Lula eleito

Com 100% das urnas apuradas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é eleito para um terceiro mandato a presidente do Brasil.

Lula ganhou com 60.345.999 votos (50,90%) e derrotou o atual presidente Jair Bolsonaro (PL), que conseguiu 58.206.354 votos (49,10%).

Foram 3.930.765 (3,16%) de votos nulos e 1.769.678 (1,43%) votos em branco.

Foi a eleição mais disputada desde a redemocratização, superando a eleição de 2014. Bolsonaro assumiu a liderança da apuração já no seu início. Lula virou às 18 horas e 44 minutos, quando 67,76% das seções apuradas, confirmando a vitória posteriormente às 19 horas e 57 minutos, com 98,77%.

Guerra de classes

Recorte por faixa de renda do último Datafolha mostra que quem tem até dois salários mínimos vota em Lula, são 61% a favor do ex-presidente.

A coisa se inverte quando a faixa de renda é de cinco até dez salários mínimos. Jair Bolsonaro tem 60%. Na faixa acima de dez salários mínimos Bolsonaro vai a 59%.

Lula e Bolsonaro estão em uma luta de classe na eleição.

Lula e Bolsonaro no 2º turno

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Messias Bolsonaro (PL) se enfrentarão no segundo turno de 2022. Com 99,99% das urnas apuradas, Lula teve 48,43% contra 43,20% de Bolsonaro, uma diferença de 5,23 pontos percentuais. Lula obteve 57.258.115 votos e Bolsonaro, 51.071.277 votos.

Simone Tebet (MDB) obteve 4.915.306 votos (4,16%) terminando em terceiro lugar e na frente de Ciro Gomes (PDT), que obteve 3.599.291 votos (3,04%).

Lula venceu nos 9 estados da região nordeste, em 4 estados do norte e em Minas Gerais; Bolsonaro venceu nos 3 estados do sul, em todo centro-oeste, ganhou no Acre, Rondônia, Roraima, Espirito Santo, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Totalizando 14 estados para Lula contra 12 estados e mais o Distrito Federal para Bolsonaro.

Declaração de voto

Tenho reservas a uma volta do PT ao poder. Mas meu voto é em Lula se a eleição tiver disputada voto a voto

Decidido: se Lula tiver vencendo as eleições no primeiro turno, não voto nele. Agora se a eleição tiver voto a voto, é Lula lá sem medo de ser feliz.

Por que estou declarando meu voto? Primeiro porque este é um blog de opinião. Segundo, fiz isso na eleição de 2018 e gostei. Terceiro, o bárbaro crime em Mato Grosso que um apoiador do presidente da República, Jair Bolsonaro, esfaqueou até a morte um lulista me tocou bastante para aonde o país está sendo levado pelo bolsonarismo e de uma equivocada expressão do próprio presidente do “bem contra o mal”.

Tenho reservas a uma volta do PT ao poder. O partido pode usar esse salvo-conduto para uma vingança do impeachment de Dilma Rousseff, prisão de Lula e buscar a perpertuação do poder.

Mas se olharmos o que foi especialmente o governo Lula e o governo petista como um todo (Lula e Dilma) tivemos do tirar o país do mapa da fome a mensalão e pretolão, mas nunca Lula ou Dilma tentaram subverter as instituições da República com ameaças ou aparelhamento. Não que muita gente do PT não queria. Aqueles mais radicais sonham com o PT copiando Hugo Chávez.

Mas ficamos nas intenções de uma minoria. Já o atual mandatário não esconde o desejo de ser um ditador, chora de não governar na ditadura militar, militarizou o governo, aparelhou a PGR que é o único poder que pode denúnciar o presidente, cooptou o Congresso Nacional com o orçamento secreto e não se porta no cargo como um chefe de Estado, mas como um animador de platéia para os seus seguidores.

Nem vou tocar no assunto de como o presidente errou na condução da pandemia e também como o atual governo está deixando uma bomba relógio para explodir no próximo mandato quem quer que seja o eleito.

Dei um voto de confiança para Jair Bolsonaro no segundo turno de 2018. Bolsonaro preferiu sua claque, preferiu se proteger e proteger sua família enrolada em escândalos e tudo indica que não vai aceitar a possível derrota em outubro copiando o fanfarrão e seu ídolo Donald Trump nos EUA.

Por tudo isso corrigirei meu voto de 2018.

Impeachment ou autogolpe

Relutei em apoiar o impeachment do atual presidente Jair Bolsonaro. Primeiro porque o Congresso está “comprado” e o atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é aliado do Planalto. Em segundo lugar, impeachment é traumático e fazem apenas 5 anos do último que deixou sequelas irremediáveis. Terceiro, falta tão pouco para as eleições de 2022.

Mas Bolsonaro insiste em agredir membros de outro poder chegando ao ponto de protocolar 1 pedido de impeachment contra 1 ministro do STF que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), arquivou por falta de justa causa. Contrariado, convocou quem ainda o apoia para manifestações no 7 de setembro. Será um “ultimato”, segundo Bolsonaro.

Neste sábado, faltando 3 dias para o 7 de setembro, Bolsonaro voltou a mirar contra o STF e disparou: “O STF não pode ser diferente do Poder Executivo ou Legislativo. Se lá tem alguém que ousa continuar agindo fora das quatro linhas da Constituição, aquele Poder tem que chamar aquela pessoa e enquadrá-la, e lembrar-lhe que ele fez um juramento de cumprir a Constituição. Se assim não ocorrer, qualquer um dos três Poderes… A tendência é acontecer uma ruptura”

E prosseguiu… “Ruptura essa que eu não quero nem desejo. Tenho certeza, nem o povo brasileiro assim o quer. Mas a responsabilidade cabe a cada poder. Apelo a esse Poder, que reveja a ação dessa pessoa [ministro Alexandre de Moraes] que está prejudicando o destino do Brasil”

Ele deseja sim uma ruptura institucional, mas não dispõe de todas as armas ainda para o autogolpe. Mas, se as manifestações do dia 7/9 forem numerosas, vai se sentir confiante para subverter a ordem democrática e social. Mesmo sem o apoio total das Forças Armadas o bolsonarismo está arraigado nas polícias militares e nas baixas patentes das Forças, tem apoio de grandes latifundiários, empresários, milícias.

Votei em Bolsonaro por alternância de poder e para evitar que a volta do PT fosse como um perdão pelo desastroso governo Dilma. Apostei que as instituições amenizariam o discurso radical do deputado do baixo clero. Errei. Subestimei o radicalismo e a incompetência de Jair. Jair é o presidente das pequenas causas, como a desobrigatoriedade da cadeirinha de criança, é o governo que está trazendo de volta a inflação e se preocupa mais em armar a população do que gerar empregos para o seu povo.

O bolsonarismo está apostando que as manifestações do dia 7 sejam grande e isso seja suficiente para “enquadrar” o STF. E, se não enquadrar, vem a ruptura de que falou. Bolsonaro não vai aceitar uma possível derrota em 2022 e vai usar o veto ao voto impresso para não aceitar o resultado eleitoral. Assim como Trump provocou a invasão ao Capitólio, Bolsonaro fomenta o caos porque só governa no caos.