Eleição 2002: Esperança venceu o medo

Um resumo sobre a eleição presidencial de 2002

Cansado de perder, Lula resolveu deixar o radicalismo de lado e apostou no estilo mais moderado – “Lulinha paz e amor”- para sua quarta tentativa de subir a rampa do Palácio do Planalto. Para isso, convidou o empresário José Alencar para ser o seu vice-presidente e escreveu de próprio punho (é o que diz a lenda) a famosa “Carta ao Povo Brasileiro”. A Campanha vitoriosa petista também contou com os filmes sempre caprichados e emocionantes do marqueteiro Duda Mendonça.

A pré-campanha de 2002 foi recheada de acontecimentos. Como, por exemplo, a subida meteórica da então governadora do Maranhão Roseana Sarney, que chegou a encostar em Lula nas pesquisas e viu os números murcharem após o escândalo que derrubou do comitê de campanha seu marido, Jorge Murad. Dias depois, Roseana saía da disputa pela presidência e candidatou-se ao Senado.

Já na campanha, Ciro Gomes despontava como um desafiante de Lula. Pesquisas apontavam Ciro na frente de Serra. Mas seu temperamento explosivo combinado com declarações infelizes foram exploradas pelos adversários e fizeram Ciro perder até para Anthony Garotinho.

1º de janeiro de 2003, uma data histórica. Nesse dia aconteceu a mais linda festa para a posse de um presidente da República. Foi a primeira vez, desde 1961, que um presidente eleito pelo povo passava a faixa presidencial para outro igualmente eleito pelo povo, de Fernando Henrique para Lula. Um dia histórico, o dia que um ex-metalúrgico retirante nordestino sem diploma universitário chegava à presidência da República.

Primeiro turno

  1. Lula (PT) – 39.455.233 (46,44%)
  2. José Serra (PSDB) – 19.705.455 (23,19%)
  3. Anthony Garotinho (PSB) – 15.180.097 (17,86%)
  4. Ciro Gomes (PPS) – 10.170.882 (11,97%)

Segundo turno

  1. Lula – 52.793.364 (61,27%)
  2. José Serra – 33.370.739 (38,73%)

Relembre a eleição presidencial de 2022

Eleição 1998: A Reeleição

A aliança entre Lula e Brizola foi o grande acontecimento de 1998

A eleição de 1998 foi a primeira com o dispositivo da reeleição. A emenda foi aprovada no ano anterior na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com polêmica na votação no Congresso Nacional.

Reportagem do jornal Folha de São Paulo denunciou que parlamentares da base do governo receberam R$ 200 mil para votar a favor da emenda da reeleição. Apesar de fortes indícios que houve compra de votos na emenda da reeleição ninguém foi punido, não se encontrou provas definitivas nem se investigou como deveria. FHC nega qualquer conhecimento de compra de votos, mesmo sendo o principal beneficiado pela aprovação da PEC da reeleição.

No lado da oposição, a aliança entre Lula e Brizola foi o grande acontecimento de 1998. Muitos lamentam até hoje que essa aliança saiu com nove anos de atraso, dizem que Lula e Leonel Brizola juntos venceriam no primeiro turno a eleição de 1989. Outro fato marcante naquela eleição foi no Rio de Janeiro. Para a aliança presidencial Lula e Brizola sair, a direção nacional do PT anulou a convenção que homologou a candidatura do Vladimir Palmeira ao governo do Estado. Para ter Leonel Brizola de vice de Lula, o PT entregou a cabeça de chapa no Rio para Anthony Garotinho, então um quadro novo do PDT, para formar a chapa com a petista Benedita da Silva.

Mas a aliança União do Povo – Muda Brasil não conseguiu levar a disputa para o segundo turno. O presidente Fernando Henrique ainda gozava da popularidade adquirida no Plano Real e da estabilidade econômica se reelegendo no primeiro turno, como em 1994.

Relembre a eleição presidencial de 1998

Eleição 1994: O Plano Real

Um resumo da eleição presidencial de 1994

O início do Plano Real estava a pleno vapor. Fernando Henrique Cardoso saiu do Ministério da Fazenda para preparar sua candidatura presidencial. O presidente Itamar Franco não tinha um sucessor natural e Fernando Henrique ocupou essa vácuo graças ao sucesso do Plano Real que liderou. Depois da eleição, Fernando e Itamar se desentenderam em relação quem foi o mentor do Plano Real, uma briga de egos.

Curiosidade da eleição de 1994 foi a possibilidade da união entre o PSDB e o PT. As negociações estavam avançadas para Luiz Inácio Lula da Silva como presidente e Tasso Jereissati como seu vice. Tasso era presidente do PSDB na época. Arthur Virgílio Neto, senador em 2007 e prefeito de Manaus-AM (desde 2013), disse há 8 anos que a ideia não foi pra frente porque o PT ficou contra o Plano Real. O PT achava o plano eleitoreiro e não era sustentável para os trabalhadores. Segundo Arthur Virgílio, foi um “erro brutal” do PT negar apoio ao Plano Real.

“Se Lula tivesse topado o Plano Real, teria sido eleito, mas perdeu não só o vice como a eleição. Ele cometeu um erro brutal que foi negar o plano econômico, perdeu o vice do PSDB e a eleição”, Arthur Virgílio Neto.

Outros acontecimentos naquela eleição.

Leonel Brizola era governador do Rio de Janeiro pela segunda vez e pré-candidato a presidente, tinha rivalidade com a TV Globo. Após disputa judicial, Brizola fez a Globo levar ao ar no Jornal Nacional uma carta sua como direito de resposta histórico que é celebrado até os dias atuais pela esquerda brasileira.

Já o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, foi no programa Roda Viva, da TV Cultura (SP). Quércia e o jornalista Rui Xavier, que trabalhava no Jornal O Estado de São Paulo, tiveram forte discussão faltando pouco para o estúdio do programa virar um ringue.

Na eleição, o excêntrico Enéas Carneiro com segundos na TV conseguiu mais de 7% dos votos terminando a disputa em terceiro lugar.

Fernando Henrique venceu no primeiro turno e o PSDB chegava ao poder com apenas 6 anos de fundação. Restou ao Lula amargar a sua segunda derrota e o arrependimento (se teve) de ter ficado contra o Plano Real.

Relembre a eleição presidencial de 1994

Eleição 1989: Reinício democrático

Um resumo da eleição de 1989, a primeira eleição direta para presidente desde 1960

O primeiro turno da eleição de 1989, a primeira para presidente desde 1960, contou com o recorde de 22 candidatos.

Resultado

  1. Fernando Collor de Mello (PRN) 20.611.030 (30,48%)
  2. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) 11.622.321 (17,19%)
  3. Leonel Brizola (PDT) 11.167.665 (16,51%)
  4. Mário Covas (PSDB) 7.790.381 (11,52%)
  5. Paulo Maluf (PDS) 5.986.585 (8,85%)
  6. Afif Domingos (PL) 3.272.520 (4,84%)
  7. Ulysses Guimarães (PMDB) 3.204.996 (4,74%)
  8. Roberto Freire (PCB) 769.117 (1,14%)
  9. Aureliano Chaves (PFL) 600.821 (0,89%)
  10. Ronaldo Caiado (PSD) 488.893 (0,72%)
  11. Affonso Camargo (PTB) 379.284 (0,56%)
  12. Enéas Carneiro (PRONA) 360.578 (0,53%)
  13. Marronzinho (PSP) 238.408 (0,35%)
  14. Paulo Gontijo (PP) 198.710 (0,29%)
  15. Zamir Teixeira (PCN) 187.164 (0,28%)
  16. Lívia Maria (PN) 179.925 (0,27%)
  17. Eudes Mattar (PLP) 162.343 (0,24%)
  18. Fernando Gabeira (PV) 125.844 (0,19%)
  19. Celso Brant (PMN) 109.903 (0,16%)
  20. Antônio Pedreira (PPB) 86.107 (0,13%)
  21. Manoel Horta (PDCdoB) 83.291 (0,12%)
  22. Armando Corrêa (PMB) 4.363 (0,00%)

Depois de recusar convite do PFL para ser o candidato do partido com a bênção do presidente José Sarney, o apresentador/empresário Silvio Santos resolveu de última hora disputar a eleição. O problema foi que os outros candidatos se sentiram prejudicados pela inesperada entrada na disputa do “Homem do Baú” e contestaram no TSE acusando o partido de Silvio, o PMB, de irregularidades.

Sem o apresentador/empresário, Collor e Lula foram para o segundo turno e protagonizaram uma campanha virulenta.

Collor usou no seu último programa eleitoral na TV a ex-mulher de Lula, Miriam Cordeiro, em um depoimento acusando o candidato petista de supostamente oferecer dinheiro para ela fazer um aborto e contando supostas ameaças que Lula fazia. Uma baixaria que marcou aquela eleição.

Também aconteceu a famosa edição manipulada do último debate entre Lula e Collor apresentada no Jornal Nacional, da TV Globo. Roberto Marinho pediu ao diretor de jornalismo Armando Nogueira que desse uma “ajustada” porque o debate estava muito pró-Lula. José Bonifácio, o Boni, chefão da Globo na época, confessou numa entrevista que a Globo deu uma melhorada na imagem de Collor, o fazendo ficar mais popular.

Collor venceu Lula e, após tomar posse, confiscar a poupança, brigar com quem o projetou nacionalmente, uma série de denúncias de corrupção no seu governo, uma CPI no Congresso, o motorista entregando o patrão, o próprio irmão delatando o presidente, renunciou antes do Senado julgar seu impeachment.

Relembre a eleição presidencial de 1989