
Brasília faz 59 anos. A capital planejada por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, em uma promessa de campanha do candidato Juscelino Kubitschek a uma pergunta de um eleitor durante comício no interior de Goiás, transferiu a capital da República para o centro do país. A interiorização do Brasil foi positiva em alguns aspectos. Mudar a capital para o planalto central encurtou a distância das regiões mais afastadas do centro urbano e econômico favorecendo a integração nacional.
Todavia, o Brasil paga até hoje politicamente e economicamente pela megalomania de JK. O início do descontrole inflacionário a qual o Brasil experimentou teve início no Plano de Metas do “presidente bossa nova”. JK aumentou a dívida externa por considerar que para diminuir a desigualdade o Estado precisa intervir na economia e para isso era preciso capital estrangeiro via empréstimos que foi buscar no exterior. Sabia que para construir uma cidade do nada e entregar o cargo ao seu sucessor já na nova capital era inevitável o endividamento público.
Politicamente, Brasília afastou os representantes dos representados levando os políticos para um isolamento geográfico. Economicamente, o Distrito Federal tem um PIB/per capita dos mais altos do Brasil, mas muito pela máquina estatal, já que o DF não é um polo de riqueza natural. Além disso, tem um abismo social separando as chamadas cidades-satélites e o entorno do Plano Piloto. Brasília se tornou o símbolo da desigualdade brasileira. O caos que a ex-capital Rio de Janeiro vive hoje deve muito a transferência da capital. De uma hora para outra a cidade viu toda a máquina federal ir para o Brasil central sem compensação ou planejamento, resultando na favelização e a situação se agravou com a unificação dos estados da Guanabara com o RJ.
Para uma grande parcela de brasileiros JK é o melhor presidente desde a criação da República. Essa fama é por Brasília e por seu governo ter expandido a industrialização que Vargas começou. E por ter sido um presidente carismático. Mas o preço foi salgado para muitas gerações. Inflação, aumento da dívida pública interna e externa, afastar os políticos da população.
