temer (PMDB), se defendeu das denúncias envolvendo seu nome, fez críticas veladas ao governo Dilma e falou dos desafios para os meses de agosto e setembro dos quais os chamou de “agosto e setembro negros”. Deixou uma mensagem subliminar para o governo mais ou menos assim: “quem procura acha” e “você colhe o que você planta”.

Se a tensão política foi grande no primeiro semestre entre governo e Congresso, principalmente dentro da base governista e mais especificamente entre PT e PMDB, no segundo semestre a expectativa é que aumente. Com os desdobramentos da Lava-jato, julgamento das contas do governo Dilma de 2014 no TCU e ação da oposição no TSE contra a campanha da presidente Dilma e do vice Michel Temer.

A defesa de Cunha será o ataque para não cair só

A defesa dele será o ataque contra a Procuradoria-geral da República e o governo

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A nova denúncia contra Eduardo Cunha foi tão devastadora, que o presidente da Câmara dos Deputados ficou grogue e saiu atirando contra o governo, acusando um complô entre o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra ele. Isso não se sustenta porque o PT está sofrendo consequências da operação Lava-jato. Rodrigo Janot não é radical e está coordenando a operação com toda prudência necessária. Se Janot quisesse a cabeça de Cunha a qualquer preço já tinha encaminhado denúncia contra ele no STF e, consequentemente, pedindo o seu afastamento da presidência da Câmara.

Mas a estratégia de Eduardo Cunha é visível. Ele não quer cair sozinho. O envolvimento de Eduardo Cunha na corrupção na Petrobras está cada vez mais comprovado, as provas são robustas e ele sabe que não vai ter saída. Uma abertura de inquérito contra Eduardo Cunha é dado como certo e a renúncia não só da presidência como do mandato de deputado será inevitável. É por isso que anunciou que passa a ser oficialmente oposição ao governo.

Na volta do recesso, Cunha deve colocar em votação pautas desfavoráveis ao governo. E, principalmente, votar todas as contas de governos pendentes para votar as contas do governo de 2014, que o TCU pode reprova-las. Assim, a articulação do impeachment de Dilma Rousseff seria possível do ponto de vista político.

Bateu o desespero em Eduardo Cunha. A defesa dele será o ataque contra a Procuradoria-geral da República e o governo, isso ficará mais claro nesta sexta-feira no pronunciamento que fará em rede nacional, e internautas estão organizando nas redes sociais um “barulhaço” na hora.

Eduardo Cunha, o Frank Underwood brasileiro

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Além de perder feio a presidência da Câmara dos Deputados para Eduardo Cunha (PMDB), o PT ficou sem representante na mesa diretora para o biênio 2015/2016, nem suplência. Foi uma derrota muito grande para o Planalto.

A presidente tinha como estratégia para esse segundo mandato reduzir a influência do PMDB no governo. Para isso, Dilma deu aval para o Ministro das Cidades, Gilberto Kassab, conseguir recriar o antigo PL para atrair deputados da oposição e depois fundir com o PSD.

Mas a vitória de Eduardo Cunha desencadeou uma grave crise na base de apoio do governo na Câmara dos Deputados. Eduardo Cunha está colocando em votações pautas que vão contra o governo. Ele tem uma lábia forte, conhece os caminhos do Parlamento como poucos parlamentares e está conseguindo impor sua agenda com vitória.

Não é à toa que é conhecido como “Frank Underwoord brasileiro”, em referência a personagem da série política americana House of Cards. Cunha é ajudado por uma Câmara que é predominantemente conservadora.